sábado, 18 de outubro de 2014

Una Canción, Capítulo 19 – Entre amigos

Ponto de vista de Dulce

Duas semanas eram suficientes para deixar a poeira baixar, certo? Tinham que ser! E se não fossem, paciência. Dulce não aguentava mais esperar. Não aguentava mais fingir que aquela distância entre ela e Christopher era normal. Nem que ela estava se sentindo bem com aquilo. Estava na hora de colocar seu plano em ação. Não era nada elaborado, basicamente ela sabia que 1- queria se reaproximar de Chris e 2- usaria de todos os recursos possíveis para isso.

Dul nunca tinha feito nada parecido na vida. Correr atrás dos homens nunca foi algo que ela precisasse ou quisesse fazer. Talvez por ser uma mulher bonita e famosa, ou talvez por sua personalidade mais reservada. Ou quem sabe porque Dulce nunca havia se sentido tão desesperada por ficar com alguém, como ela estava naquele momento. E não era só uma questão física, apesar de também ser. Ela enfim sabia, tinha certeza que ele era tudo o que ela queria. E não podia, de jeito nenhum, deixá-lo escapar de novo. Tentaria uma abordagem sútil e amigável a princípio, mas, se fosse preciso, usaria de artifícios mais pesados para atrair o rapaz para seus braços.

Ucker agiu de forma fria e seca com ela durante todo aquele começo de turnê. Quando estavam com outras pessoas do grupo, da banda ou da produção, ele era descontraído e falava normalmente, mas quando os dois ficavam a sós, a coisa mudava. E até então, Dulce María não quis forçar a barra e deixou que ele ficasse distante. E esse gelo só conseguiu fazê-la desejar ainda mais estar com ele. Se sentia como uma criança cobiçando um brinquedo que não pode ter na vitrine de uma loja. O único momento em que isso mudava era durante os shows. Quando estavam no palco eles não eram mais Dulce e Christopher, eles eram Vondy. E ela não sabia dizer se ele estava apenas atuando ou se, assim como ela, estava desfrutando daquele clima de romance que criavam. Os olhares, os gestos, as carícias. Tudo parecendo sempre tão real que não se podia culpar os fãs por acreditarem que havia algo entre eles. A ruiva mesmo acreditaria se não soubesse de tudo que havia se passado entre eles.

Fora dos palcos, porém, Dulce sabia que não seria fácil fazer o clima de romance voltar a acontecer. Mas pelo menos tinha um ponto a seu favor nisso. A produção não estava mais implicando que eles não podiam ser vistos juntos. Com a notícia do fim do noivado se espalhando, não fazia mais sentido mesmo continuar com aquilo. Os assessores de Dulce não estavam mais pegando no seu pé, mas certamente estavam achando ótimo a distância entre ela e Chris. Sem escândalos, sem fofocas, sem “marketing negativo”. E tinha também o fato de Linda não estar presente. Assim seria mais fácil conseguir chegar perto do garoto. Anahí havia descoberto que a ausência da assessora era definitiva, ela não viajaria com eles durante toda a turnê. Dul até pediu para a amiga para tentar descobrir o motivo, mas não deu muito certo, Ucker não revelou nada. Mas elas desconfiavam que tinha algo a ver com o beijo que Dulce vira nos bastidores do primeiro show da Tour do Reencontro.

O grupo já havia passado por várias cidades do México e atualmente estava em Monterrey. Haviam tirado a manhã de folga, mas a tarde já tinham que se reunir novamente para uma sessão de fotos para uma revista e a noite haveria mais um show. A rotina estava pesada e cansativa, mas, tirando o “problema” com Christopher, Dul estava adorando participar daquilo. Era muito bom relembrar a época do RBD, estar com os companheiros de grupo, os músicos e tantas pessoas que foram tão importantes na sua trajetória artística. Sem falar que ver todo aquele público que, mesmo depois de tanto tempo, ainda gostava deles e sabiam todas as canções era mágico. Estava sendo realmente uma experiência incrível e única. E estando agora muito mais madura do que naquela época, Dul sabia que estava aproveitando a turnê ainda mais do que naquela época.

Passou a manhã em seu quarto descansando até que Iliana veio chamá-la para ir a sessão de fotos. María trocou de roupa mas não se arrumou muito, pois sabia que lá iriam maquiá-la e lhes dar o que vestir. Colocou os clássicos óculos de sol, para o caso de haver algum paparazzi a espreita na saída do hotel. Colocou também uma de suas toucas estilo rastafári e prendeu o cabelo em uma trança pois não estava no melhor estado, tinha lavado ele pela manhã, mas deixara secar sozinho, sem fazer escova nem nada disso. Pegou uma bolsa de mão pequena, só para levar seu celular, carteira e outras coisas básicas. Encontrou sua equipe de assessores e desceu com eles de elevador até o lobby. Achou graça ao ver que todos os companheiros de grupo estavam de óculos escuros como ela e alguns deles de touca ou boné também. Como sempre fazia, Dul se aproximou deles cumprimentando a todos e depois ficou perto de Anahí. Era evidente que ela era a pessoa mais próxima de Dulce na banda, ainda mais naquele momento. As duas trocaram algumas palavras enquanto o pessoal da produção não os chamava para entrar na van.

Menos de cinco minutos depois eles estavam a caminho estúdio de fotografia. A saída do hotel fora um pouco tumultuada. Além dos paparazzis e jornalistas, havia uma centena de fãs esperando para vê-los. Monterrey era uma das cidades com maior público do RBD no México. Dul tentou acenar para eles, mas provavelmente nem foi vista, pois havia uma barreira enorme de seguranças cercando o caminho deles. Chegaram ao estúdio da revista “People en Español” e logo na entrada havia uma equipe de umas trinta pessoas esperando por eles. Os conduziram para dentro, direto para os camarins. Quando Dulce se deu conta já havia uma pessoa fazendo seu cabelo e outra maquiando-a. Um staff muito ágil e eficiente, sem dúvidas. Em poucos minutos todos já estavam impecavelmente arrumados para as fotos. A ruiva tinha adorado o look retro que haviam escolhido para eles. Ficou reparando em suas roupas e nas de seus colegas de grupo também. Um em especial...

Christopher era aquele tipo de homem que, apesar de ter uma beleza comum, conseguia tirar o fôlego das mulheres em alguns momentos. Sua eterna cara de menino e seu corpo forte de homem eram a combinação perfeita. E com o cabelo arrumado e bem-vestido como estava, parecia uma obra de arte. Dulce quase não conseguiu tirar os olhos dele. E como havia decidido iniciar o plano de “reaproximação” naquele dia, não tentou disfarçar que o estava encarando. Chris percebeu e até ficou um pouco constrangido com os olhares da companheira de grupo. Outra que percebeu foi Anahí, que apenas tentou conter o riso e lançou alguns olhares de incentivo a amiga.

Logo o fotógrafo e seu assistente vieram chamá-los para começar o ensaio. Pablo era o nome dele, Dulce já o conhecia de outras sessões que fizera em carreira solo. Ele explicou que primeiro seriam tiradas as fotos em grupo, com os 6 juntos. Depois as fotos individuais e depois ele faria algumas em dupla ou em trio se achasse necessário. Dul fez um desejo interno de que ele soubesse do “poder” dos casais do RBD, Vondy e Ponny, e que propusesse que tirassem fotos juntos. Seria perfeito para ela ter um momento mais próximo e íntimo com Ucker e mostrar para ele quais eram suas intenções. Então Pablo começou a fazer as fotos, dizendo onde cada uma deveria ficar. Todos lado a lado, depois as meninas de pé e os garotos agachados na frente, depois todos sentados no chão. Foi a parte mais complicada e cansativa da sessão, já que a cada pose, todos tinham que se arrumar em seu lugar e ficar na posição perfeita para só depois serem feitos os cliques. As fotos individuais eram bem mais simples e a troca de poses e figurinos eram mais rápidas.

Dulce María estava acostumada com aquele tipo de trabalho, então nem precisava ser dirigida pelo fotógrafo, ia se movendo e sorrindo diante dos flashes. Sentiu um frio na barriga e uma satisfação enorme ao perceber que Christopher era um dos que havia parado para observá-la enquanto era fotografada. Na vez dele, é claro que Dulce fez o mesmo. Ficou assistindo e até deu algumas dicas já que claramente ele não se sentia tão à vontade quanto ela naquela situação. Christian, como sempre, foi responsável por grande parte da diversão e das risadas naquela tarde. Seu jeito irreverente e suas gracinhas seguiam presentes até mesmo durante as fotos. Maite, com sua eterna imagem de mulher fatal tirou de letra a sua sessão individual, assim como Anahí. Poncho fazia mais a linha de Christopher, tinha uma aparencia ótima e sorrisos perfeitos, mas as vezes não sabia como se comportar para as câmeras. De modo geral todos se saíram bem o Pablo ficou satisfeito com o resultado. Pelo menos até ali. Ele pediu uma breve pausa anunciando que voltaria para mais fotos em dez minutos.

- Fazia tempo que eu não tirava tantas fotos – se queixou Maite massageando as bochechas – Não aguento mais sorrir.

- Ahhh fala sério! - provocou Christian que era, entre todos da banda, o melhor amigo da morena – Se a rainha das telenovelas não está aguentando o tranco, então nós estamos todos ferrados.

- Não exagera Chris – retrucou Mai – Acho que todos estávamos um pouco enferrujados. Nossas carreiras solo podem até ter ido bem, mas nada se compara a essa rotina do RBD. Fora que nós não temos mais 20 e poucos anos.

- Ela tem razão – disse Poncho entrando na conversa. Os seis prestavam atenção a conversa pois estavam em um circulo – E sessões de foto nunca foram muito a minha praia...

- Nem a minha -  concordou Ucker sorrindo. E então Dulce, que estava ao seu lado, não conseguiu resistir e comentou:

- Eu achei que você foi muito bem – ela a olhou surpreso e ficou sem resposta. O que poderia ser uma coisa ruim, mas na verdade não era. Dul adoro a forma como ele ficou com a boca aberta olhando para ela sem dizer nada, um pouco confuso e sem graça.

- Terminou o descanso, vamos voltar as fotos. Listos, chavos? - falou Pablo surgindo do nada e pegando todos de surpresa. Dul ficou um pouco frustrada de ter que interromper seu momento “flerte” com Ucker e rio a ver Any revirando os olhos sem que o fotógrafo pudesse ver. Rolou uma troca de olhares divertida entre os seis antes de todos responderem juntos.

- Listos!!!

Primeiro Pablo pediu que para tirar algumas fotos apenas com as garotas e depois apenas com os garotos. O que fazia todo o sentido e era algo comum de fazerem em sessões com o grupo. Já tinham se passado mais de duas horas desde que eles tinham começado a fotografar e Dulce temia que estivesse chegando ao fim. E ela ainda não tinha tido nenhuma oportunidade de se aproximar mais de Christopher e jogar seu charme para ele. Foi então que o fotógrafo disse que ia tirar algumas imagens em dupla. A ruiva abriu um sorriso enorme e já começou a bolar mil ideias em sua cabeça. Ninguém pareceu notar, felizmente. Primeiro Pablo chamou Anahí e Poncho que mostraram que os anos não haviam diminuído a imensa química que eles tinham. Em seguida, como Dul já suspeitava, ele chegou ela e Ucker para posar juntos. Seu coração bateu forte de ansiedade, mas ele tentou controlar os nervos, porque precisava se concentrar em sua “missão”.

Logo de cara o fotógrafo pediu que Chris abraçasse Dulce por trás, passando os braços pela cintura dela. Ele o fez, tomando cuidado para manter certa distância do corpo da companheira de grupo. Mas Dul não achou aquilo suficiente e foi se aproximando dele conforme as fotos eram tiradas até ficar com as costas coladas ao peito dele. Era tão bom poder estar em seus braços novamente, ainda que fosse apenas uma pose para sair em uma revista. Além de estreitar o abraço ela exagerou nos gestos e nos toques que percorriam os braços dele mais do que necessário. Depois, sem que Pablo tivesse dito nada, María se virou de frente para Ucker, para mudar de pose, e enroscou seu pescoço com os braços. Fora um movimento ousado. Ela nem quis saber se os outros estavam olhando, porque se estivessem, com certeza notariam que ela estava bem “atirada”. Então a ruiva apenas continuou com as insinuações esperando que a pessoa mais interessada, no caso Christopher, notasse.

Dulce colou o rosto com o dele enquanto ainda o abraçava e pode sentir que sorria pela pressão que sua bochecha fazia na dela. Aquilo só podia ser um bom sinal. Pablo pareceu adorar aquela proximidade dos dois, pois não parava de bater uma foto atrás da outra. E agora que a ruiva tinha começado, iria até o fim com aquele “jogo”. Virou o rosto e deu um beijo no roto de Chris. Sentiu que ele se sobressaltou na hora, mas depois relaxou, voltando a posar para a câmera. Pode-se ouvir o fotógrafo dizendo: “Muito bem! Magnífico! Perfeito, perfeito!!”. Aos poucos Christopher ficando mais solto do que estava no começo da sessão. Começou a acompanhar os movimentos da parceira e a deixar que ela pintasse a bordasse com ela. E foi isso que Dul fez o tempo todo. Quando Pablo disse que havia terminado a ruiva ficou visivelmente desapontada, achando que tinha sido rápido demais. Depois, através de Any, descobriu que na verdade eles tinham ficado fotografando quase que o dobro do tempo que ela e Poncho tinham ficado.

Nesse momento a loira aproveitou para confirmar suas suspeitas de que Dulce estava se jogando deliberadamente pra cima de Ucker. Não houve problema algum em confessar a verdade a amiga naquele momento, afinal María estava em uma vibe tão destemida que não se importou. Enquanto era a vez de Maite e Christian posarem em dupla, os outros ficaram no backstage esperando para ver se o fotógrafo iria querer mais fotos, antes de voltarem ao camarim para trocar de roupa. Dul aproveitou para tentar se aproximar novamente de Christopher e tentar dar continuidade ao seu plano. Ela foi andando na direção dele, sem disfarçar. Ele a olhou e percebeu que estava indo em sua direção. Logo em seguida o moço chamou Poncho que estava ao seu lado e começou uma conversa super empolgada com ele. María parou a alguns passos dos dois e ficou pasma.

Então ele a estava evitando? Durante as fotos não havia par onde correr, mas agora nos bastidores ele tinha deixado claro que não queria papo com a ruiva, pelo menos não a sós. Dulce cruzou os braços aborrecida e voltou a andar até onde Ucker estava. Parou ao seu lado e ficou quieta, só prestando atenção na conversa deles, esperando alguma deixa para mandar Alfonso passear e poder falar com seu amado em paz. A deixa não surgiu, então Dulce percebeu que teria que se esforçar um pouco mais se quisesse realmente chamar a atenção de Christopher. E enquanto as últimas fotos da sessão eram tiradas, ela bolou outro plano infalível. Pablo os dispensou e os seis foram até o camarim. Devolveram as roupas que usaram nas fotos e as garotas tiraram a maquiagem e desfizeram seus penteados. Dul, já colocando seu novo plano em prática, enrolou mais do que o necessário para arrumar sua bolsa. E quando os outros começaram a deixar o camarim ela o chamou.

- Chris, você viu minha blusa por ai? - perguntou ela.

- Não, você não a esqueceu no estúdio? - disse ele tentando ser prestativo, apesar de soar distante.

- Não, eu a tirei aqui antes deles nos arrumarem, mas não estou encontrando... - ela usava todo seu talento de atriz para convencê-lo de que estava realmente preocupada com o sumiço da blusa. E afinal acertou que o espírito altruísta de Chris falaria mais alto. Ele acabou ficando pra trás com ela, para ajudá-la a encontrar a tal da blusa. A garota disse que era uma verde com detalhes brancos.

- Talvez você tenha esquecido na van... - disse ele depois de alguns minutos revirando os cabides que estavam pendurados em um suporte atrás dos espelhos.

- Não, tenho certeza que desci da van com ela – afirmou Dulce. Ela estava se empenhando tanto em sua afobação fingida que acabou derrubando sua bolsa no chão. Como ela estava aberta, acabou esparramando todo seu conteúdo no chão, aos pés de Ucker, inclusive a blusa verde.

- Era essa blusa que estava procurando? - perguntou ele confuso pegando a peça do chão.

- Ahhh é essa mesma! - exclamou a ruiva nervosa, sem saber o que dizer a princípio – Não acredito que não percebi que ela estava aqui o tempo todo!

- É... inacreditável – comentou Chris irônico ao lançar um olhar irritado para ela começar a andar para a porta.

- Chris espera... eu...

Ela tentou pegar suas coisas no chão o mais rápido que pode para correr atrás dele e alcançá-lo. Mas ele já havia deixado o camarim e Dulce ficou falando sozinha. Seu plano tinha ido por água abaixo. Em vez de se aproximar de Christopher ela tinha acabo de afastá-lo ainda mais. Se ele não percebeu durante a sessão de fotos, agora tinha ficado evidente que ela estava fazendo de tudo para chamar sua atenção. Ela ficou resmungando de frustração enquanto pegava suas coisas e deixava o prédio. Ao chegar na van, voltou a tomar seu lugar isolado ao fundo. Não queria interagir com ninguém no momento. Estava constrangida e não conseguiria nem olhar para Chris. E também precisava pensar. Como poderia conquistar aquele garoto de novo? Ele já fora louco por ela uma vez, não podia ser tão difícil! Antes mesmo de chegar ao hotel ela já havia chegado a conclusão de que precisaria dos serviços da detetive Any novamente.

Ponto de vista do Ucker

Ucker entrou na van, pescou seus fones de dentro da mochila e ligou um rock bem alto. A ideia era fazer com que a música falasse mais alto que os problemas, porém havia um “zumbido” chato que não permitia que ele simplesmente desligasse suas emoções e focasse nos solos de guitarra.

Desde o episódio da briga com a Dulce após o show de estreia da nova turnê, Christopher resolvera esquecer a ruiva, deixar de lado aquela história complicada e focar no que era mais interessante no momento: a volta do RBD.

Porém, não era tarefa fácil ignorar a ex. Ele já estava tão acostumado a acompanhar todos os seus passos, tão adaptado ao seu modo de falar e agir que várias vezes se pegava precipitando suas ações, como se pudesse ler seus pensamentos. Entretanto, o cantor estava decidido a romper aquele elo invisível que o mantinha preso a Maria. Antes de deixar a turnê, Linda lhe dera um conselho: parar de valorizar tanto a ruiva, e era nisso que ele pensava quando se pegava a sós com ela. Além disso, ele ainda estava magoado por conta da falta de confiança de Dulce na palavra dele e das acusações que ela fizera na última conversa que tiveram, quando Maria o chamou de mulherengo e duvidou dos sentimentos que o cantor nutria por ela.

Claro que ele não gostava do climão que tomava conta do ambiente todas as vezes que eles ficavam a sós, mas não havia outra maneira. O único jeito de não ficar babando o ovo de Dulce era se afastar em definitivo dela.

Contudo, mesmo com esse objetivo tão fortemente traçado na mente, Ucker não conseguia negar: ela o fascinava. Era como um ímã que o atraía para a beira do abismo. E isso ficara bem claro naquele dia, durante a sessão de fotos quando ela forçou a barra para criar uma situação de intimidade em frente às câmeras que não existia mais na vida real. No começo, ele foi forte o suficiente para se negar a participar do joguinho da ruiva. Mas depois... Bom, o resultado ficara registrado pelas lentes e seria publicado como uma espécie de lembrete do quanto ele era fraco.

E era justamente essa sensação de fragilidade que o irritava agora. Porque por mais que ele quisesse evitar a Dulce, colocar a ideia em prática também o machucava. Criava uma sensação de vazio dentro do peito, e deixava os dias com uma espécie de paisagem morta, como se faltassem cores para preenchê-la. Claro que isso era uma contradição e não fazia sentido algum, mas quando se tratava de Dulce, o quê fazia sentido?

Talvez o amor fosse mesmo uma contradição... Ou talvez fosse somente a sua mente lhe pregando peças e fazendo com que tivesse recaídas. Fosse qual fosse a resposta, ele não queria pagar para ver. Aumentou o volume da música para calar os pensamentos, mas logo foi obrigado a diminui-lo novamente.

O telefone estava tocando. Era Santos, seu novo assessor. O rapaz não lhe acompanhara na sessão de fotos por conta do serviço acumulado que tinha para resolver. Ele chegara a pouco tempo, e Ucker reconhecia que adaptar-se a uma turnê em andamento e a todas as novidades que envolviam o RBD não era assim uma tarefa tão fácil. Além do mais, ainda tinha algumas pendências que ficaram para trás com a saída repentina da Linda. O novo assessor estava correndo contra o tempo para se atualizar de tudo.

- Bueno – O cantor contestou sem ânimo.

- Christopher, tudo bem? E a sessão de fotos? – O assessor quis saber. Os dois ainda não se conheciam muito bem, o que tornava os diálogos um pouco engessados e bastante formais.

- Tranquilo, tranquilo... O mesmo de sempre – Ucker disse tentando soar o mais convivente possível. A cena com a Dulce no camarim ainda estava na sua cabeça, zunindo como um pernilongo o impedindo de adormecer.

- Para vocês isso já é rotina, né? – Ouviu-se uma risada fraca do outro lado da linha – Bom, é o seguinte: Estou ligando para avisar que você foi convidado para a inauguração de uma boate aqui da cidade hoje à noite. Mandaram convites VIP’s, e parece que os outros integrantes da banda já confirmaram presença.

- Ahhh, cara... Não estou muito afim disso não – Ele desconversou. Andava tão descontente com a vida particular que agora tudo limitava-se a ficar no hotel vendo filmes e ouvindo músicas antigas. Vida social? Apenas compromissos que a carreira lhe obrigava a participar, e esse não era o caso.

- Mas estão todos comentando que vai ser o máximo... – O assessor insistiu, tentando disfarçar sua empolgação sem nenhum sucesso.

- Olha Santos, se você quiser ir, está liberado. Hoje o show deve acabar cedo, não temos nada agendado após a apresentação. Vai curtir a noite, você anda muito estressado, cara! – Ucker disse querendo desesperadamente encerrar aquela conversa. Ele só queria voltar para o seu rock e ficar sozinho. Será que era pedir demais?

- Poxa, sério? Então eu vou! – Dava para sentir a alegria do rapaz mesmo de longe.

- Espero que aproveite! Escuta, já estou chegando ao hotel. Aí conversamos, pode ser?

- Claro! E não esquece, hoje tem show com atendimento à imprensa antes da apresentação. Mas passo o cronograma completo quando chegar aqui. Até mais! – Com essas palavras ele desligou, deixando Ucker novamente a sós com a sua música.

Ele aumentou o volume e se deixou levar pelo solo da guitarra. Em certos momentos era melhor distrair a mente para não ouvir os gritos do seu coração.

***

Mais um show, mais um sucesso. Era incrível como a volta do RBD estava sendo aceita em todas as cidades por onde passava. O calor do público, o carinho dos fãs... Tudo parecia um sonho. E ainda havia aquela estranha ligação entre ele e Dulce, que voltava a acontecer em todas as apresentações, mesmo que ele se esforçasse para ficar longe dela. Era inexplicável. Quando menos espera, PÁ! Lá estava ele olhando para ela, dançando ao seu lado, executando movimentos em uma perfeita sintonia. Qual era a explicação para aquela força que o atraía para ela mesmo contra a sua vontade?

Naquela noite ele voltou para o seu quarto de hotel, tomou um banho, se jogou na cama e preparou-se para mais uma noite de solidão em seu quarto.

Pegou o violão e tentou fazer um som, mas sentia-se inquieto. Pegou o notebook e começou a fuçar as redes sociais para se distrair. Fazia calor, e mesmo com o ar condicionado ligado, ele sentia-se sufocado.

Foi nesse momento que o interfone tocou. Sem muita empolgação, ele atendeu a chamada.

- Christopher? – Era Santos - Só para avisar que estou indo para a inauguração da boate que falei. Combinei com o pessoal da equipe, o Christian e o Poncho também vão... Qualquer emergência estarei no celular, ok?

- Hey, espera! – De repente Ucker sentiu uma vontade estranha dominá-lo. Um desejo de esquecer tudo, de permitir-se viver como se alguém tivesse apagado suas memórias e não houvesse mais dor nem solidão – Tem lugar para mais um?

***

- Eu não acredito! Christopher Alexander Luís Casillas Von Uckermann resolveu sair do seu mundo privativo e vai se misturar aos meros mortais?

Ucker acabara de chegar ao andar onde Poncho e Christian estavam hospedados. Ele resolvera de última hora aceitar o convite para a noitada, e nunca se arrumou tão rápido: apenas vestiu uma camisa e uma calça que sabia lhe deixavam bem, colocou um boné, passou perfume e pegou a carteira. O cantor sabia que se demorasse muito iria acabar desistindo. Assim que saiu do elevador, foi recebido pelo eterno e inabalável bom humor de Christian.

- Não enche, cara! – Ucker murmurou, tentando não dar moral ao companheiro.

- Nossa! Quanto veneno, Uckerzito! Está faltando Dulce na sua vida? – O rapaz provocou, fazendo Alfonso e Santos, que também estavam por ali, caírem na risada. Pelo jeito, o seu lance com a ruiva não fora assim tããão discreto.

- Relaxa, Christopher! O importante é que vamos voltar aos velhos tempos! – Alfonso tentou quebrar o clima.

- Sim! O Rei Ucker vai colocar o corpinho dele na “pixta”! É hoje que essa boate vai ficar pequena! – Christian voltou a fazer bagunça com a cara do amigo.

- E não seria como antigamente se você não ficasse fazendo piada da minha cara, não é? – O cantor retrucou tentando manter um jeito marrento, mas no fundo adorando que os amigos o estivessem recebendo tão bem. Ele realmente andara meio afastado, completamente mergulhado no romance proibido que mantinha com a ex.

- É como eu sempre digo: Há coisas que nunca mudam! – Christian deu de ombros, brincalhão.

- Pessoal, adoro ver esse clima de confraternização entre vocês, mas precisamos ir. Não quero chegar quando o lugar estiver muito cheio, senão vamos acabar causando tumulto – Santos interferiu.

- Christopher, preciso falar uma coisa: Eu gostava muito mais da sua outra assessora. Ela era maluquinha, mas não ficava dando ordens para gente – Christian brincou, antes de dar uma piscadela amigável para o outro rapaz.

- Sem contar que era uma gata! – Alfonso palpitou – Ela não volta mais, cara?

- Não, por enquanto não... – Ucker tentou desconversar.

- Ahhh, pois eu gosto muito mais desse garotão aqui! Por mim, Lindinha pode continuar de férias! – Christian disse, dando mais uma piscada para Santos. Ucker pensou que o rapaz ficaria sem graça, mas ele devolveu a brincadeira em tom descontraído.

- Parem de melação vocês dois! Eu quero mesmo é saber das gatinhas da boate. E aí, vamos ou não vamos? Se demorarmos muito o Christopher vai acabar desistindo! – Alfonso falou fazendo careta para os amigos.

Não demorou muito para que todos estivessem acomodados em uma van, providenciada por Santos, a caminho da casa noturna. O clima no carro não poderia ser melhor. Como o pessoal costumava dizer na internet, a zueira não tinha limites. Não demorou para que Ucker entrasse na onda dos amigos e também começasse a brincar.

A boate tinha uma proposta bem moderna e despojada. Logo na entrada havia um espaço mais tranquilo, com um bar e alguns pubs para o pessoal fazer o famoso “esquenta”. Depois de passar por um curto corredor, os convidados davam de cara com a pista de dança e as luzes em neon agitando o local. O espaço fechado para convidados tomava uma das laterais da pista, e também era decorada com pufes, mesas altas e redondas com bancos também de tamanhos maiores e um bar exclusivo com barmans servindo o público com os mais diversos tipos de drinques.

A música estava boa, a companhia agradável e o melhor de tudo: a festa era open bar. Logo, não demorou para que os amigos, assim como o próprio Christopher, ficassem ainda mais animados e “soltinhos”.

Santos foi uma tremenda surpresa. O rapaz que era tão sério durante o trabalho, mostrou-se simpático, extrovertido e extremamente divertido durante a noite. Ele e Christian eram os que mais estavam curtindo a música.

Claro que não tardou para as meninas que estavam na pista reconhecerem os integrantes da banda e pedirem selfies junto com os cantores. A divisão entre os dois espaços era feita somente por barras de metais posicionadas horizontalmente, o que facilitava o acesso das garotas à área VIP. Bastava uma esticada de braço para garantir a foto.

No começo, tudo foi muito divertido. Os meninos do RBD interagiram com as fãs, dançaram, cantaram e brincaram. Todas estavam se comportando muito bem, sem histeria ou empurra-empurra. Porém, conforme a noite foi rolando e a notícia de que os integrantes da banda estavam curtindo a noite em uma boate se espalhou. Logo a casa noturna começou a encher de gente.

Mais seguranças foram chamados para garantir a ordem no local, mas não adiantou. Os convidados da área VIP começaram a reclamar da bagunça que o espaço havia se transformado. Por outro lado, Ucker e seus amigos não conseguiam sair do lugar onde estavam, porque a todo momento alguém os puxava para fotos e abraços.

A boate virou um tumulto e Ucker soube que tudo tinha dado errado quando sentiu os seguranças levantando ele do chão, colocando-o nas costas e carregando para o interior do bar. Quando Christopher se deu conta, ele estava em uma espécie de dispensa mal iluminada e repleta de garrafas de bebidas – cheias e vazias.

- Ahhh, está aqui a resposta. Eu sabia que tinha algo naquele whisky – Poncho apontou para um recipiente suspeito em uma prateleira próxima, logo depois de ter sido arremessado por outro segurança para dentro do quartinho.

Christian e Santos tiveram o mesmo tratamento “simpático” por conta da equipe da casa. Antes de deixá-los sozinhos, um deles virou-se e disse: o gerente já vem falar com vocês.

- Isso porque éramos convidados especiais... – Chirstian reclamou massageando um dos braços.

- A culpa é deles! Deveriam prever esse tipo de incidente – Santos voltou a assumir a postura séria e profissional – Mas fiquem calmos. Na pior das hipóteses ligo para um dos assessores do Pedro. Com o tanto de contatos que aquele homem tem, ele tira a gente daqui rapidinho...

- Acho que nesse momento o problema não é quem vai nos ajudar a sair, e sim como vamos fazer isso. Estamos literalmente sem saída. O único jeito de deixar a boate é encarando a pista de dança. O que, no momento, não me parece uma boa ideia – Ucker ponderou.

- Nossa, se vocês chegarem perto daquela pista mais uma vez é capaz de saírem de lá sem roupa. Nunca vi fãs tão focadas em agarrar e beijar alguém – O assessor disse em tom de brincadeira.

- Acho que é a volta do RBD. Isso mexe um pouco com o pessoal. Faz tempo que não somos vistos juntos em público juntos. Quanto mais confraternizando em uma balada... – Christian disse o seu ponto de vista.

- Bom, já que estamos aqui... Que tal mais uma rodada? – Ucker sugeriu escolhendo uma das garrafas de whisky da prateleira, tirando a tampa em seguida.

Era para ser apenas uma brincadeira, mas os amigos já estavam mais alegres do que deveriam, e por isso, muito suscetíveis a aceitar propostas malucas – Opa, demorou! – Poncho e Christian concordaram na mesma hora.

- Vão com calma aí, rapazes! Vocês já estão um pouquinho altos – Santos, o único que ainda estava sóbrio, aconselhou.

- Eu sugiro uma rodada de verdade ou desafio! – Christian disse pegando uma garrafa vazia que estava jogada em um canto e a colocou no centro da roda que haviam formado, mesmo sem perceber.

- Ai meu Deus, isso não vai certo... – O assessor bateu com a mão na testa.

- Beleza, bora lá... Vamos ver quem vai começar – Poncho se agachou para girar a garrafa. Após algumas voltas, o bico parou apontando para Ucker, enquanto o fundo estava direcionado para Christian.

- Opaaa... Agora vamos ver se o Uckerzinho é homem de verdade – Christian se empolgou com a possibilidade de desafiar o amigo – O que você escolhe, meu caro?

- Eu não tenho medo de você, cara. Pode mandar um desafio caprichado – Christopher respondeu de modo prepotente.

- Eu desafio você dançar a Macarena, sem camisa, e com direito a rebolada sexy no meio da coreografia – O rapaz ordenou – Porque você sabe, né Uckerzinho? Todos piram no seu rebolado. – Ele completou em tom zombeteiro.

O cantor aceitou o desafio de pronto. Rapidamente ele ficou de pé - pelo menos o mais rápido que conseguiu por causa da embriaguez - tirou a camisa de modo provocante e começou a fazer a coreografia de uma das danças mais famosas do mundo.

- Baila tu cuerpo con alegria Macarena... – Os outros rapazes ajudavam no coro batendo palmas e se divertindo muito. Ucker rebolava empolgado antes de dar um pulo, mudar de lado e repetir toda a coreografia novamente. Não demorou para que os parceiros de grupo se juntassem à bagunça, também tirando as camisas e caprichando na dança.

- Uhuuummm... – De repente alguém apareceu na porta – O que está acontecendo aqui?

O trio parou de pronto e encarou o responsável pela pergunta: um senhor baixinho, com cabelos e barbas grisalhas, bigode espesso e vestido em um terno com um belo corte.

- Está acontecendo a Macarena, ué! Nunca viu? – Ucker respondeu fazendo com que todos fossem obrigados a segurar o riso. O cantor não sabia o que estava acontecendo, mas naquela noite ele estava bem saidinho.

- Hum... Não ligue para eles, por favor. Estão apenas se divertindo. Com um pouco mais de empolgação que o normal, é verdade, mas quem pode julgá-los, não é mesmo? Todo mundo já dançou a Macarena uma vez na vida. – Santos interferiu na conversa – Mas e o senhor? Quem é?

- Sou o chefe da segurança. Fui encarregado de garantir que vocês deixem a boate de maneira discreta para evitar problemas – O cara do bigode respondeu.

- Peraí, deixar a boate? Isso quer dizer que estão nos expulsando? – Poncho fingiu estar ofendido.

- Nunca fui tão ofendido na minha vida! – Christian entrou no clima da farsa.

- O mínimo que eu espero é que, pelo menos, liberem uma garrafa de whisky antes de nos colarem no olho da rua – Foi a vez de Christopher falar.

- Olha rapazes, infelizmente vocês não podem permanecer na casa. Temos muitos fãs lá fora e seria perigoso para o bem-estar de todos.

- Poxa, mas justo agora que a coisa estava começando a ficar boa? – Christian lamentou.

- Certo, mas como vai fazer para que eles consigam sair em segurança? – Santos quis saber.

- Sugiro que vistam esses uniformes – Só aí eles perceberam que o senhor segurava um saco preto em uma das mãos.

- Uniformes? – Santos pegou o saco e o abriu. Lá de dentro saíram roupas usadas pelo pessoal da faxina. Eram jalecos, calças, botas e bonés, tudo em um tom de cinza chumbo desbotado e com manchas de material de limpeza.

- Peraí, moço! A gente tem dinheiro para pagar a conta! Não precisa fazer a gente lavar prato ou cuidar do banheiro – Ucker soltou mais uma pérola enquanto sentia o mundo rodar ao seu redor. A embriaguez fazia com que ele acreditasse que era engraçado.

- O plano é vocês fingirem que estão levando o lixo do bar para fora. Temos uma passagem mais reservada até a saída dos fundos. Com sorte, ninguém vai reconhecê-los – O segurança opinou.

- É um bom plano. Melhor do que chamar a atenção dos fãs... Vamos lá, chicos. Joguem as roupas de vocês no saco e vistam os uniformes. Enquanto vocês fazem a saída estratégica, vou pagar a conta e pedir para o motorista encontrá-los na saída dos fundos – Santos deu as ordens assumindo o papel de líder da missão – Por Díos, chega de Macarena por hoje, hein?

Dez minutos depois, os integrantes da banda já estavam disfarçados e segurando grandes sacos de lixo cheios de copos e garrafas de bebida. Com certeza, quem estava do lado de fora não entendeu nada quando viu três rapazes vestidos de faxineiros entrarem correndo em um carro carregando sacos de lixo e cantando Macarena sem parar.

- Esse é o tipo de história que vamos contar para os nossos netos. O dia que chegamos como os reis da balada e saímos como lixo, literalmente – Poncho brincou.

Do seu lugar da van, Ucker gargalhava. Fazia tanto tempo que não se sentia tão vivo daquela maneira. O envolvimento com a Dulce lhe trouxe muitos momentos bons, mas também trouxe muita tristeza. Era bom se sentir capaz de sorrir novamente, se sentir livre. Mesmo que fosse para fazer coisas idiotas...

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Notas finais: Mas gente, me diz como que pode acontecer tanta coisa num capítulo só? KKKK. Eu sei, isso é resultado das duas mentes muito criativas e frenéticas que escrevem essa fanfic! :P

Mas vamos analisar a evolução que vemos nesse capítulo. Como eu já havia dito, é uma FASE COMPLETAMENTE NOVA. Bem diferente de tudo que já vimos por aqui. Dulce se jogando literalmente para cima do nosso Ucker, enquanto o moço tenta de todas as formas evitá-la. Será que ele consegue por muito mais tempo? Sei não... E essa noitada dos garotos? Rendeu boas risadas né? Mas o que María vai pensar quando souber?

Respostas para essas e outras perguntas vocês conferem nos capítulos seguintes, amores!

Muito obrigada por lerem, e até a próxima!!

beijos, Sarah ;)

*** Leia o próximo capítulo: A vingança é um prato que se come frio


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Una Cancion, c

Notas iniciais: Oi amiiiiigos o/ 
Não se assustem, isso não é uma miragem! É mesmo um capítulo novo de Una Canción! E aos que pensaram que tínhamos sido abduzidas eu esclareço: apenas sofremos alguns contratempos que nos impediram de atualizar antes. 
Mas aqui estamos de volta e espero que gostem de mais esse capítulo que dá o pontapé inicial a uma fase completamente nova da fic ^^ 
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Ponto de vista de Dulce

Furiosa. Era assim que Dulce estava se sentindo enquanto se afastava a passos largos do camarim. Ela não sabia o que a havia irritado mais. O fato de ver Christopher e Linda se beijando ou a cara com que eles a olharam quando entrou interrompendo-os. Tinha sido uma cara de total espanto e constrangimento, como se ela tivesse pego os dois fazendo algo errado. Não, não era nem uma coisa nem outra. O que deixava Dul realmente furiosa era que eles, na verdade, não estavam fazendo nada de errado. E ela não tinha porque se sentir tão enganada daquela forma. Afinal, não havia nada entre ela e Ucker, e mesmo que houvesse, eles estavam brigados. Christopher era livre para fazer o que quisesse. Ainda assim, ela não conseguia deixar de sentir essa imensa raiva que a consumia. Tudo porque seus planos haviam ido por água abaixo. Achava que enfim poderia assumir o que sentia por ele e serem felizes para sempre. Mas agora se sentia boba e estúpida por ter pensado aquilo.

Só queria correr para bem longe deles. Queria sumir, encontrar um buraco bem fundo e se enfiar nele. Como poderia sobreviver se aquela montanha-russa de emoções continuasse acontecendo? Ela se sentia tão feliz há poucos minutos pelo show e por ter enfim se livrado de Luis Rodrigo. E agora parecia que só havia mágoa e ódio dentro dela. Quando estava quase alcançando a porta por onde todos deveriam sair do local do show para pegar a van e ir para o hotel, Dulce ouviu uma voz chamando-a e em seguida uma mão segurou seu braço. Ela soube quem era antes de se virar para encará-lo. Tentou manter a expressão séria e firme. Não queria demonstrar o que estava sentindo. Mas só de olhá-lo ela sentia que iria desabar.

- Dulce, espere. Preciso falar com você – ele estava ofegante. Devia ter corrido até ali para alcançá-la. A raiva de María era demais para ela sequer se perguntar o porquê.

- Já estou indo embora, Christopher, não pode deixar para depois? – desconversou ela como se não estivesse acontecendo nada de mais.

- Não, não posso deixar para depois – insistiu ele apreensivo – Escuta, aquilo que você viu, bem... Não é o que parece. Quer dizer, há uma explicação para aquilo, ok?!

- Certamente há uma explicação – respondeu Dul deixando o tom de voz subir. Ela estava começando a se exaltar e sabia que já não teria como voltar atrás – Uma explicação bem simples. Você não passa de um mulherengo como dizem por aí. Que fica com as companheiras de grupos, com as assessoras e sabe mais com quem!

- O que?! - perguntou ele estupefato com as acusações dela – Não é nada disso! Não sou nenhum mulherengo, não fico com várias assim. E você sabe muito bem disso!

- Se não é isso então o que é, Chris? Nós mal brigamos e você já está aos beijos com a Linda – questionou a ruiva quase aos berros – Realmente não achei que você fosse assim, me surpreendeu...

- Quer saber? A culpa de tudo isso é sua! - rebateu ele, também começando a se irritar - Foi você que não quis acreditar em mim, por isso nós brigamos! E você mesma disse, estávamos brigados então porque eu teria que te dar satisfação? Não deveria nem ter me dado ao trabalho de vir até aqui explicar nada!

- Tem toda razão – concordou ela ríspida. Seu coração estava acelerado e a raiva ameaçava encher seus olhos de lágrimas. Mas ela não podia se permitir começar a chorar naquele momento. Tinha que sair daquele impasse de cabeça erguida – Não tem que me explicar absolutamente nada! Afinal de contas, não estava acontecendo nada mesmo entre a gente, lembra? Bom, pelo menos parece que não significou nada...

O desapontamento e a mágoa, tão nítidos no olhar de Chris, quase fizeram Dulce perder a pose. Ela sentia que iria se desfazer em pedaços caso ficasse um segundo a mais perto dele. Então lhe deu as costas e atravessou a porta. Se obrigou a não pensar no que havia acabado de ocorrer. Se o fizesse, já sabia o que aconteceria. Se daria conta da tremenda burrada que fizera e saberia que havia estragado tudo, de novo.

Ponto de vista de Ucker

Má sorte, inferno astral, destinos cruzados... Enquanto voltava para o hotel Ucker tentava encontrar respostas para tudo o que havia acontecido nos últimos dois dias.

Não fazia muito tempo ele e Dul estavam vivendo em verdadeiro mar de rosas e agora tudo parecia um pesadelo. A briga com a ruiva, o beijo com a Linda, o flagra que a ex lhe deu no camarim... Ucker era capaz de jurar que havia alguém por trás disso tudo, algum tipo de conspiração que desejava separá-lo de Maria e lhe causar muitos problemas. Poderia ser até mesmo o noivo da garota, o tal de Rodrigo... Por que não?

Porém, ao fechar os olhos e encostar a cabeça no banco da van que levaria ele e todo o restante da banda de volta ao hotel, ele se obrigou a ser racional. Tudo aquilo era real e não existia conspiração alguma, e muito menos má sorte que pudesse explicar o ocorrido.

A única e absoluta verdade é que ele sabia que a história entre ele e Dul acabaria terminando daquele jeito. Desde o início, aquele romance proibido estava destinado a ter um final triste. Afinal, desde que começaram os ensaios para a banda a ruiva demonstrara que não confiava nele e que não estava disposta a mudar sua opinião.

Ela, inclusive, fizera de tudo para se afastar dele. Mas ele, muito teimoso, continuou insistindo, indo atrás e implorando que ela fosse solidária e lhe oferecesse pequenas doses do seu amor.

Agora, depois de tudo terminado, ele enxergava o quanto fora tolo. Mas era claro que aquilo nunca ia dar certo! Se ela quisesse mesmo ficar com ele, não ficaria fingindo que nada estava acontecendo enquanto eles se pegavam e beijavam às escondidas.

Ucker aceitara cegamente todas as condições da ruiva, fizera de tudo para ganhar o seu coração e confiança, para ser merecedor de seus mais nobres sentimentos e tudo que recebera em troca foi uma bela surra. Porque mesmo que Dul não tivesse sequer encostado um dedo nele, era assim que Christopher se sentia. Todas as acusações que a ex lhe jogara na cara, o acusando de inventar mentiras do noivo apenas para conquistá-la, chamá-lo de mulherengo e insinuar que ele não se importava com ela, já que fora flagrado aos beijos com Linda.

Era como se tivessem voltado aos tempos da caça às bruxas. Dulce julgara Christopher sem nem sequer ouvir o seu lado. Sem nem se preocupar em lhe oferecer uma chance de defesa. Enquanto ele estava sendo cauteloso e analisava o melhor momento de contar a ela sobre a traição de Rodrigo, Maria tomou suas próprias decisões sem parar para pensar nele por um segundo que fosse.

O cantor se obrigou a abrir os olhos para encarar o mundo de frente. Ele não sabia o que doía mais: a falta de confiança de Dulce ou as insinuações de que ele era um mulherengo insensível. Seu coração queimava com uma mistura de emoções que ameaçava dominá-lo: raiva, mágoa, tristeza, desilusão... Nem mesmo a apresentação perfeita que o grupo acabara de fazer conseguia fazer com que se sentisse melhor. Naquele momento, lhe parecia um tremendo insulto que o resto do mundo continuasse vivendo, que as pessoas continuassem tocando a sua vida quando tudo o que ele mais queria era gritar, despedaçar o amor que sentia pela Dulce em mil pedaços, acabar com aquele sentimento que o consumia por dentro, que roubava as suas forças e que o traía sempre o arrastando para perto dela.

Aquilo precisava acabar. Era hora de deixar o amor pela ruiva para trás. Era hora de encontrar novos caminhos, explorar novas possibilidades, de se concentrar mais em si mesmo e na sua carreira e, principalmente, encontrar novas formas de amor. Para ele, as velhas fórmulas já não funcionavam mais, ou talvez funcionassem apenas em cima do palco.

Christopher coçou a cabeça enquanto via as ruas da cidade passar pelas janelas da van. Talvez fosse realmente aquilo. Qualquer que fosse o sentimento que o ligava a Dulce, só existia debaixo dos holofotes e em frente ao público. Ali ele era real, plausível, invencível. Fora dali, no entanto, ele se tornava algo frágil, destinado a se quebrar diante dos problemas da vida real.

Talvez fosse um erro querer que um elo tão delicado sobrevivesse em um mundo tão complicado. Talvez a solução fosse, justamente, rompê-lo de vez.

***

Christopher não queria subir para o seu quarto. Sabia que ficar sozinho naquele cômodo não lhe ajudaria em nada naquele momento. A melhor atitude a se tomar era esfriar a cabeça, para só depois planejar os seus próximos passos com calma. Tinha tanta coisa ainda para pensar: a turnê de shows que começaria de verdade dali em diante, o clima péssimo entre ele e a Dul, a sua situação com a Linda...

O cantor seguiu até a área onde ficava a piscina e sentou-se na borda, arregaçando a borda da calça até a altura dos joelhos antes de mergulhar o pé na água. O clima estava agradável, o tipo de noite que pede uma volta ao ar livre ou um passeio com os amigos.

Ele pescou o celular no seu bolso e ficou fuçando o Instagram em busca de comentários das fãs sobre a primeira reapresentação do RBD. Encontrou várias fotos e vídeos. Ler os comentários dos fãs era algo que sempre preenchia a sua alma de alegria. Uma espécie de bálsamo capaz de curar qualquer mal. E claro, não poderia faltar a opinião das Vondy’s! Ucker riu ao ler uma garota afirmando que a chama entre ele e Maria não havia acabado. Ahhh, se ela soubesse toda a confusão que aconteceu antes do show… As fãs nem desconfiavam das brigas entre ele e Dul.

Estava tão distraído que nem percebeu quando um funcionário do hotel se aproximou e perguntou se ele desejava algo. Ucker pediu um mojito, um dos seus drinques prediletos. A bebida o ajudaria a relaxar.

Não demorou para que o garçom retornasse com seu pedido.

- Muchas gracias! – O cantor disse antes de desviar o olhar do seu celular e estender o braço para pegar a bebida. Quando percebeu quem estava trazendo o seu drinque, o rapaz congelou com a mão ainda no ar, suspensa.

Parada ao seu lado estava Linda, segurando dois copos, um em cada mão.

- Tá, não precisa fazer essa cara! Eu não mordo! – Ela se defendeu, esticando o braço em direção ao amigo para que ele pegasse a sua bebida.

- Linda, eu... – Ele começou a falar, mas parou no meio da frase porque não sabia como continuar. Tudo o que ele menos desejava era ter uma conversa com a assessora. O plano era deixar a poeira baixar e só pensar nas consequências daquela noite no dia seguinte com a cabeça e o corpo descansados.

- Eu já sei! Você vai falar que esse não é o melhor momento – Ela insistiu, ainda lhe oferecendo a bebida – Mas eu preciso que você saiba disso por mim – A morena fez uma pausa como se quisesse tomar coragem antes de continuar – Eu acabei de pedir para o pessoal do escritório antecipar as minhas férias. Um outro assessor já está a caminho para te acompanhar daqui em diante. Ele irá te encontrar na cidade onde acontecerá o próximo show.

Apesar de tentar manter a voz firme, Ucker percebeu pelo seu olhar que aquela não fora uma decisão fácil para a amiga. Ele só não conseguia entender o porquê dessa mudança tão repentina de comportamento. - Mas Linda... – Christopher tentou argumentar, mas estava chocado demais. A assessora o acompanhava em turnês e compromissos de trabalho desde que iniciara a carreira solo. Era difícil imaginar a sua vida profissional sem ela. E não era só nesse aspecto que ele sentiria a sua falta. Os anos de convivência fizeram com que os dois se tornassem amigos, companheiros. E agora ela estava tomando aquelas atitudes tão insensatas... Era difícil de compreender.

- Linda, o que diabos está acontecendo com você? – Ele perguntou por fim, quebrando o silêncio que se formou entre os dois e finalmente pegando o copo que a assessora estava oferecendo.

- Eu estou parecendo uma louca, né? – Ela soltou uma risada amarga.

- É, está! – Christopher se viu obrigado a concordar.

- Posso me sentar? – Ela apontou o lugar ao seu lado com a cabeça. Ucker assentiu e ofereceu-se para segurar o seu copo. Não demorou para que a assessora se posicionasse na beirada da piscina, imitando o gesto do companheiro e colocando o pé na água. Como estava de vestido, ela apenas subiu a barra até o joelho para que não molhasse.

- Acho que eu acabei me deixando levar por toda essa magia de RBD... – Ela confessou olhando para a água e dando um gole na sua bebida.

- Como assim?

- Quero dizer que antes eu ouvia todo mundo falar desse lance que acontecia entre você e a Dulce, esse amor, a troca de olhares, os gestos... Mas eu não acreditava. Quer dizer, eu sabia que isso era fruto de uma ação de marketing, que vocês encenavam um suposto relacionamento em frente aos fãs para vender o casal da novela e porque isso chamava mais atenção do público... Enfim, havia mil razões. Quando eu comecei a trabalhar na sua equipe, você mesmo me confirmou que era uma encenação e tudo mais. E sei lá, acho que eu sempre fui tão focada em trabalhar e em conquistar o meu espaço que acabei deixando esse lance de amor de lado. Nunca tinha me envolvido com ninguém de forma séria, acho que nunca vivi um amor de verdade... – A morena foi falando com a voz baixa, como se as palavras estivessem realmente saindo direto do seu coração.

- Realmente, Lin. Desde que nos conhecemos eu nunca te vi com ninguém. Sempre estivemos na estrada, longe da família e dos amigos... – Ucker relembrou.

- Pois é... E aí, quando eu vi o jeito que você olha para a Dulce, a forma como fala dela, todas as loucuras que é capaz de fazer em nome do que sente. É incrível como o seu olho brilha quando ela se aproxima... E hoje, naquele palco, vocês dois juntos... Eu já tinha visto vocês cantando, mas hoje foi diferente, foi muito mais intenso. Foi tão perfeito que o meu coração bateu mais forte – Ela respirou fundo antes de tomar coragem para olhar para Ucker nos olhos – O que eu quero dizer é que dá para perceber que é real. E acho que todo mulher sonha em ser amada dessa maneira. Em viver algo que é tão forte que nem o tempo, ou fato dela ter um noivo, nem nada nesse mundo é capaz de destruir. E eu meio que me deixei levar por esse sentimento, eu queria ser a Dulce, entende? Eu queria estar no lugar dela, queria receber esse amor.

- Poxa Linda, acho que eu nunca vi esse seu lado. Estou tão acostumado com a Linda brincalhona, amiga e descolada que esqueci que você também é uma mulher, e no fundo todas querem ser amadas – Christopher comentou, pegando a mão da amiga e a segurando.

- É exatamente isso! Eu nunca liguei para essas coisas, mas acho que esse instinto feminino tem falado mais alto nesses últimos tempos. Eu assumo, fiquei com inveja – Ela riu da sua própria sinceridade – Eu acompanhei tudo o que você fez para reconquistá-la desde que voltou para a banda e comecei a achar a sua atitude muito bacana, você se comporta como todo cara deveria se comportar em relação a uma mulher.

- Devo considerar isso um elogio? – Ele colocou a mão no peito, fingindo se sentir orgulhoso.
- Até pode ser, se não levarmos em consideração que você demora um pouco para tomar atitudes, né? Eu tive que dar vários empurrões para que vocês ficassem juntos – Ela zombou enquanto o amigo fazia cara feia, em protesto.

- Mas Ucker, o principal é o seguinte: Tudo isso serviu para me mostrar que está na hora de cuidar um pouco mais de mim, da minha vida pessoal, dos meus amores. Acho que eu me envolvi tanto com a sua carreira e me tornei tão sua amiga que acabei me apossando dos seus problemas também. Quando vi que a Dul não estava te dando valor, que não acreditou em você sobre o lance da traição, eu não sei explicar, mas de todas as formas eu queria te mostrar que você é mais do que isso. Acho que eu queria dar o destino certo para esse amor que você sente. Seria certo se eu realmente sentisse algo por você, mas não é esse o caso. Acho que é mais carência, misturada com um carinho grande entre amigos.

- E o fato de que você não resiste ao meu charme, claro! – Ele brincou para quebrar o clima pesado.
- Aff Ucker, faz anos que te vejo rebolar. Se não caí nos seus encantos até agora, acho que é porque desse mal eu não morrerei! – Ela rebateu em tom ácido - Mas é isso... Eu queria te pedir desculpas por toda a confusão que te fiz passar. Eu meti os pés pelas mãos...

- Tudo bem, Lin. Eu entendo. Acho que todo mundo passa por isso um dia – Ele assentiu – Mas vou ficar chateado sem você por perto. Te considero uma amiga de verdade.

- Ahh, mas que menino mais fofo! – Linda apertou as bochechas de Ucker em forma de deboche – Não chore, Uckerzito. Boatos que a nova assessora é bem bonita!

- Não, não! Estou fora de confusão, por favor! Acho que até prefiro que seja um homem – Ele se apressou em opinar.

- Está traumatizado depois do que a Dulce fez?

- Sim, estou. Quero ficar na minha, focar na turnê, aproveitar esse momento. Chega de correr atrás de quem não me dá valor! – Ele confessou.

- Uaaau, não acredito que vivi para ouvir isso! É assim que se fala, Uckerzinho! Chega de rastejar pela Maria. Dignidade! – A morena provocou.

- Vou seguir o seu conselho, Lin. Terei muita dignidade daqui em diante.

- É o melhor que você faz. Às vezes, a gente precisa abrir mão de certas coisas na vida. Não porque elas não são boas, mas simplesmente porque não são para a gente.

- Nossa Lin, filosofou agora, hein? – Foi a vez de Ucker provocar.

- Sim, e é com esse momento de sabedoria que eu me despeço por hoje – Ela ficou de pé de repente, deixando o seu copo, agora vazio, na beira da piscina – Vou embora amanhã de noite, depois que vocês embarcarem para o próximo show. Então passe no meu quarto para se despedir, combinado? Prometo não te agarrar, nem nada do tipo. Estou sobre controle agora.

- Combinado! – Ele disse rindo do comentário.

- Sendo assim, buenas noches! E vê se dorme um pouco! – Ela mandou um beijo em sua direção e se virou, seguindo em direção ao saguão.

- Linda – Ucker chamou. Ela parou e virou em sua direção, o encarando com uma expressão surpresa – Só quero que você saiba que você é uma mulher maravilhosa. Não só de beleza, mas em caráter. E tenho certeza que você vai encontrar alguém que saiba valorizar tudo isso, alguém disposto a te fazer feliz. Você ainda será muito amada, Linda. Porque é isso que você merece...

Christopher ouviu ela murmurar um “gracias” baixinho antes de voltar a seguir para o carro. Era a primeira vez que ele via a morena chorando. E de repente se deu conta de que a Linda poderia ser uma ótima companheira. Em outras circunstâncias, talvez pudesse ter dado certo. Mas não agora. Naquele momento, ele só queria paz para o seu coração.

Ponto de vista de Dulce

Dulce se arrependeu de tudo que disse a Christopher assim que voltou para a hotel na noite anterior. E naquela manhã em que eles deixavam o local, rumo ao aeroporto para sua primeira viagem da Turnê do Reencontro, ela simplesmente não sabia como agir. Nem na frente dos companheiros de grupo, muito menos na frente de Ucker. Nem mesmo na frente de seus assessores. Mas os seus quase 30 anos de carreira haviam lhe ensinado a lidar com aquele tipo de situação. Esconder as emoções, ser profissional, encarar a rotina massante de shows e entrevistas que estava por vir. Tudo isso sem que ninguém se desse conta da bagunça que existia dentro dela.

Sem ânimo algum para se arrumar naquela manhã, Dulce apelou para o look clássico boné mais óculos escuros. Não queria que ninguém visse seu cabelo desarrumado e suas olheiras, muito menos que viessem perguntar se estava bem. Pegou o elevador com Iliana e algumas outras pessoas de sua equipe que já sabiam reconhecer o humor da ruiva, portanto não perguntaram nada. Sequer conversaram entre si. Quando alcançaram o saguão de entrada, vários dos companheiros de grupo já estavam ali esperando. Dulce logo percebeu que havia sido quase a última a chegar. Só faltava Pedro Damian e Alfonso. Pelos comentários que ela ouviu depois de cumprimentar a todos com um aceno, Poncho estava com algum problema para fazer o check-out. Aquela enrolação para saírem era péssima para os planos de Dul. Christopher estava a apenas alguns passos dela e seus olhos insistiam em ser atraídos para ele.

Os óculos de sol ajudavam-na a espiá-lo sem que percebesse. Dulce não pode deixar de notar um fato muito importante. Linda não estava com Chris. Nem perto dele e nem em lugar nenhum na recepção do hotel. Ela sabia porque fez questão de varrer o local inteiro com olhos logo que deu pela falta da assessora. Aquilo era muito estranho. Christopher não ia a lugar nenhum sem Linda. E depois que María viu os dois se beijando, achava que não iam se desgrudar mais para absolutamente nada. Não fazia o menor sentido que ela não estivesse ali com suas malas, pronta para embarcar com o RBD na turnê. Pedro e Poncho já estavam chegando e sairíam no máximo em 5 minutos. Era um dos momentos mais importantes no retorno da banda, não era possível que ela não iria viajar com eles. A curiosidade era tanta que Dulce resolveu ir até Ucker perguntar. Mesmo que aquilo fosse muito inapropriado para o momento que os dois estavam vivendo.

- E a sua assessora? - disse ao se aproximar do companheiro de grupo, como quem não quer nada – Está atrasada ou já foi na frente?

- Ela não vem com a gente. Vai ficar aqui na capital – respondeu Christopher seco, sem dar maiores explicações.

- Hmmmm – murmurou Dulce levantando as sobrancelhas, sem coragem para perguntar mais nada.

A frieza dele havia acabado com suas estruturas. Já não bastava ela estar se sentindo um lixo pela forma como falara com ele no dia anterior, agora, depois dessas poucas palavras, percebeu que Chris não queria papo com ela. Pior do que isso, estava mais do que claro que ele a odiava. Com certeza a odiava muito! Tinha motivos suficientes para isso. Por mais que tivesse doído ver ele beijando outra, nada justificava a forma como ela agira. Acusando-o e dizendo que o que havia entre eles não tinha sido nada. Por que deixara a raiva tomar conta dela dessa forma? Por que, quando se tratava de Christopher, tudo tinha que ser tão complicado? Ela sentiu um nó na garganta e os olhos marejados, mas se esforçou para não deixar nenhuma lágrima cair. Os óculos de sol não poderiam escondê-las, se escorressem por seu rosto.

Quando saíram pela porta da frente do hotel, havia um paredão formado por seguranças cercando a van onde eles deveriam entrar. Muitos fãs ainda estavam ali esperando a saída do grupo. Dul sabia que vários deles provavelmente passaram a noite acampados na rua só para poder ter uma chance de ver seus ídolos de perto ao menos por alguns segundos. Mesmo depois de tanto tempo, ela ainda se impressionava com o que os fãs eram capazes de fazer por eles. Tudo em nome desse amor incondicional que tinham pelo RBD. Por isso que, mesmo estando no seu pior humor, Dulce fez questão de abrir um sorriso e acenar para eles. Não chegou perto para dar autógrafos nem tirar fotos por que a produção já informara que não havia tempo para isso. Ela aproveitou a pressa geral para ir na frente e entrar primeiro no carro. Queria pegar um assento bem no fundo, onde poderia ficar sossegada e sofrer em paz.

Os companheiros de grupo e Pedro entraram logo depois ocupando os bancos do meio e da frente. Claro, porque ninguém além dela parecia querer ficar sozinho e isolado do resto do grupo, sem ter como interagir com ninguém. Para Dul, no entanto, aquela posição era perfeita no momento. Colocou os fones de ouvido do seu iPhone e apoiou a cabeça no encosto do banco. Tirou os óculos de sol para poder olhar melhor pela janela. Fazia um lindo dia lá fora, mas em seu interior a ruiva sentia que caia um temporal. A música que ouvia e a bela paisagem logo conseguiram distraí-la. Tanto que Dulce nem se deu conta que Anahí tinha vindo e sentado ao seu lado até que ela cutucou seu ombro.

- Caray Any, que susto! - exclamou Dulce María sobressaltada – Quase me mata do coração, mulher! - reclamou colocando a mão sobre o peito, mas depois soltando uma risada.

- Desculpa, Dulcezito – pediu a loira com seus olhos de cachorro sem dono – Percebi que você estava no mundo da lua, mas não achei que fosse tanto.

- Pois é, eu acho que me transporto para outra dimensão quando coloco os fones – sorriu Dul, sem graça, torcendo para que a amiga não tenho detectado seu estado de espírito como sempre faz, e que tenha vindo apenas puxar assunto.

- Tem certeza que foi só isso mesmo? - perguntou ela semicerrando os olhos. María desviou o olhar já sabendo que estava perdida – De longe percebi que você não está bem. Me conta vai, o que aconteceu? Não me disse nada desde aquela conversa que tivemos lá em casa que você me contou do Christopher, do seu noivo e tal...

- Não aconteceu nada... – mas a voz chorosa da ruiva a traiu.

E sob o olhar insistente de Anahí, ela não pode fazer nada além de confessar a verdade. Sabia que no fundo seria bom desabafar e ainda contar com o apoio da amiga que nunca falhava. Deu uma olhada para o resto do pessoal que estava entretido em uma conversa alta e animada, percebendo que ninguém a escutaria além de Any. Então deixou que tudo saísse como uma enxurrada de palavras. Contou tudo nos mínimos detalhes. Desde o momento em que descobriu que Rodrigo estava realmente a traindo, passando pelo término do noivado e até o momento em que ela vira Ucker e Linda se beijando depois do show. Nessa parte a loira arregalou os olhos e não escondeu o quanto ficou chocada com a notícia. Ela, assim como Dul, jamais imaginava que isso pudesse ocorrer. Dulce terminou falando de como eles brigaram de novo antes de voltarem pra o hotel, ressaltando o fato de que a assessora de Chris não iria viajar junto com o RBD na turnê.

- Não tinha reparado que Linda não tinha vindo – comentou Any – Bom, pelo menos isso é um bom sinal, certo?

- Não sei – respondeu Dulce desanimada – Sinceramente não sei o que isso significa. Mas uma coisa é certa: ele não está mais nem aí pra mim...

- Não diga isso, Dul – Anahí a consolou, passando a mão no braço da amiga – Olha, eu acho que o que ele sente por você não é algo que vai embora assim do nada. E vocês passaram por muita coisa, é normal que essa “distância” aconteça. Você estava confusa antes, e agora acho que é ele que está.

- Bom, então o que acha que eu devo fazer?

- Eu acho que primeiro você não deve desistir dele. Não agora que por fim se decidiu e sabe que quer ficar com ele. Mas também acho que, pelo menos por enquanto, o melhor a fazer é dar tempo ao tempo. Tente relaxar e não pensar sobre isso agora. Aproveite os shows, eles vão te fazer bem. Deixe as coisas esfriarem e os ânimos se acalmarem. Depois, quando essa depressão toda passar, você vê como vai fazer para fisgar o moço de novo.

- Você tem razão, Any, como sempre – disse María com uma risada fraca – Vou tentar esquecer dessa história por enquanto e tentar arrumar as coisas em mim. Do jeito que eu estou, não conseguiria fisgar nenhuma sardinha mesmo...

- Ai Dul, não exagera, você sabe que mesmo deprimida ainda é cheia de encantos – enfatizou a loira com um sorriso. Dul sorriu em resposta – E quando estiver pronta, eu estarei aqui, como sempre, para ajudar vocês a ficarem juntos. Sabe que torço por isso mais do que ninguém, não é?

- Sei sim. Obrigada... por tudo! - completou Dulce antes de abraçar a amiga.

Depois daquela conversa Anahí voltou a se sentar em um dos bancos da frente deixando Dulce sozinha novamente. A loira, apesar de ter esse jeito um pouco intrometida na vida dos amigos, sabia identificar o momento de sair de cena. Falar com a amiga tinha sido ótimo, mas Dul estava mais precisando ficar sozinha com seus pensamentos. Sabia que Any estava certa, que ela tinha que parar de pensar no assunto, deixar as coisas se assentarem primeiro. Mas ainda era cedo demais para ela conseguir simplesmente não pensar em Christopher e em tudo o que havia acontecido com eles nos últimos dias. Nem descer da van para entrar no aeroporto, despachar a bagagem e embarcar no avião foi distração suficiente para que Dulce deixasse o assunto de lado. Assim que se sentou na poltrona e apertou o cinto para a decolagem, voltou a pensar nele, que estava algumas fileiras atrás juntos com os outros garotos do grupo.

A cantora passou a viagem toda tentando descobrir em que momento exatamente as coisas tinham saído tanto de seu controle. E porque ela tinha demorado tanto para perceber que tudo o que queria era ficar com Ucker. Por que se negou tanto a aceitar esse fato? Não podia ser só o fato de que estava noiva. Sabia que tinha algo mais. Pensou mais um pouco e então se lembrou, novamente, como tudo havia terminado entre ela e Chris quando o RBD se separou em 2008. A insegurança que sentiu naquela época permaneceu com ela até alguns dias atrás. Apesar de aparentemente não conseguir controlar sua forte atração pelo garoto, permanecia sempre com um pé atrás. Era mais fácil pensar que tudo não passava de um “fogo de palha” do que admitir que seu coração ainda batia forte por ele. Era mais fácil fingir que nada estava acontecendo do que assumir que continuava amando-o tanto quanto ou mais do que naquela época em que ficaram juntos pela primeira vez.

O destino era mesmo muito traiçoeiro. Afinal ela tinha mesmo que passar por todas essas armadilhas para enfim se dar conta do que realmente queria? Parece que sim. Odiava-se por ser tão cabeça dura, tão insegura, tão imatura sentimentalmente. Mas agora não adiantava ficar reclamando para si mesmo. Levara as bofetadas que tinha que levar e agora tinha aprendido a lição. Não deixaria que nada mais ficasse entre ela e o seu verdadeiro amor. E faria o que fosse para recuperá-lo. Ainda não sabia como, mas estava decidida. Só precisava seguir o sábio conselho de Anahí primeiro. Esperar a poeira baixar. Só esperava que eu não fosse tarde demais quando resolvesse enfim lutar por Christopher.

Ponto de vista de Ucker

Eles acabaram chegando pouco tempo antes do show, o que gerou aquela correria! Entrevistas, atender fãs, escolher figurino, aquecer a voz, cuidar da maquiagem.

Quando Ucker se deu conta, já estava praticamente na hora de subir ao palco. Todos os outros integrantes já haviam deixado o camarim. Apenas ele e Anahí ainda estavam por ali, acertando os últimos detalhes do visual.

- Ai Uckerzito, fiquei falando com mi chica no celular e acabei perdendo a hora. Olha que horror está o meu cabelo! Como vou subir ao palco desse jeito? – A loira dramatizou fazendo caras e bocas em frente ao espelho.

- Está linda como sempre, Any! Só ajeite esse fiozinho rebelde aqui – Ele se aproximou para arrumar uma mecha que havia escapado do lugar – Deve ser difícil para você ficar longe da sua filha, né?

- Nossa, nem me fale! Eu a vi ontem e hoje já estou morrendo de saudade... – Ela queixou-se fazendo os últimos retoques na maquiagem – Mas não tem jeito, né? Eu sabia que quando a turnê começasse ia ser desse jeito. Agora é aguentar a distância da minha filhota e do maridão. Mas parece que a nossa agenda de viagens e compromissos já fez a sua primeira vítima...

- Como assim?

- A Dulcezita, tadinha... Rompeu o noivado! – Anahí comentou com a voz preocupada – Ela estava tristinha hoje no caminho para cá, não percebeu?

- Christopher, Anahí, faltam dez minutos! E o pessoal está esperando por vocês para fazer a oração – Um dos rapazes da produção veio apressá-los.

- Nossa! Vem, Uckerzito! Estamos mais do que atrasados! – A loira puxou o seu braço e saiu em disparada pelo backstage, os saltos batendo contra o piso e fazendo um barulho estridente.

O cantor apenas a seguiu, balançando a cabeça e pensando que a vida era realmente surpreendente: justamente agora que ele decidira desistir de Dulce, a ruiva ficava solteira. Definitivamente, o destino gostava de brincar com Christopher.

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Notas finais: É minha gente, e não é que o Munda dá voltas mesmo?! 
Quem iria imaginar que o Christopher um dia iria desencanar da Dulce? Ou que a Dulce iria ficar tão perdida sem saber o que fazer para recuperar o amor dele de volta? 
Já deu pra sacar que daqui pra frente vai rolar uma 'inversão de papéis' né? 
Bom mas é melhor eu não falar mais nada pra não entregar o jogo... Aguardem o próximo capítulo ;)


beeeeijos e obrigada por lerem!!

Sarah

Leia o próximo capítulo: Entre Amigos

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Una Cancion, Capítulo 17 - O show tem que continuar

Ponto de vista de Ucker

Ucker acordou assustado com o despertador tocando. A cortina estava entreaberta, e a luz da manhã iluminava o quarto. Ele checou a hora: onze e meia da manhã. Respirou aliviado. Não estava atrasado. O tempo seria curto, mas ele conseguiria tomar um banho, fazer o desjejum e se apresentar junto da produção a tempo. Aquele era o grande dia! O RBD estaria de volta, a magia voltaria a acontecer!

Animado por esse pensamento, ele levantou, determinado a tomar um banho. Porém, parou ao dar o primeiro passo. Algo estava muito errado. Para começar, porque ele estava dormindo no sofá? E quem era aquela deitada na sua cama?

Tenso, ele se aproximou para ver melhor. Por um segundo ele se animou, mas logo o seu estômago voltou a afundar. Não eram fios ruivos e sim castanhos.

Foi aí que ele se lembrou. A briga com a Dulce, a dor, a conversa com a Linda, a ida para a boate, os beijos...

“Carajo Ucker, o que você fez?”, foi o que ele pensou, levando as mãos à cabeça e puxando os cabelos. O desespero tomou conta dele. E agora? Ele havia conseguido complicar o que já estava muito complicado.

Ele ficou paralisado, encarando a cena, abrindo e fechando os olhos como se ao fazer aquilo ele fosse acordar de um sonho ruim e tudo ia ficar bem.

Como se sentisse o desespero do amigo, Linda abriu os olhos. Ao ver a expressão do rapaz, ela se sentou na cama e puxou os cabelos para o lado.

- Linda, eu... – Ucker começou a falar mas calou-se. Nada do que ele dissesse poderia consertar aquela situação.

- Relaxa, Ucker. Falamos sobre isso depois do show, combinado? Agora eu vou para o meu quarto me arrumar – Ela avisou, dando o assunto por encerrado.

O cantor apenas assentiu, aliviado. Dessa forma ele ganharia tempo para pensar em algo. Agora o jeito era focar na estreia da turnê. E que Deus o ajudasse naquela conversa com a Linda depois...

***

O dia foi aquela correria. Entrevistas, últimas instruções da equipe, acertos finais com os integrantes da banda. Mesmo com todo o nervosismo e ansiedade, Ucker estava muito feliz. Ao longo de todos aqueles anos ele continuou fazendo shows solo, mas voltar aos palcos com os companheiros de RBD era sempre uma energia especial e inexplicável.

A única coisa que destoava do clima de alegria era a sua relação com Dulce. A ruiva estava estranha, ausente, não parecia ligada aos acontecimentos. Quando seus olhares se cruzaram, Christopher não conseguiu ver a determinação, foco e alegria, sempre presentes na cantora. Seus olhos estavam sem brilho, confusos.

Os pensamentos de Ucker também estavam uma loucura, mas ele estava conseguindo segurar a barra. Ele se perguntava se a reação de Dul ainda era reflexo dos acontecimentos do dia anterior ou algo mais teria acontecido?

Ele reprimiu o desejo de procurá-la para conversar. As acusações que ela lançara contra ele da última vez que conversaram ainda doía no seu coração. Não era justo que ela se recusasse a acreditar nele, que nem mesmo cogitasse a hipótese de investigar melhor a informação. Com aquela atitude ela demonstrava que não confiava nem um pouco nele, e se pensava daquela maneira, não havia como seguirem juntos.

O garoto voltou a focar na sua preparação para o show, terminando de arrumar o seu cabelo. Ele já tinha problemas suficientes para resolver com a Linda depois da apresentação. Não precisava, e não queria mais, se envolver nos problemas da ex. Para isso ela tinha o Rodrigo. E se ela preferia o noivo, eles que se resolvessem.

- Chicos, chicos, por favor, venham até aqui – Pedro Damian entrou no camarim onde todos estavam terminando de se arrumar ou maquiar. Rapidamente o grupo se reuniu ao redor do produtor.

- Enfim a grande noite chegou – Pedro começou a falar no maior clima de discurso - E vocês não sabem a alegria que sinto quando vejo todos vocês aqui, juntos novamente. Eu tive a honra de participar da carreira de todos aqui e sei o quanto são comprometidos com o que fazem e o quão talentosos são. Hoje, quando vejo as pessoas que se tornaram, o quanto cresceram pessoal e profissionalmente, tudo o que alcançaram... Nada poderia me deixar mais orgulhoso. E sinto isso porque, para mim, cada um é como um filho, e essa turnê é como uma grande reunião de família. Portanto, gostaria de pedir que vocês aproveitem a noite e cantem, dancem e encantem como só esse grupo junto é capaz de fazer. O RBD não é um sucesso só pelas músicas, ou coreografias. É um sucesso porque juntos vocês fazem a mágica acontecer. Então... apenas façam a mágica de vocês, ok? – Ele encerrou, visivelmente emocionado. Em seguida ele abraçou cada um dos integrantes, desejou sorte e avisou que era hora de subir ao backstage. O show começaria em 20 minutos.

As palavras do produtor tocaram Ucker e todos os outros companheiros de banda. Foram muitos anos na estrada e ele havia dividido muitas experiências com cada um dos companheiros de grupo.

- É isso aí, pessoal! Hoje vamos cantar pelos velhos e bons tempos, e para recordar toda a energia positiva, amor e alegria que já recebemos de cada um dos nossos fãs. Que essa turnê seja um presente para cada um de nós. Uma forma de celebrar a vida e todas as coisas boas que já recebemos. E também para que o espírito rebelde nunca morra dentro de nós! Que nunca nos falte sonhos, determinação e coragem para lutar pelo que queremos! Que seja a primeira de várias noites de amizade, celebração e amor! – Christian aproveitou o clima para falar algumas palavras de incentivo. Todos no camarim o aplaudiram e todos trocaram abraços carinhosos, desejando um bom show e combinando que essa turnê devia ter o melhor astral possível.

- Uckerzito, seu lindo, vem cá! – Anahí o apertou em seus braços – Obrigada por todos esses anos de amizade e companheirismo. Subir ao palco mais uma vez ao seu lado é um grande prazer para mim! – Ela sorriu afagando seus cabelos.

- Minha loira, o prazer é todo meu em te ver retornando aos palcos com a sua alegria e espontaneidade. Todos nós estávamos com saudades! – Ele deu um beijo na sua bochecha antes de se soltarem.

A próxima da “fila” era Dulce. A ruiva estava muito sem graça, mas mesmo assim foi até Ucker e o abraçou. No início os dois apenas ficaram parados, sem saber o que fazer, parecendo dois robôs. Mas ele acabou não resistindo e a puxou para junto de si, a apertando forte contra o peito. Em resposta, ela apoiou a cabeça em seu ombro e também estreitou o laço entre eles. Nada foi dito e o momento durou apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para fazer o coração de Ucker disparar. A ruiva soltou-se e ficou parada na sua frente, o encarando até que ele desviasse o olhar. Antes que vacilasse, Christopher deixou o camarim e subiu para o backstage. A discussão entre eles ainda estava viva em sua memória, e por mais que amasse Dul, ele não poderia permitir que ela fizesse o que quisesse dele. Como diria a Linda, era preciso ter dignidade.

Foi só falar na assessora para que ela aparecesse. Os dois haviam mantido uma certa distância ao longo do dia e conseguiram driblar bem o desconforto que ele sentia em relação à ela desde aquela manhã.

- Venho em missão de paz – Ela deu um sorriso acanhado – Na verdade, em missão de trabalho e de paz. Trabalho porque preciso te lembrar que não deve ficar perto da Dulce durante o show, com exceção da música Este Corazón, a única que vocês cantam juntos. Sei que, se considerarmos os últimos acontecimentos, você realmente não vai querer ficar perto dela, mas... é minha função lembrá-lo – A morena deu de ombros, como se pedisse desculpas – E a parte da missão de paz... só queria te desejar um bom show. Faça as novinhas pirarem com o seu rebolado, combinado? – A assessora piscou para ele em tom de brincadeira.

- Fica tranquila, Lin! Você sabe que eu sou pura sedução, né? – Ele zoou, arrependendo-se imediatamente do que acabara de falar. Será que ela interpretaria mal aquela frase?

- Ai Ucker, relaxa! – Ela caiu na risada ao ver a sua expressão de susto – Enfim, boa sorte! – Deu um abraço apertado no amigo e um beijo no seu rosto – Estarei vendo o show do backstage se precisar de qualquer coisa – Avisou, antes de se virar para juntar-se aos outros assessores.

O cantor continuou a sua caminhada até o backstage solitário. Aquele era o momento de se concentrar na apresentação, de orar pedindo proteção e repassar mentalmente a set list. O corredor era estreito estava cheio de fios, equipamentos de iluminação e som e membros da equipe técnica correndo de um lado para o outro. O clima era de expectativa. Em algum lugar ao longe ele escutava o público gritando.

A ansiedade foi tomando conta dele, o coração foi batendo mais forte, a boca secou... Ele chegou até o ponto de onde o show começaria: uma plataforma que os levaria até a altura do palco. Quase todos os integrantes já estavam ali, só faltavam Dulce e Maite. Dava para ver na expressão de cada um que não era só ele que se sentia nervoso.

O pessoal da produção chegou para ajeitar os microfones e o retorno. Faltava menos de 15 minutos. O barulho do público lá fora aumentou, e coração de Christopher bateu ainda mais forte.

As outras meninas chegaram, e depois de passar pelo “check up” da produção, Anahí chamou a todos do grupo para uma oração. Eles se uniram abraçados em um círculo, ele sendo obrigado a ficar ao lado da ruiva, o que deixou os dois desconfortáveis. A loira conduziu a reza, pedindo o de sempre: proteção, e que o show ocorresse sem problemas. Desde uma tragédia que acontecera no Brasil quando três fãs acabaram morrendo, aquele se tornara um ritual do grupo. Além disso, a iniciativa também foi boa. É bom sentir que algumas coisas nunca mudam, mesmo depois de tanto tempo - É isso aí, RBD! Vamos fazer a mágica acontecer! – Ela gritou assim que terminou. Todos eles uniram as mãos no centro e as ergueram para o ar, como uma espécie de grito de guerra.

- Chicos, para os seus lugares! Falta um minuto para o show começar! – Um dos membros da produção os alertou.

Todos eles voltaram para a posição anterior. No total, eram seis plataformas redondas, posicionadas uma ao lado da outra, separadas por cinco metros de distância, aproximadamente.

Coincidentemente ou não, Dul ficou ao lado de Christopher. Ela batia um dos pés no chão e olhava fixamente para um ponto a sua frente. Christopher riu. Era sempre daquele jeito: Dulce focada e séria e ele descontraído e tranquilo. Era incrível que se dessem tão bem mesmo sendo tão diferentes.

- Dez, nove, oito... – O rapaz da produção iniciou a contagem. Christian bateu as mãos uma nas outras, Anahí deu um grito alto para extravasar a energia, Maite fez o sinal da cruz.

A plataforma começou a subir. O barulho do público foi ficando cada vez mais alto, as luzes tomando conta do seu canto de visão até que finalmente aconteceu. O RBD estava de volta ao seu público.

*** Link da música – http://youtu.be/Ki5fnkZ1uAk 

A escolhida para a abertura foi a música Rebelde. Assim que Anahí começou a cantar a primeira estrofe logo depois da abertura o público foi ao delírio. O momento foi tão marcante que Ucker ficou arrepiado. A magia estava acontecendo de forma tão intensa que era possível senti-la, tocá-la... Foi quase como se o tempo não tivesse passado. Aquele momento com certeza iria ficar marcado na sua vida.

“Y soy rebelde
Cuando no sigo a los demás
y soy rebelde
Cuando te quiero hasta rabiar
Y soy rebelde
Cuando no pienso igual que ayer
Y soy rebelde
Cuando me juego hasta la piel
Si soy rebelde
Es que quizás nadie me conoce bien”

O grupo cantou o refrão acompanhado pelo público. Por mais que tentasse conter a emoção, lágrimas escaparam dos olhos de Ucker. Era incrível ver que todos os fãs do RBD haviam crescido e mesmo assim estavam ali, acompanhando o retorno do grupo.  Em meio aos mais antigos, crianças e adolescentes que possivelmente começaram a gostar da banda mesmo depois que o sexteto se desfez. Era isso que dava poder àquelas seis pessoas em cima do palco: o amor dos fãs pelo grupo. Era aquilo que fazia a magia acontecer verdadeiramente, e o tempo nunca poderia mudar isso.

***

O show seguiu seu ritmo, mantendo a energia e o astral lá em cima. Ucker andava de um lado para o outro do palco, interagia com o grupo, plateia, banda... tudo para fugir de perto da Dulce. Mas mesmo com tanto esforço, não tinha jeito. Quando os dois se cruzavam, sorriam um para o outro, dançavam juntos, faziam gestos... Era difícil fugir da presença dela. Era como se algo sempre atraísse um para o outro. Quando ele se dava conta, já estava perto dela. Como se fosse dependente da força, determinação e confiança de Dulce. Por mais que fosse uma pessoa confiante e acostumada com os holofotes, a ex sempre teve aquele estranho poder sobre ele: o de fazê-lo sentir-se ainda melhor, especial. Perto dela era como se fosse capaz de conquistar o mundo. E Chris sabia que ela também se sentia da mesma forma perto dele.

*** Link para música - http://youtu.be/Pc_sW4iwR5E 

Enfim o tão esperado momento chegou. Era a hora de “Este Corazón”. Um frio percorreu a espinha de Christopher e fez seu coração pular dentro do peito. Como uma simples canção poderia significar tanto?

A introdução começou a tocar e imediatamente Ucker procurou Dulce com os seus olhos. Assim que a encontrou do outro lado do palco, foi caminhando em sua direção, sem desviar o olhar. Ele cantou o primeiro verso ao mesmo tempo que parava diante da ruiva, os rostos tão próximos que ele podia sentir a sua respiração. Ele esperou pelo momento que ela fosse afastá-lo, mas isso não aconteceu. Maria sustentou o seu olhar, e cantou a sua parte com a mesma doçura de sempre, enquanto deslizava uma das mãos pelo seu braço. Sem conseguir se conter, ele pousou a sua própria na cintura da ruiva de forma delicada, mas precisa. Os gritos das meninas na beira do palco era ensurdecedor. Uma delas gritou “Vondy não acabou”, o que fez Dulce abrir meio sorriso.

Anahí assumiu a segunda estrofe, e mesmo querendo se distanciar da ruiva, Ucker não conseguiu mexer o seu corpo. Eles continuaram olhando um para o outro, a mão dele ainda na cintura dela, as respirações de ambos descompassada. Por um momento foi como se o tempo tivesse parado. Parecia que havia só os dois ali e nada mais importava: assessores, empresários, a Linda, o Rodrigo, a multidão que os cercava... Christopher conseguia ouvir o seu coração batendo e ele seria capaz de jurar que estava no mesmo compasso que o de Dulce.

Os dois só se distanciaram quando o refrão começou. Não porque queriam, mas porque Christian passou por eles em direção ao centro do palco e quase esbarrou em Ucker. O cantor riu. Aquilo era algo que os companheiros de banda sempre fazia quando Christopher e Dulce estavam dando muita bandeira no palco. Ao olhar de canto de olho para a ruiva, ele viu que ela também sorria. A cada minuto que passava naquele palco, Chris tinha mais certeza que nem o tempo poderia corrigir velhos e bons hábitos. E que o tempo também jamais poderia apagar o fogo e o amor que havia entre ele e Dulce.

***

Quando o show acabou e as luzes se apagaram, Christopher ainda ficou alguns segundos no palco escutando os gritos e as palmas da plateia. Aquela era uma sensação tão única e mágica... Era como pular de um prédio de quinze andares sem nenhuma proteção. No começo dava medo, o frio na barriga sempre surgia e você até mesmo chega a pensar em não pular. Mas depois que você se joga, a sensação de liberdade que se sente é tão grande... tão poderosa, é quase como se você pudesse voar. E por fim vinha a sensação que ele estava vivendo naquele momento: a de que não importa quão alta seja a altura que você saltar, sempre haverá alguém para te segurar. E sentir seguro, querido, protegido e amado pelos fãs do RBD era algo que não dava para ser explicado em teoria. Era um sentimento que passava de coração para coração, do de Ucker direto para os dos fãs e vice-versa.

Com os olhos cheios d’água, Ucker correu para o backstage. A energia que ele sentia era tanta que era capaz de escalar o Monte Everest ou correr uma maratona. Pensando bem, talvez as duas coisas de uma só vez...

- Carambaaaa, que show foi esse! – Ele chegou a parte de trás do palco, onde Anahí e Christian já estavam reunidos secando-se com toalhas e comentando a apresentação. Pelo brilho nos olhos deles, os companheiros de grupo haviam aprovado a reestreia do RBD tanto quanto ele.

- Uckerzinho, foi realmente mágico! Eu estou arrepiada até agora! – A loira veio até o amigo e o abraçou carinhosamente. Dava para sentir que ela estava tremendo e Christopher imaginou que fosse de emoção.

Pedro passou chamando todos para uma comemoração nos camarins. Um espaço fora especialmente preparado para a ocasião com comes e bebes e muito champanhe. Não demorou para que toda a produção e banda se reunissem para dar as suas impressões do primeiro show da turnê. Todos estavam muito animados, entusiasmados e otimistas. Era unanimidade que o RBD voltara em grande estilo.

Apesar da alegria, Ucker não pode deixar de reparar que Dulce estava acompanhada pelo noivo. Claro que durante o show ele vira Rodrigo nos bastidores junto com os demais convidados especiais da banda, como o marido da Anahí e sua filha e o namorado de Maite. O cantor sabia que aquilo era natural, afinal, eles iam se casar e nada mais justo que Luis Rodrigo prestigiasse a noiva em um momento tão importante de sua carreira.

Mesmo assim não conseguiu evitar uma pontada estranha no peito. Ele não sabia se era ciúmes, se era vontade de assumir o lugar do outro na vida de Dul, se era raiva por a ruiva o ter dispensado para ficar com Rodrigo, ou se era tudo aquilo junto e amplificado pela mágoa causada pela briga na noite anterior.

Ainda custava a Ucker entender porque Dulce escolhera acreditar de forma tão enfática e irredutível no noivo e não dar a ele nem sequer a chance de se explicar melhor. Tudo bem que Christopher tinha consciência de que escolhera um mal momento para revelar a traição e que deveria ter o feito com a cabeça fria e usando as palavras certas. Mas mesmo essa consciência não conseguia acalmar o ressentimento que ele estava sentindo pela ex namorada naquele momento.

Ucker circulou entre os presentes, conversou, bebeu champanhe, se divertiu e tentou ao máximo evitar o casal Dulce Maria e Luis Rodrigo. Porém, algo na reação do empresário estava o incomodando muito. Christopher reparou que a todo momento o “rival” ficava tentando chamar atenção da noiva, como se estivesse se exibindo. Ele não conseguia entender a razão daqueles gestos exagerados, mas poderia apostar que aquilo não era normal.

Em um determinado momento da noite, Christopher se aproximou da mesa onde estavam as bebidas para se servir de mais champanhe. Assim que terminou de encher a sua taça, percebeu um movimento ao seu lado. Ao virar-se, deu de cara com a ruiva e o seu noivo. Dul estava com a taça vazia, olhando com uma cara muito feia para Rodrigo. Pelo jeito ele não era o único que estava se irritando com o jeito do empresário.

- Champagne, senhorita? – O cantor se flagrou perguntando antes mesmo que pudesse se dar conta do que estava fazendo.

- Por favor, eu aceito mais um gole – A ruiva estendeu a taça em direção ao companheiro de banda com um sorriso encantador no rosto.

Christopher preencheu o copo com a bebida borbulhante antes de fazer um gesto exagerado com as mãos. A ideia era dizer que estava ali para servi-la, mas com certeza ficou parecendo apenas que ele já havia bebido demais e estava um pouco fora de si.

- Muito obrigada, nobre cavalheiro! – Ela respondeu olhando Ucker diretamente nos olhos.

- Estamos aqui para isso, senhorita – Ele rebateu, lançando mão do seu melhor sorriso conquistador.

Ela deu um gole na sua bebida e Rodrigo se aproximou da mesa. Aparentemente ele esperava também ser servido, mas como Ucker não se prontificou a fazê-lo, o empresário resolveu pegar uma segunda garrafa na mesa e encher o seu copo por conta própria. Pela sua cara, Luis Rodrigo não tinha gostado nada, nada do que vira.

Ucker se afastou da mesa com um tímido pedido de licença e tentou se misturar novamente ao pessoal da banda. Ele não conseguia acreditar no que acabara de fazer! Ele havia flertado com a Dulce na frente do noivo! Só isso já seria ruim o bastante, mas para piorar ainda havia os fatos da noite anterior: a briga entre ele e a ruiva, a falta de confiança dela em Christopher, o rompimento, a mágoa que ele estava sentindo...

Se o fato dela ser comprometida não fosse o suficiente para mantê-lo afastado, a discussão da noite anterior deveria ser!

“Onde, afinal, está a sua dignidade, homem?”, ele se perguntou.

Agitado, Ucker deixou a festa e foi para o seu camarim. Ele precisava ficar sozinho para refletir. De uma vez por todas era hora de colocar os sentimentos que nutria pela Dulce em “ordem”, se é que era possível organizar sentimentos como se organiza roupas...

- Cansou da festa? – Ouviu alguém perguntando da porta. Chris não precisava se virar para ver quem era: pela voz ele sabia que era a Linda. O que o lembrou que os dois tinham um assunto inacabado para resolver.

- Sim, acho que a adrenalina do show passou. Agora quero ficar um pouco sozinho para colocar a cabeça no lugar – Ele se virou para encarar a assessora. Ela estava linda: vestido bem cortado, salto, cabelos soltos. Porém, Christopher não conseguia vê-la como mulher. Para ele, Linda sempre seria sua assessora e fiel amiga.

- Colocar a cabeça no lugar? Espero que isso não tenha nada a ver com a Dulce... – A morena rebateu de forma um pouco ácida.

- Dul está com o noivo, e pelo jeito que ele estava babando o ovo dela, eles estão felizes e muito bem juntos. Não quero ser eu a pessoa que vai estragar todo esse amor e felicidade... – O cantor respondeu com a voz amarga, mexendo nos cabelos de forma amargurada.

- Ahh, você jura? Então como me explica aquela ceninha ridícula com o champagne? – Linda provocou, agora entrando no camarim, fechando a porta atrás de si e caminhando até o amigo.

- Não foi nada demais, Linda! – Christopher rebateu de imediato querendo encerrar o assunto.

- Não foi nada demais? Ucker, você estava babando por ela na frente de todo mundo, até mesmo do noivo dela! E para que isso? Para ela nem te dar valor! Para na primeira dificuldade, ela se negar a confiar em você e te virar as costas! Isso não é justo! Eu não posso mais ver isso acontecer e não fazer nada! – A assessora desabafou, mexendo as mãos ansiosa, falando de maneira aflita.

- Linda, por favor, não quero falar sobre isso agora – Chris tentou desconversar. Ele tinha acabado de sair de um show maravilhoso e cheio de energia positiva. Como foi que a noite se transformou em todo aquele drama?

-Não Christopher, eu não posso mais esperar! Sei que pode não ser um bom momento, mas depois de tudo o que aconteceu, eu preciso falar – Ela fez uma pausa, se aproximando dele e pousando uma de suas em seu ombro – Eu realmente estou cansada de te ver sofrendo pela Dulce! Acho que você se empenha tanto, se joga sem medo, faz de tudo para ficar com ela, ignora todos os obstáculos, ignora até mesmo as restrições que o Pedro colocou para que vocês não se aproximassem. E tudo isso para nada! Ela não te corresponde do jeito que deveria! Chris, você precisa de uma mulher que te dê valor de verdade, que saiba receber esse amor tão bonito que você tem para oferecer, que fique ao seu lado de verdade, que te apoie... – Linda falava depressa, como se estivesse despejando as palavras, como se aquela fosse a sua única oportunidade de explicar o que sentia – Eu sei que a química que rola entre vocês é muito grande, mas a vida não é só isso! Existem muitas outras possibilidades que você pode explorar...

- Do que você está falando, Linda? – Ucker não estava entendendo onde ela queria chegar com aquela conversa.

- Estou falando disso... – Ela respondeu, antes de surpreendê-lo com um gesto completamente inesperado e que acabaria complicando ainda mais a situação entre eles.

Ponto de vista de Dulce

Depois de um show de estreia tão maravilhoso, com direito ao bom e velho marketing Vondy, a última coisa que Dulce precisava era Luis Rodrigo no seu pé. Mas ainda que ele estivesse se empenhando muito para estragar a noite da cantora, ela não deixaria que conseguisse. Quando percebeu que estavam prestes a começar a discutir na frente de todos os integrantes da banda mais a produção, Dulce levou Rodrigo para um local reservado, para que pudesse lidar com ele e dispensá-lo o mais rápido que pudesse, sem que ninguém visse. Claro, porque para todos os efeitos, eles ainda eram noivos. E não seria legal que soubessem da novidade daquela maneira. Dul precisava de tempo e calma para contar que havia terminado o noivado. Faria isso aos poucos. Começaria por Pedro e depois passaria para os que tivesse mais confiança. Claro que Any seria uma das primeiras a saber também, já que fora ela que ajudara a ruiva a descobrir toda a verdade sobre a traição.

E tinha Christopher. Que obviamente fugia a toda essa regra. Dulce María não via a hora de que ele soubesse. Não via a hora de contar para ele que não estava mais comprometida. Ela faria isso naquela mesma noite, se possível. E esperava de coração que fosse. Afinal já não aguentava mais segurar dentro de si o que sentia. Seu coração e seu corpo clamavam por ele. Principalmente depois daquele show. Depois daquelas trocas de olhares tão intensas que só eles sabiam dar. Depois das carícias, dos sorrisos, da sintonia. Tudo nela parecia querer gritar aos sete ventos o quanto precisava dele. María sabia que o amava. Se no dia anterior estava confusa sobre o que fazer, hoje já não restava mais nenhuma dúvida.

Havia apenas o receio de que Chris ainda estivesse chateado por ela não ter acreditado quando ele contou que o ex-noivo a estava enganando. Deve ter sido duro para Ucker aguentar essa falta de confiança. Mas Dul não se sentia tão culpada, já que ele a havia pegado tão desprevenida. E depois daqueles momentos tão românticos durante o show, ela imaginava que não seria difícil tudo voltar ao normal entre eles. Tinha ficado um pouco apreensiva antes do show, mas agora estava confiante. Iria procurá-lo o quanto antes e declarar todo o seu amor, e eles poderiam enfim ficar juntos. Dessa vez, para sempre. Mas antes, ela ainda tinha que dispensar o traidor do Luis Rodrigo, que insistia em se desculpar e pedir que ela o perdoasse. Ela chegava a sentir pena do rapaz.

- Mi vida, você tem que voltar para mim – implorou Rodrigo pela décima vez seguida – Eu estou aqui quase de joelhos te pedindo para me perdoar. Sei que fui um cafajeste...

- Que bom que sabe – respondeu ela sem emoção. 

- Você não pode negar que o que vivemos foi intenso, não podemos jogar isso fora! - exclamou ele parecendo nervoso. Dulce apenas o olhou com desdém enquanto suspirava – Vamos Dulce, sei que ainda me ama...

- Não Luis, eu nunca amei você na verdade – confessou ela com sinceridade, sentindo-se aliviada por falar isso. Era bom enfim poder dizer a verdade sobre o que sentia, mesmo que isso talvez fosse deixar o ex-noivo arrasado.

- Não acredito em você – retrucou Rodrigo com a costumeira presunção – Olha eu entendo que deve estar magoada agora pelo que eu fiz. Mas isso vai passar um dia e você vai perceber que sente minha falta.

- Você acha mesmo que o mundo gira ao seu redor, não é? - debochou Dul sem conseguir conter o riso. Ele era tão patético dizendo aquelas coisas – Não se preocupe, vou ficar muito bem. E pode ter certeza de que não sentirei nenhum pouco a sua falta...

- Você não pode me deixar! - ele parecia desesperado agora. Como se não entendesse como as coisas tinham saido de seu controle daquela maneira. Como se não pudesse aceitar a derrota – Eu sou um ser humano como qualquer outro que erra. Assim como você também já errou várias vezes.

- Tem razão eu também errei – falou a ruiva adotando um tom sério – Errei desde o momento em que acreditei que essa relação pudesse dar certo. Mesmo nunca tendo tido nenhum sentimento forte por você – admitiu ela, pensativa. Dulce estava em um momento de libertação e não conseguia evitar querer falar toda a verdade. Então decidiu que ele merecia saber tudo o que havia acontecido, mesmo sendo um completo idiota – Luis, tem algo que preciso te falar...

- O que? - perguntou ele enrugando a testa, parecendo não entender nada.

- Eu também trai você – ela levantou os olhos do chão enquanto falava, voltando a encarar o ex-noivo – Com Christopher. E não me arrependo do que fiz nem por um segundo. Primeiro porque não foi algo premeditado, nem foi algo que considerei continuar enquanto ainda estava com você. Segundo porque o que existe entre eu e ele é algo verdadeiro. Algo que eu simplesmente não pude evitar. Infelizmente só percebi isso agora. Mas ao menos eu tive a dignidade de me sentir culpada pelo que eu estava fazendo. De querer parar e resolver o que eu queria primeiro. Ao contrário de você que, pelo jeito, continuaria me enganando a vida inteira se eu não descobrisse nada.

- Mas o que... você e Christopher... como? Isso não... - gaguejou Rodrigo parecendo não conseguir conceber o que Dulce acaba de lhe contar.

- Sim, nós dois! - repetiu ela – Enquanto você estava super seguro de si. Achando que eu o amava loucamente. Tão seguro que até achou que poderia ter uma amante sem eu nunca saber. Christopher estava sendo a pessoa maravilhosa que sempre foi e me reconquistando aos poucos. Ele não fez nada deliberadamente, é claro. Ele me respeitava e respeitava o fato de eu estar noiva. Mas a nossa atração, o nosso sentimento era maior que nós dois. Não conseguirmos lutar contra ele. Não me orgulho disso. Mas foi pelo melhor  motivo que poderia existir. Eu descobri enfim quem eu realmente amo, quem sempre amei, e nunca deixarei de amar...

Dulce viu um brilho diferente no olhar de Luis Rodrigo antes de ele sair e deixá-la sozinha. Era um brilho de sofrimento, de dor. Algo que só poderia ser visto no rosto de alguém que acabou de ter seu coração partido. Ela pensou que, talvez, apesar de tudo que havia acontecido, ele a amava. De um jeito muito estranho, é claro. Mas era evidente que ficara bem abalado com o fim do noivado e principalmente depois daquela conversa. Demoraria para ele superar, mas ela sabia que um dia o faria. E quem sabe até pudesse aprender como amar uma mulher de verdade. Dulce não desejava mal a ele, apesar de tudo. Talvez fosse a compaixão, ou talvez fosse outra coisa que estava preenchendo boa parte de seus pensamentos... Outra coisa que a estava deixando cada vez mais ansiosa. Tinha que encontrar Christopher imediatamente.

Saiu quase correndo em direção aos camarins, torcendo para que ele ainda não tivesse ido embora para o hotel. Dulce quase errou o caminho tamanha era sua agitação. Por pouco não entrou num corredor que levava direto para a pista de onde o público assistira ao show. Àquela altura muitos fãs já deviam ter deixado o local, mas sempre ficava um ou outro grupo para trás, esperando alguma chance de chegar perto da banda ou de ao menos conhecer algum dos músicos ou pessoas da produção. De qualquer forma não teria sido uma boa ir para lá. Por sorte a ruiva encontrou Oso no caminho e pediu que ele a levasse até o camarim de Ucker. O ex assessor/chefe de segurança/faz tudo/amigo a ajudou sem fazer mais perguntas. Por isso ele era tão amado por todos do grupo. A eficiência em pessoa.

Dul agradeceu a Oso, que se despediu e foi embora logo em seguida. Ela então ficou encarando a porta do camarim, tentando decidir o que fazer. Estava muito ansiosa, mas também apreensiva. Ainda não havia pensado direito em como falar com ele, como dizer tudo que tinha para dizer. Acabou decidindo que era melhor deixar as coisas acontecerem naturalmente. Não havia tempo nem paciência para elaborar nada. Ela também decidiu que era melhor ir entrando de uma vez no cômodo reservado, sem bater nem nada. Achou que seria uma boa ideia pegá-lo de surpresa. Bem, pelo menos até abrir a porta e se deparar com aquela cena, parecia uma boa ideia. Chris e Linda estavam se beijando. Aquilo era tão inesperado que Dulce demorou para perceber o quanto tinha ficado triste e com raiva por ter presenciado aquilo. Todo o conto de fadas que havia construído em sua mente nos últimos minutos desmoronou. E novamente seu final feliz estava longe de acontecer.

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Notas finais: Ai já estava ficando com saudades de postar essa fic!!! PFVR
O cap dos caps, que na verdade rendeu uma 3 caps, acaba aqui. Como diz a Manu, fechamos essa fase da fic. Um desfecho bem dramático e incerto que deixará muitas duvidas sobre o que virá a seguir. Só posso prometer que tem muita emoção  vindo por ai, muitas loucuras e claro, cenas engraçadas, que não podem faltar!! :D 
Já façam suas apostas para o que acham que vai acontecer... Não prometemos brindes nem nada, mas será divertido se alguém acertar :P

beijos, e até o próximo ;**
Sarah

Leia o próximo capítulo: O mundo dá voltas