domingo, 2 de novembro de 2014

Una Canción, Capítulo 20 - A vingança é um prato que se come frio

Ponto de vista de Dulce

Ficar sabendo que Christopher tinha ido a uma boate com os outros garotos do grupo fez Dulce ficar ainda mais nervosa do que já estava. Depois de passar o dia inteiro atrás dele sem conseguir nem sequer um sorrido ou um olhar, nenhuma outra notícia podia ser pior que aquela!

Depois da sessão de fotos tinha tentando encontrá-lo pelo hotel sem nenhum sucesso. Parecia que Chris estava fugindo dela, ou então a sorte não estava do seu lado. Nem mesmo durante o show daquela noite pode “desfrutar” completamente de sua companhia e de todo o clima que sempre ocorria entre eles. Apesar de ficarem próximos em alguns momentos e cantarem juntos, ela sentiu uma frieza muito grande da parte dele. Estava agindo de forma mecânica, sem a naturalidade de sempre, sem aquela química que sempre tinham. Até os fãs devem ter percebido que havia algo de errado. Nem mesmo durante a música “Este Corazón”, que era quando eles cantavam e se olhavam da forma mais apaixonada, a magia aconteceu. Após a apresentação, nem no camarim, nem no hotel conseguiu se aproximar de Ucker novamente. Ele havia se isolado em seu quarto e ela não teve coragem o suficiente para ir bater a sua porta.

Quando por fim tinha decidido convocar a ajuda de Any novamente, já era tarde demais. As duas descobriram que Poncho, Christian, Christopher e seu novo assessor Santos, tinham saído. Dessa vez sua detetive particular tinha falhado na missão e agora tinha que aturar os resmungos de insatisfação da ruiva.

Dulce María não conseguia evitar ficar pensando no que estaria acontecendo com aqueles quatro juntos na balada. E era isso que a estava deixando possessa de raiva. Ucker estava solteiro. Livre, leve e solto. Com aquela aparência irresistível demais para seu próprio bem. Numa boate que devia estar no mínimo lotada de mulheres igualmente solteiras e atraentes. Era a combinação perfeita para resultar em um colapso. Para ela, é claro. Por que aquilo devia ser exatamente o que Chris estava buscando. Só de imaginá-lo com uma daquelas vagabundas, Dul tinha vontade de sair pelo saguão do hotel derrubando tudo que encontrasse pela frente.

Além de tudo ele estava só com garotos, o que agravava a situação. Se ao menos Linda ainda estivesse acompanhando-o na tour, ela estaria lá para “cuidar” dele. María jamais imaginou que fosse pensar uma coisa dessas, mas por um momento sentiu falta de assessora na história. Ok, ela estava beijando Christopher algumas semanas a atrás e Dulce ainda não tinha certeza do que tinha havido ou ainda havia entre eles. Mas de modo geral ela parecia ser uma boa amiga para ele. Boa o suficiente para impedi-lo de fazer loucuras. Mas para seu descontentamento o novo assessor de Ucker também era um homem. E nunca podia se esperar coisas boas de homens juntos na noite. Dulce não podia acreditar como tinha falhado astronomicamente naquele seu plano idiota de se reaproximar de Chris. Agora ela estava ali sozinha, trancada no hotel, enquanto ele se divertia, bebia e dançava com os amigos, provavelmente cercado de mulheres lindas e receptivas.

- Argh, acho que vou para o meu quarto me trancar e chorar até amanhã... Adeus. - disse Dulce levantando-se do sofá do saguão do hotel onde ela e Any conversavam.

- Nada disso, senhora Dulce María – exclamou Any levantando-se também e ficando em seu caminho.

– Ficar se lamentando não vai adiantar de nada!

- O que você sugere que eu faça então? - respondeu a ruiva desanimada e ainda sentindo o sangue ferver de raiva pelo que Chris poderia estar fazendo.

- Não sei, mas não podemos ficar aqui trancadas enquanto eles estão na farra! - falou Anahí fechando a cara, como se fosse ela que estivesse apaixonada por uma dos garotos que havia saído – Já sei, porque não saímos nós também?

- Alguém falou em sair? - era Maite que tinha acabado de chegar ao lobby e caído de paraquedas na conversa das duas – Não importa para onde vão ou se não pensavam me convidar, eu estou dentro! - as três riram.

- É claro que pensávamos te convidar, tonta – brincou Any abraçando a morena – Eu tinha acabado de dar essa ideia a Dul e ela tinha adorado, não é mesmo chiquita?

- Ahhh claro, com certeza achei uma excelente ideia – confirmou Dulce, mas pelo seu tom era óbvio que estava sendo sarcástica - Só não sei o que seu marido ia pensar disso.

- Não seja tonta você também, é claro que não vamos sair para nenhuma boate como os garotos. Vamos fazer algo mais tranquilo, ir a um restaurante ou algo do tipo.

- Uhhh claro, assim vamos fazer muita inveja aos chicos com a nossa “noitada” - desdenhou María fazendo as aspas com os dedos enquanto dizia a última palavra.

- Pare com essa negatividade agora mesmo senhorita Espinoza. Não é porque vamos a um lugar mais tranquilo que não iremos nos divertir. Não é Mai?

- Com certeza, Any – concordou Maite fingindo que entendia do que elas estavam falando – Mas então vamos lá pra cima nos arrumar logo, ou então não encontraremos mais nenhum lugar aberto.
Então elas subiram. Dulce e Mai pegaram suas coisas e foram se reunir no quarto de Anahí para se arrumarem. Decidiram que assim seria mais rápido, uma ajudava a outra. Dulce não estava muito animada com aquela saída à princípio. Estava com raiva de Ucker, sendo que ele nada tinha feito a ela. Mas depois começou a entrar no clima das outras garotas e percebeu que era sim uma boa ideia afinal de contas. Não para dar o troco nele, embora fosse um pouco por isso também. Mas para mostrar a ele, e ao mundo, que não iria ficar ali trancada naquele hotel sofrendo enquanto o amor de sua vida se divertia sabe-se lá onde com os amigos. Ela também tinha suas amigas e sabia que elas fariam o que fosse necessário para levantar o seu astral. Dulce estava se maquiando no espelho do banheiro quando Any veio com o assunto proibido da noite.

- Tenho certeza que o Christopher vai ficar mordido de raiva quando souber que também saímos hoje – comentou a loira já pronta. Ela tinha feito um penteado casual com o cabelo meio preso e uma maquiagem simples. Usava um vestido liso e um sapato fino. Mas como tratava-se de Anahí, o básico sempre se tornava deslumbrante.

- Não tenha tanta certeza, Any. Você viu como ele me ignorou hoje nos ensaios e durante todo o dia. Até mesmo durante o show não era o mesmo de antes...

- Espera, do que vocês estão falando? - perguntou Maite dessa vez mostrando que estava totalmente por fora do assunto – Por que está tão preocupada com o comportamento do Chris em relação a você Dul? Por acaso vocês dois...

- Não! - exclamou ela um pouco mais exaltada do que gostaria. Não estava em seus planos contar aquilo a Mai, pelo menos não por enquanto. E ela se apressou a negar antes que Anahí dissesse alguma coisa – Não tem nada a ver Mai. Só achei que ele está diferente com todas nós... Não é Any?

- Ahn? - murmurou a loira que parecia um pouco perdida – Ahh sim, claro! É verdade Dul, você tem toda razão. Ele está meio distante com todos. Por será, né? - felizmente ela havia confirmado a história de Dul, mas como sempre exagerara um pouco no fingimento, o que deixou Maite desconfiada.

- Ok... - mesmo não parecendo convencida a morena deu o assunto por encerrado. Maite nunca fora do tipo que ficava fazendo fofoca, então se as amigas não queriam dizer a verdade deviam ter um bom motivo. Ela não insistiria no assunto – Então já podemos descer? Vocês já estão prontas?

- Listas! - afirmaram Dul e Any o mesmo tempo.

***

O restaurante escolhido por Any não era nem de longe o lugar mais badalado da noite de Monterrey. Mas também não era o lugar mais sem graça da cidade. Considerando o “status” de restaurante, onde se espera um ambiente mais tranquilo, familiar e comportado, até que havia superado expectativas. Além de uma grande salão com mesas confortáveis e luz baixa, havia um bar e um palco onde uma banda tocava música ao vivo. Blues, jazz, baladas românticas e alguns rocks clássicos estavam no repertório apresentado, o que agradou muito a ruiva. Anahí e Maite também pareceram gostar. Como já era tarde elas não pediram comida, apenas uns drinques e uns aperitivos.

E assim passaram a noite. Entre conversas, músicas agradáveis, bebidas e muitas risadas. Dulce chegou a se esquecer da raiva e ressentimento que a havia levado até ali. Por um momento conseguiu se sentir alegre e realmente se divertir com as colegas de grupo. Mas aos poucos todo o ódio em seu coração desapareceu, dando lugar a tristeza e saudade. Ela daria tudo para ter Christopher ali com ela. Só queria ficar com ele. Só isso, mais nada! E não saber o que fazer para conseguir isso a deixava desconsolada. Não queria que as amigas percebessem o que se passava com ela, então tentou disfarçar ao máximo. Mas já não estava aproveitando tanto a noite quanto há alguns minutos.

- Vamos fazer um brinde! - propôs Anahí levantando a taça com o drinque cor vermelho vivo de melancia que tomava.

- Any, nós já bebemos pelo menos umas 5 rodadas. Acho que já é meio tarde para propor um brinde – zombou Dulce.

- Posso propor um brinde a hora que eu achar adequado, ok? - rebateu a loira de nariz empinado – Apenas levante o seu copo e escute com atenção – Dul fez menção de protestar novamente, mas então Maite a interrompeu.

- E a que vamos brindar, Any? - perguntou ela levantando seu copo e ao mesmo tempo dando uma cotovelada no braço de Dulce. Então a ruiva repetiu o gesto da morena a contragosto.
- Bueno, primeiro quero brindar a nós por estarmos aqui aproveitando essa noite maravilhosa entre amigas – Dul teve que sorrir. Apesar de tudo adorava estar com as duas – Também por RBD e pelo retorno da banda que até agora tem sido incrível. E claro por seguir acreditando nos sonhos e em nós mesmos, que é o que sempre tentamos passar aos fãs, mas que as vezes esquecemos de colocar em prática em nossas vidas – E ao dizer isso Anahí olhava diretamente para Dulce e ainda deu uma piscada para ela.

As três bateram os copos levemente um no outro e depois tomaram um gole de suas respectivas bebidas. María esperou que Mai não tivesse percebido a indireta que Any tinha dado a ela. Mas também não tentou disfarçar sua expressão pensativa. Alheia a conversa que se desenrolava na mesa, Dulce se fechou por um momento em seu mundo particular. A cutucada da amiga a tinha instigado, e ela não pode evitar ficar refletindo sobre o assunto. Não é que era a mais pura verdade... No RBD eles viviam dizendo aos fãs que eles não deviam ter medo de ser eles mesmo, que não deviam mudar para agradar ninguém. E principalmente que deviam lutar por aquilo que queriam. Correr atrás de seus sonhos. Any dissera indiretamente que ela não estava fazendo nada daquilo. O que não era verdade, porque ela estava. Já havia admitido para si mesma que amava Christopher e precisava dele. E estava tentando reconquistá-lo. Mas será que estava tentando o suficiente?

- Dulce María, planeta terra chamando! - exclamou Anahí agitando a mão na frente de seu rosto. Ao que parecia Dul estivera ignorando a amiga por alguns segundos sem perceber.

- Oi? O que? - respondeu ela fingindo que nada havia acontecido.

- Ai Dul, presta atenção. Você não vai acreditar quem está aqui!

- Quem? Ucker? - as palavras saíram antes que ela pudesse se conter. Não foi seu momento mais inteligente. Se Maite estava desconfiada do que estava rolando, agora ela havia tirado qualquer dúvida. Mas a morena não esboçou nenhuma reação exagerada, apenas desviou o olhar e disfarçou. Enquanto Any enrugava a testa e a olhava com uma cara de “qual é o seu problema?”.

- Não, claro que não. Diego – respondeu Anahí, dessa vez conseguindo disfarçar bem a gafe da amiga.

- Diego... Que Diego?

- Diego Boneta. Ou Diego Gonzalez se preferir – disse a loira apontando para um grupo de três rapazes que acabava de chegar no restaurante. Eles andavam entre as mesas procurando uma mesa, o que estava um pouco difícil de encontrar, já que o local estava lotado – O que acham de chamá-los para sentar com a gente? Tem lugar sobrando aqui.

Any então acenou para Diego, sem esperar a resposta das amigas. Ele olhou na direção delas, desconfiado à princípio. Mas quando Dulce virou na direção dele e também deu um aceno, bem menos entusiasmado que o de Any, Diego abriu um sorriso e pareceu enfim reconhecê-las. Fazia muito tempo que não o viam, mas acho que ninguém seria capaz de não reconhecer Dulce María. Além do ruivo marcante ela continuava com a mesma carinha da época de Rebelde. Ao contrário de Diego. Não que ele estivesse acabado, ao contrário, estava muito bem. Mas era até difícil de acreditar que um dia fora aquele menino de 15 anos de idade que entrou no elenco de Rebelde em 2006. Cheio de talento e com uma carreira brilhante pela frente. Ele acenou de volta para elas e então se aproximou das garotas seguido dos amigos.

- No puedo creer! - exclamou ele ao chegar perto o bastante. As meninas já estvm de pé para cumprimentá-lo – Quanto tempo, chicas!

Ele abraçou primeiro Anahí, que tomou a frente, já que era a mais empolgada como sempre, e que fora ideia dela chamar os garotos para se juntar a elas. Mas Dulce já estava convencida de que fora uma boa ideia. Quanto mais amigos melhor, certo? Depois de abraçar Any e Maite e dizer algumas palavras carinhosas, foi a vez de Diego cumprimentar Dul. Seu sorriso era radiante quando deu um beijo no rosto dela e a abraçou. E ela tinha que admitir, Diego Boneta tinha se tornado um homem muito bonito. Mas todo o charme e carisma dele não tinham efeito algum sobre ela. Pelo menos nada além de: ele é uma bela vista a se admirar; e ele é um velho e querido amigo.

- É muito bom ver você de novo, Dulce! - falou ele entusiasmado – Cada ano que passa está mais linda.

- Nossa, obrigada – respondeu ela um pouco sem graça – Você também não está nada mal – completou tentando descontrair.

- Também não precisa mentir – brincou ele.

Em seguida o ex-companheiro de elenco se voltou aos seus amigos e fez as devidas apresentações. Estavam com ele Jencarlo e Simon, dois músicos que tocavam em sua banda. Depois de atuar em vários filmes e séries, Diego tinha começado a se deixar a carreira musical há mais ou menos 2 anos. Obviamente Dulce não sabia de nada daquilo até começar a conversar com ele, depois que se sentaram a mesa com ela as amigas. Não sabia mais nada do pessoal que gravou Rebelde, tinha perdido contato com quase todos os atores. Fora os outros RBD's, só continuara falando com Zoraida, que era uma de suas melhores amigas, e Fuzz que já conhecia desde pequena. O papo rolou fácil entre os seis, já que todos eles ainda eram do meio artístico. Mas Dul não pode deixar de reparar que Diego falava mais com ela diretamente do que com os outros, lhe conferindo uma atenção especial. Ela não sabia, porém, se era só coisa da sua cabeça, ou se o interesse do garoto nela estava realmente tão nítido quanto parecia.

- Eu tenho acompanhado a sua carreira de longe. Bem, de todos vocês do RBD é claro. Mas devo admitir que virei seu fã de carteirinha depois de assistir sua performance na adaptação mexicana do musical “Rock Of Ages”.

- Não acredito que você foi me ver! - exclamou ela incrédula – Porque não me avisou, eu teria te recebido no camarim e tal...

- Eu estava só de passagem pela cidade naquela época, e quando soube do musical, tive que ir ver. Era uma das últimas sessões. Mas olha, valeu a pena ter ido, mesmo só como fã. Você estava demais! - falou Diego voltando a elogiar Dulce, o que a estava deixando encabulada.

- Ahhh para com isso! Aquilo não foi nada perto da sua atuação no filme “Rock of Ages” com todas aquelas estrelas de Hollywoody. - lembrou Dulce, fazendo agora ele ficar um pouco sem graça. Mas pela sua cara tinha gostado de ouvi-la dizer aquilo.

- Está bem, não vou dizer que o filme estava mal. Até porque realmente foi uma produção incrível que eu ainda nem acredito que fiz parte – admitiu Diego – Mas confesso que fiquei com uma pontinha de inveja de não ter feito o musical no teatro também. Especialmente se fosse com você. Adoraria ter sido o seu Drew.

Diego estava com o braço sobre o encosto de sua cadeira e a olhava nos olhos fixamente. Só agora Dulce percebia que seu rosto estava a uma distância nenhum pouco segura do dela. Imediatamente ela desconversou olhando para o outro lado e se afastou dele tentando não deixar tão evidente que o estava rejeitando. Por sorte Any decidiu ir embora 5 minutos depois. María não sabia se ela tinha percebido as investidas de Diego ou se simplesmente achava que não era mais hora para uma mulher casada estar na rua. De qualquer forma ela agradeceu mentalmente a amiga por tirá-la daquela enrascada. Ao chegar ao hotel, tudo o que Dul queria era subir para o seu quarto e tentar não lembrar que Ucker poderia ainda estar na balada com os meninos. Mas antes que ela pudesse fazer isso, teve que aturar a zoação das amigas.

- Você viu quem estava arrasando corações hoje, Any? - começou Maite.

- Eu vi sim, senhorita Perronita – respondeu Anahí – Era uma certa moça ruiva que conhecemos muito bem.

- Ei, vocês querem parar de falar como se eu não estivesse aqui?! - reclamou Dulce enquanto as três andavam até o elevador.

- Pois é, Any. E mesmo o cara sendo um tremendo gato, ela não deu a mínima pra ele. Dá pra acreditar? - continuou Maite provocando a ruiva – Eu ali, solteira e cheia de amor pra dar, e nem o Diego, nem nenhum de seus amigos me deu bola. Esse mundo é muito injusto mesmo!

- Ai Mai, você está impossível hoje né. Da próxima vez não vou te deixar passar do terceiro martíni – brincou Any. E as duas riram.

- Não sejam bobas, Diego não estava afim de mim. Ele só estava sendo gentil.

- Ahhh claro! - respondeu Maite com sarcasmo – Queria que ele tivesse sido gentil daquele jeito comigo também...

- Ai quer saber, vocês duas estão bêbadas, então nem vale a pena discutir.

- Calma Dul, é brincadeira – falou Anahí um pouco mais séria – Não leva pro pessoal não. Mas que o Diego estava de olho em você isso estava, não pode negar.

- Bem, pode ser. Mas eu não estava afim de ter nada com ele além de amizade...

- Ai porque não? - perguntou Mai fazendo uma voz de tristeza – Vocês ficariam tão lindinhos juntos. Não é Any?

- É verdade – concordou Anahí tentando segurar o riso. Ela sabia que naquele momento nem Diego nem nenhum outro cara que não fosse Christopher teria chance com a ruiva. Mesmo assim ela continuou com a ideia – Além do mais ele é um cara superlegal. Acho que você devia ter investido.

- Ai qual é, gente? Vocês sabem que acabei de terminar um noivado. Não quero começar a sair com ninguém agora. É sério.

- Tudo bem. Se você diz... - se deu por vencida Any, e Maite pareceu também não ter argumentos para confrontar aquilo.

No entanto, tudo não passava de uma mentira. Dulce tinha a clara certeza que Any sabia que ela queria sim sair com alguém naquele momento. E esse alguém era Christopher. E não queria apenas sair com ele. Queria ficar com ele pelo resto de sua vida. Imaginar que Anahí sabia tanto de sua vida deixou Dul irritada, mas não tinha muito o que pudesse fazer a respeito. Na verdade, se as coisas continuassem como estavam, logo ela não seria a única a saber. María queria ficar com ele logo e gritar aos quatro ventos o que sentia. Mas por hora ela tinha conseguido fazer as amigas pararem de insistir naquele assunto, o que já era alguma coisa. Deixaria as reflexões mais profundas para quando estivesse sozinha. Coisa que teria acontecido em poucos minutos, já que elas se encontravam na frente do elevador, mas acabou sendo adiada mais um pouco devido a chegada de um grupo muito bagunceiro e barulhento.

Ponto de vista do Ucker

Foi como um tsunami.

Ucker chegou ao hotel feliz, ainda cantando e brincando com os amigos. Eles entraram no saguão fazendo bastante barulho, sem se importar com o fato de já ser um pouco tarde. Christopher sentia-se tão leve que seria capaz de virar uma estrela ali mesmo, no meio da entrada do hotel, não fosse pelo fato de Christian ter assoviado como se quisesse chamar a atenção de alguém, tirando completamente a concentração do amigo - Hey chicas, segurem esse elevador! Eu também quero subir!

Foi aí que Christopher olhou para frente e perdeu o ar. Seus cabelos ruivos caíam pelas costas contrastando perfeitamente com a blusa branca, um pouco mais larguinha que deixava um de seus ombros e uma das alças do sutiã à mostra. Completavam o visual um saia preta justa e uma sandália de salto.

Apesar de ser uma roupa simples, do tipo que as garotas chamariam de básica, havia algo em Dulce que era capaz de transformar qualquer figurino em um look muito interessante. Talvez fosse a maquiagem forte nos olhos que a deixavam com um tom misterioso, ou os cabelos soltos de forma mais ousada. Ou simplesmente fosse todo o conjunto e a força que aquela mulher emanava... Ucker não tinha essa resposta e tampouco conseguia encontrá-la naquele momento, uma vez que estava completamente hipnotizado pela visão de Dulce parada em frente ao elevador, encarando-o com uma expressão confusa no olhar.

Somente aquele simples encontro já foi o suficiente para fazê-lo perder o ar, de tragá-lo novamente para a realidade onde um era a atraído automaticamente para o outro, independente da força que ele fizesse para evitar isso. Foi preciso um esforço muito grande, praticamente hercúleo, para que o cantor conseguisse se lembrar que estava magoado com a ruiva e que a nova meta de sua vida era esquecer completamente os sentimentos que nutria por ela.

- Por Dios, o que aconteceu com vocês? E que cheiro de lixo é esse? – Anahí perguntou. A essas alturas, as meninas já haviam esquecido o elevador e o equipamento subia para um andar qualquer, deixando o grupo com os funcionários da recepção, que faziam o possível para continuar a rotina de trabalho ignorando o fato de ter seis cantores famosos – sendo que três deles estavam vestidos de maneira bastante duvidosa – conversando no saguão como pessoas normais.

- Nós tivemos uma noite um tanto quanto... diferente – Poncho comentou com a voz irônica – Mas estou vendo que não foi só a gente que aproveitou a noitada. Podemos saber onde vocês foram lindas desse jeito?

- Meu caro Poncho fez uma observação muito boa! Vocês estão muito arrumadas e perfumadas! Qual era o alvo dessa vez? Quero saber o que vocês estão aprontando, garotas – Christian entrou no clima da brincadeira – A minha loira, não! Mas Dulce e Mai eu sei que estão soltas na pista. E duvido muito que alguém consiga resistir a tanto charme e beleza, não é garotos? – Ele completou a frase encarando Santos e Ucker, como se estivesse passando a deixa para que os dois comentassem o visual das garotas.

- Eu estou sem palavras – Santos fingiu estar passando mal – Acho que morri e cheguei ao paraíso.
Todos riram da piada sem graça do assessor, que fez uma reverência em agradecimento, aumentando ainda mais a graça da situação.

- E você, Uckerzito? Resistiria a essa bela dupla? – Christian voltou a provocar, completamente ciente do ponto fraco do colega de banda.

- É... a Mai está poderosíssima com esse vestido vermelho. Mas acho que não podemos esquecer de elogiar a Any, que mesmo casada e mãe de uma bela criança continua batendo um bolão – O cantor respondeu de forma um pouco tensa, nitidamente evitando falar de Dulce. A ruiva ficou olhando para ele como se esperasse que ele continuasse a frase e comentasse o seu look, mas o rapaz apenas ficou parado, mexendo nos cabelos, olhando em todas as direções, menos para ela.

- Ah Christopher, seu lindo, vem cá me dar um abraço – A loira disse de maneira um pouco mais alegre do que o convencional para tentar quebrar o clima tenso que ficara no ar – Mas, sabem chicos... – A cantora retomou o assunto, parando ao lado de Ucker e mexendo em seu braço de maneira despretensiosa, exatamente como uma criança faz quando está prestes a confessar alguma arte – A rainha da noite mesmo foi a Dul. Encontramos o Diego Boneta em um restaurante da cidade e ele não tirava os olhos da nossa ruiva – Anahí terminou a frase encarando Ucker nos olhos como quem diz: segura essa agora, bonitão.

Christopher reagiu instantaneamente à provocação. Seu corpo ficou ereto e ele passou a mexer nos cabelos com ainda mais força, como se estivesse tentando descontar ali o seu ciúme.

- Até que não estou tão mal assim... Ainda resta alguém que sabe me valorizar – A ruiva disse em tom ácido, aproveitando a deixa da amiga para provocar um pouco mais.

- Gente, fala sério, esse encontro aqui no corredor já está rendendo mais do que deveria. Quem topa mais uma rodada de drinques no restaurante do hotel? Aí os meninos podem explicar o que significa essas roupas e esse cheiro – Mai interferiu.

Todos toparam imediatamente a proposta, menos Ucker – Desculpa pessoal, mas acho que já bebi um pouco demais hoje.

- Ihh, se não aguenta bebe leite – Christian e Santos zoaram.

- Fica, Uckerzito! Preciso de alguém para aumentar a minha moral – Anahí pediu. De longe, ele percebeu que Dulce apenas observava a cena, sem dar nenhum sinal que desejava que ele ficasse.
- Foi mal, Any. Vai ficar para próxima! – Ele se despediu dos amigos e chamou o elevador, experimentando o gosto amargo da bebida misturado com mau humor e ciúme.

Assim que chegou ao seu quarto, ele se jogou de costas na cama, odiando-se por ser tão vulnerável. Era claro que o comentário de Anahí sobre Diego foi algo proposital para atingi-lo depois dele esnobar a ruiva na frente de todo mundo. Mas o que era para ser uma manobra de ataque, acabou se transformando em um belo gol de placa do adversário. Any e Dulce conseguiram deixá-lo com raiva e o pior: colocaram todos os seus esforços dos últimos dias na lata de lixo. Depois daquele encontro no hall estava muito claro que Christopher ainda não estava preparado para viver longe da ruiva. Por mais que tentasse, se esforçasse e ficasse longe, ela era, e sempre seria, a onda capaz de levá-lo para longe da praia e fazê-lo navegar por mares desconhecidos.

O jeito agora era dormir. A vida continuava e deveria existir uma maneira de sobreviver nadando contra a maré... ele só precisava descobrir como.

***

E a vida continuava mesmo. Novo dia, nova cidade, novo show, novo público, novas oportunidades.
O RBD se apresentava em outra cidade do México. Aquele seria um dos últimos shows no país, antes da banda partir para a Espanha, onde era muito aguardada.

Ucker cantava uma das músicas novas, que tinha um ritmo agitado e coreografia elaborada. Aquele, inclusive, era um dos poucos momentos no show no qual ele e Dulce ficavam perto um do outro, oficialmente – porque, extraoficialmente eles acabavam passando mais tempo juntos no palco do que separados.

A coreografia era simples. Ela vinha até ele e os dois dançavam juntos, um de frente para o outro, ela com as mãos no ombro dele, e ele com segurando-a pela cintura. Depois disso, ele pegava a mão da companheira e ela ia para o lado, afastando-se dele. Na sequência, ela voltava dando um giro e caindo direto nos braços de Ucker, que a deitava paralelamente ao chão, como em um daqueles passos sofisticados de tango.

Tudo ia bem até o momento do giro da ruiva. Ela executou o passou com precisão e graciosidade, porém, por algum motivo, Ucker se distraiu no momento de pegá-la, fazendo com que ela fosse parar no chão.

Foi tudo muito rápido. Em um instante ela estava ao lado de Christopher e, no segundo seguinte, tudo era uma confusão de fios ruivos, luzes e gritos da plateia.

- Dulce! – Ele gritou desesperado, ajoelhando-se ao seu lado.

- Está tudo bem, está tudo bem – Ela ofereceu um sorriso amarelo em resposta e tentou levantar-se. Mas bastou colocar o pé direito no chão para que ela se encolhesse de dor e soltasse um grito de insatisfação – Droga, acho que torci... – Sua expressão não era nada boa.

Ucker apressou-se em passar uma das mãos pelas costas da ruiva para lhe oferecer mais apoio – Você precisa ir para a enfermaria – Ele disse perto do seu ouvido para que ela pudesse escutar. Os outros integrantes seguiam o show, apesar de olharem a todo momento na direção dos dois para checar como estava a situação.

- Não, já disse que não foi nada! Já, já passa! – Ela se soltou dele, ameaçando voltar para o centro do palco mas, novamente, bastou encostar o pé no chão para soltar outro grito de dor, desse vez seguido por um palavrão.

- Dulce, já chega! Não vou deixar você se machucar. Já que eu causei isso, agora vou consertar – Com essas palavras, ele a pegou no colo e a carregou em direção aos bastidores, ignorando os olhares assustados de todos e os gritos de protestos de Maria.
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Notas finais: Vixi, deu ruim pra Dulce! E agora? Como ela vai fazer os shows? E o Ucker, gente? Como assim ele me deixa a menina cair? Será que teremos alguma explicação especial para isso ou nosso querido Chris só vacilou mesmo? Rs!

Aliás, é bom vocês irem se preparando, porque forninhos cairão no próximo capítulo!
Boatos que as autoras da história gostaram tanto do "cap dos caps" que resolveram fazer outro.
Hum... Vem coisa boa por aí! Preparem os corações: Vondy vai dominar a área!

Meninas, beijão e muito obrigada por ler!
Não esqueçam de deixar o nome nos comentários, combinado? Não seja um fantasma! Rs!

Beijos e fiquem com Deus!

Manu

Leiam o próximo capítulo: Acidentes acontecem... 

sábado, 18 de outubro de 2014

Una Canción, Capítulo 19 – Entre amigos

Ponto de vista de Dulce

Duas semanas eram suficientes para deixar a poeira baixar, certo? Tinham que ser! E se não fossem, paciência. Dulce não aguentava mais esperar. Não aguentava mais fingir que aquela distância entre ela e Christopher era normal. Nem que ela estava se sentindo bem com aquilo. Estava na hora de colocar seu plano em ação. Não era nada elaborado, basicamente ela sabia que 1- queria se reaproximar de Chris e 2- usaria de todos os recursos possíveis para isso.

Dul nunca tinha feito nada parecido na vida. Correr atrás dos homens nunca foi algo que ela precisasse ou quisesse fazer. Talvez por ser uma mulher bonita e famosa, ou talvez por sua personalidade mais reservada. Ou quem sabe porque Dulce nunca havia se sentido tão desesperada por ficar com alguém, como ela estava naquele momento. E não era só uma questão física, apesar de também ser. Ela enfim sabia, tinha certeza que ele era tudo o que ela queria. E não podia, de jeito nenhum, deixá-lo escapar de novo. Tentaria uma abordagem sútil e amigável a princípio, mas, se fosse preciso, usaria de artifícios mais pesados para atrair o rapaz para seus braços.

Ucker agiu de forma fria e seca com ela durante todo aquele começo de turnê. Quando estavam com outras pessoas do grupo, da banda ou da produção, ele era descontraído e falava normalmente, mas quando os dois ficavam a sós, a coisa mudava. E até então, Dulce María não quis forçar a barra e deixou que ele ficasse distante. E esse gelo só conseguiu fazê-la desejar ainda mais estar com ele. Se sentia como uma criança cobiçando um brinquedo que não pode ter na vitrine de uma loja. O único momento em que isso mudava era durante os shows. Quando estavam no palco eles não eram mais Dulce e Christopher, eles eram Vondy. E ela não sabia dizer se ele estava apenas atuando ou se, assim como ela, estava desfrutando daquele clima de romance que criavam. Os olhares, os gestos, as carícias. Tudo parecendo sempre tão real que não se podia culpar os fãs por acreditarem que havia algo entre eles. A ruiva mesmo acreditaria se não soubesse de tudo que havia se passado entre eles.

Fora dos palcos, porém, Dulce sabia que não seria fácil fazer o clima de romance voltar a acontecer. Mas pelo menos tinha um ponto a seu favor nisso. A produção não estava mais implicando que eles não podiam ser vistos juntos. Com a notícia do fim do noivado se espalhando, não fazia mais sentido mesmo continuar com aquilo. Os assessores de Dulce não estavam mais pegando no seu pé, mas certamente estavam achando ótimo a distância entre ela e Chris. Sem escândalos, sem fofocas, sem “marketing negativo”. E tinha também o fato de Linda não estar presente. Assim seria mais fácil conseguir chegar perto do garoto. Anahí havia descoberto que a ausência da assessora era definitiva, ela não viajaria com eles durante toda a turnê. Dul até pediu para a amiga para tentar descobrir o motivo, mas não deu muito certo, Ucker não revelou nada. Mas elas desconfiavam que tinha algo a ver com o beijo que Dulce vira nos bastidores do primeiro show da Tour do Reencontro.

O grupo já havia passado por várias cidades do México e atualmente estava em Monterrey. Haviam tirado a manhã de folga, mas a tarde já tinham que se reunir novamente para uma sessão de fotos para uma revista e a noite haveria mais um show. A rotina estava pesada e cansativa, mas, tirando o “problema” com Christopher, Dul estava adorando participar daquilo. Era muito bom relembrar a época do RBD, estar com os companheiros de grupo, os músicos e tantas pessoas que foram tão importantes na sua trajetória artística. Sem falar que ver todo aquele público que, mesmo depois de tanto tempo, ainda gostava deles e sabiam todas as canções era mágico. Estava sendo realmente uma experiência incrível e única. E estando agora muito mais madura do que naquela época, Dul sabia que estava aproveitando a turnê ainda mais do que naquela época.

Passou a manhã em seu quarto descansando até que Iliana veio chamá-la para ir a sessão de fotos. María trocou de roupa mas não se arrumou muito, pois sabia que lá iriam maquiá-la e lhes dar o que vestir. Colocou os clássicos óculos de sol, para o caso de haver algum paparazzi a espreita na saída do hotel. Colocou também uma de suas toucas estilo rastafári e prendeu o cabelo em uma trança pois não estava no melhor estado, tinha lavado ele pela manhã, mas deixara secar sozinho, sem fazer escova nem nada disso. Pegou uma bolsa de mão pequena, só para levar seu celular, carteira e outras coisas básicas. Encontrou sua equipe de assessores e desceu com eles de elevador até o lobby. Achou graça ao ver que todos os companheiros de grupo estavam de óculos escuros como ela e alguns deles de touca ou boné também. Como sempre fazia, Dul se aproximou deles cumprimentando a todos e depois ficou perto de Anahí. Era evidente que ela era a pessoa mais próxima de Dulce na banda, ainda mais naquele momento. As duas trocaram algumas palavras enquanto o pessoal da produção não os chamava para entrar na van.

Menos de cinco minutos depois eles estavam a caminho estúdio de fotografia. A saída do hotel fora um pouco tumultuada. Além dos paparazzis e jornalistas, havia uma centena de fãs esperando para vê-los. Monterrey era uma das cidades com maior público do RBD no México. Dul tentou acenar para eles, mas provavelmente nem foi vista, pois havia uma barreira enorme de seguranças cercando o caminho deles. Chegaram ao estúdio da revista “People en Español” e logo na entrada havia uma equipe de umas trinta pessoas esperando por eles. Os conduziram para dentro, direto para os camarins. Quando Dulce se deu conta já havia uma pessoa fazendo seu cabelo e outra maquiando-a. Um staff muito ágil e eficiente, sem dúvidas. Em poucos minutos todos já estavam impecavelmente arrumados para as fotos. A ruiva tinha adorado o look retro que haviam escolhido para eles. Ficou reparando em suas roupas e nas de seus colegas de grupo também. Um em especial...

Christopher era aquele tipo de homem que, apesar de ter uma beleza comum, conseguia tirar o fôlego das mulheres em alguns momentos. Sua eterna cara de menino e seu corpo forte de homem eram a combinação perfeita. E com o cabelo arrumado e bem-vestido como estava, parecia uma obra de arte. Dulce quase não conseguiu tirar os olhos dele. E como havia decidido iniciar o plano de “reaproximação” naquele dia, não tentou disfarçar que o estava encarando. Chris percebeu e até ficou um pouco constrangido com os olhares da companheira de grupo. Outra que percebeu foi Anahí, que apenas tentou conter o riso e lançou alguns olhares de incentivo a amiga.

Logo o fotógrafo e seu assistente vieram chamá-los para começar o ensaio. Pablo era o nome dele, Dulce já o conhecia de outras sessões que fizera em carreira solo. Ele explicou que primeiro seriam tiradas as fotos em grupo, com os 6 juntos. Depois as fotos individuais e depois ele faria algumas em dupla ou em trio se achasse necessário. Dul fez um desejo interno de que ele soubesse do “poder” dos casais do RBD, Vondy e Ponny, e que propusesse que tirassem fotos juntos. Seria perfeito para ela ter um momento mais próximo e íntimo com Ucker e mostrar para ele quais eram suas intenções. Então Pablo começou a fazer as fotos, dizendo onde cada uma deveria ficar. Todos lado a lado, depois as meninas de pé e os garotos agachados na frente, depois todos sentados no chão. Foi a parte mais complicada e cansativa da sessão, já que a cada pose, todos tinham que se arrumar em seu lugar e ficar na posição perfeita para só depois serem feitos os cliques. As fotos individuais eram bem mais simples e a troca de poses e figurinos eram mais rápidas.

Dulce María estava acostumada com aquele tipo de trabalho, então nem precisava ser dirigida pelo fotógrafo, ia se movendo e sorrindo diante dos flashes. Sentiu um frio na barriga e uma satisfação enorme ao perceber que Christopher era um dos que havia parado para observá-la enquanto era fotografada. Na vez dele, é claro que Dulce fez o mesmo. Ficou assistindo e até deu algumas dicas já que claramente ele não se sentia tão à vontade quanto ela naquela situação. Christian, como sempre, foi responsável por grande parte da diversão e das risadas naquela tarde. Seu jeito irreverente e suas gracinhas seguiam presentes até mesmo durante as fotos. Maite, com sua eterna imagem de mulher fatal tirou de letra a sua sessão individual, assim como Anahí. Poncho fazia mais a linha de Christopher, tinha uma aparencia ótima e sorrisos perfeitos, mas as vezes não sabia como se comportar para as câmeras. De modo geral todos se saíram bem o Pablo ficou satisfeito com o resultado. Pelo menos até ali. Ele pediu uma breve pausa anunciando que voltaria para mais fotos em dez minutos.

- Fazia tempo que eu não tirava tantas fotos – se queixou Maite massageando as bochechas – Não aguento mais sorrir.

- Ahhh fala sério! - provocou Christian que era, entre todos da banda, o melhor amigo da morena – Se a rainha das telenovelas não está aguentando o tranco, então nós estamos todos ferrados.

- Não exagera Chris – retrucou Mai – Acho que todos estávamos um pouco enferrujados. Nossas carreiras solo podem até ter ido bem, mas nada se compara a essa rotina do RBD. Fora que nós não temos mais 20 e poucos anos.

- Ela tem razão – disse Poncho entrando na conversa. Os seis prestavam atenção a conversa pois estavam em um circulo – E sessões de foto nunca foram muito a minha praia...

- Nem a minha -  concordou Ucker sorrindo. E então Dulce, que estava ao seu lado, não conseguiu resistir e comentou:

- Eu achei que você foi muito bem – ela a olhou surpreso e ficou sem resposta. O que poderia ser uma coisa ruim, mas na verdade não era. Dul adoro a forma como ele ficou com a boca aberta olhando para ela sem dizer nada, um pouco confuso e sem graça.

- Terminou o descanso, vamos voltar as fotos. Listos, chavos? - falou Pablo surgindo do nada e pegando todos de surpresa. Dul ficou um pouco frustrada de ter que interromper seu momento “flerte” com Ucker e rio a ver Any revirando os olhos sem que o fotógrafo pudesse ver. Rolou uma troca de olhares divertida entre os seis antes de todos responderem juntos.

- Listos!!!

Primeiro Pablo pediu que para tirar algumas fotos apenas com as garotas e depois apenas com os garotos. O que fazia todo o sentido e era algo comum de fazerem em sessões com o grupo. Já tinham se passado mais de duas horas desde que eles tinham começado a fotografar e Dulce temia que estivesse chegando ao fim. E ela ainda não tinha tido nenhuma oportunidade de se aproximar mais de Christopher e jogar seu charme para ele. Foi então que o fotógrafo disse que ia tirar algumas imagens em dupla. A ruiva abriu um sorriso enorme e já começou a bolar mil ideias em sua cabeça. Ninguém pareceu notar, felizmente. Primeiro Pablo chamou Anahí e Poncho que mostraram que os anos não haviam diminuído a imensa química que eles tinham. Em seguida, como Dul já suspeitava, ele chegou ela e Ucker para posar juntos. Seu coração bateu forte de ansiedade, mas ele tentou controlar os nervos, porque precisava se concentrar em sua “missão”.

Logo de cara o fotógrafo pediu que Chris abraçasse Dulce por trás, passando os braços pela cintura dela. Ele o fez, tomando cuidado para manter certa distância do corpo da companheira de grupo. Mas Dul não achou aquilo suficiente e foi se aproximando dele conforme as fotos eram tiradas até ficar com as costas coladas ao peito dele. Era tão bom poder estar em seus braços novamente, ainda que fosse apenas uma pose para sair em uma revista. Além de estreitar o abraço ela exagerou nos gestos e nos toques que percorriam os braços dele mais do que necessário. Depois, sem que Pablo tivesse dito nada, María se virou de frente para Ucker, para mudar de pose, e enroscou seu pescoço com os braços. Fora um movimento ousado. Ela nem quis saber se os outros estavam olhando, porque se estivessem, com certeza notariam que ela estava bem “atirada”. Então a ruiva apenas continuou com as insinuações esperando que a pessoa mais interessada, no caso Christopher, notasse.

Dulce colou o rosto com o dele enquanto ainda o abraçava e pode sentir que sorria pela pressão que sua bochecha fazia na dela. Aquilo só podia ser um bom sinal. Pablo pareceu adorar aquela proximidade dos dois, pois não parava de bater uma foto atrás da outra. E agora que a ruiva tinha começado, iria até o fim com aquele “jogo”. Virou o rosto e deu um beijo no roto de Chris. Sentiu que ele se sobressaltou na hora, mas depois relaxou, voltando a posar para a câmera. Pode-se ouvir o fotógrafo dizendo: “Muito bem! Magnífico! Perfeito, perfeito!!”. Aos poucos Christopher ficando mais solto do que estava no começo da sessão. Começou a acompanhar os movimentos da parceira e a deixar que ela pintasse a bordasse com ela. E foi isso que Dul fez o tempo todo. Quando Pablo disse que havia terminado a ruiva ficou visivelmente desapontada, achando que tinha sido rápido demais. Depois, através de Any, descobriu que na verdade eles tinham ficado fotografando quase que o dobro do tempo que ela e Poncho tinham ficado.

Nesse momento a loira aproveitou para confirmar suas suspeitas de que Dulce estava se jogando deliberadamente pra cima de Ucker. Não houve problema algum em confessar a verdade a amiga naquele momento, afinal María estava em uma vibe tão destemida que não se importou. Enquanto era a vez de Maite e Christian posarem em dupla, os outros ficaram no backstage esperando para ver se o fotógrafo iria querer mais fotos, antes de voltarem ao camarim para trocar de roupa. Dul aproveitou para tentar se aproximar novamente de Christopher e tentar dar continuidade ao seu plano. Ela foi andando na direção dele, sem disfarçar. Ele a olhou e percebeu que estava indo em sua direção. Logo em seguida o moço chamou Poncho que estava ao seu lado e começou uma conversa super empolgada com ele. María parou a alguns passos dos dois e ficou pasma.

Então ele a estava evitando? Durante as fotos não havia par onde correr, mas agora nos bastidores ele tinha deixado claro que não queria papo com a ruiva, pelo menos não a sós. Dulce cruzou os braços aborrecida e voltou a andar até onde Ucker estava. Parou ao seu lado e ficou quieta, só prestando atenção na conversa deles, esperando alguma deixa para mandar Alfonso passear e poder falar com seu amado em paz. A deixa não surgiu, então Dulce percebeu que teria que se esforçar um pouco mais se quisesse realmente chamar a atenção de Christopher. E enquanto as últimas fotos da sessão eram tiradas, ela bolou outro plano infalível. Pablo os dispensou e os seis foram até o camarim. Devolveram as roupas que usaram nas fotos e as garotas tiraram a maquiagem e desfizeram seus penteados. Dul, já colocando seu novo plano em prática, enrolou mais do que o necessário para arrumar sua bolsa. E quando os outros começaram a deixar o camarim ela o chamou.

- Chris, você viu minha blusa por ai? - perguntou ela.

- Não, você não a esqueceu no estúdio? - disse ele tentando ser prestativo, apesar de soar distante.

- Não, eu a tirei aqui antes deles nos arrumarem, mas não estou encontrando... - ela usava todo seu talento de atriz para convencê-lo de que estava realmente preocupada com o sumiço da blusa. E afinal acertou que o espírito altruísta de Chris falaria mais alto. Ele acabou ficando pra trás com ela, para ajudá-la a encontrar a tal da blusa. A garota disse que era uma verde com detalhes brancos.

- Talvez você tenha esquecido na van... - disse ele depois de alguns minutos revirando os cabides que estavam pendurados em um suporte atrás dos espelhos.

- Não, tenho certeza que desci da van com ela – afirmou Dulce. Ela estava se empenhando tanto em sua afobação fingida que acabou derrubando sua bolsa no chão. Como ela estava aberta, acabou esparramando todo seu conteúdo no chão, aos pés de Ucker, inclusive a blusa verde.

- Era essa blusa que estava procurando? - perguntou ele confuso pegando a peça do chão.

- Ahhh é essa mesma! - exclamou a ruiva nervosa, sem saber o que dizer a princípio – Não acredito que não percebi que ela estava aqui o tempo todo!

- É... inacreditável – comentou Chris irônico ao lançar um olhar irritado para ela começar a andar para a porta.

- Chris espera... eu...

Ela tentou pegar suas coisas no chão o mais rápido que pode para correr atrás dele e alcançá-lo. Mas ele já havia deixado o camarim e Dulce ficou falando sozinha. Seu plano tinha ido por água abaixo. Em vez de se aproximar de Christopher ela tinha acabo de afastá-lo ainda mais. Se ele não percebeu durante a sessão de fotos, agora tinha ficado evidente que ela estava fazendo de tudo para chamar sua atenção. Ela ficou resmungando de frustração enquanto pegava suas coisas e deixava o prédio. Ao chegar na van, voltou a tomar seu lugar isolado ao fundo. Não queria interagir com ninguém no momento. Estava constrangida e não conseguiria nem olhar para Chris. E também precisava pensar. Como poderia conquistar aquele garoto de novo? Ele já fora louco por ela uma vez, não podia ser tão difícil! Antes mesmo de chegar ao hotel ela já havia chegado a conclusão de que precisaria dos serviços da detetive Any novamente.

Ponto de vista do Ucker

Ucker entrou na van, pescou seus fones de dentro da mochila e ligou um rock bem alto. A ideia era fazer com que a música falasse mais alto que os problemas, porém havia um “zumbido” chato que não permitia que ele simplesmente desligasse suas emoções e focasse nos solos de guitarra.

Desde o episódio da briga com a Dulce após o show de estreia da nova turnê, Christopher resolvera esquecer a ruiva, deixar de lado aquela história complicada e focar no que era mais interessante no momento: a volta do RBD.

Porém, não era tarefa fácil ignorar a ex. Ele já estava tão acostumado a acompanhar todos os seus passos, tão adaptado ao seu modo de falar e agir que várias vezes se pegava precipitando suas ações, como se pudesse ler seus pensamentos. Entretanto, o cantor estava decidido a romper aquele elo invisível que o mantinha preso a Maria. Antes de deixar a turnê, Linda lhe dera um conselho: parar de valorizar tanto a ruiva, e era nisso que ele pensava quando se pegava a sós com ela. Além disso, ele ainda estava magoado por conta da falta de confiança de Dulce na palavra dele e das acusações que ela fizera na última conversa que tiveram, quando Maria o chamou de mulherengo e duvidou dos sentimentos que o cantor nutria por ela.

Claro que ele não gostava do climão que tomava conta do ambiente todas as vezes que eles ficavam a sós, mas não havia outra maneira. O único jeito de não ficar babando o ovo de Dulce era se afastar em definitivo dela.

Contudo, mesmo com esse objetivo tão fortemente traçado na mente, Ucker não conseguia negar: ela o fascinava. Era como um ímã que o atraía para a beira do abismo. E isso ficara bem claro naquele dia, durante a sessão de fotos quando ela forçou a barra para criar uma situação de intimidade em frente às câmeras que não existia mais na vida real. No começo, ele foi forte o suficiente para se negar a participar do joguinho da ruiva. Mas depois... Bom, o resultado ficara registrado pelas lentes e seria publicado como uma espécie de lembrete do quanto ele era fraco.

E era justamente essa sensação de fragilidade que o irritava agora. Porque por mais que ele quisesse evitar a Dulce, colocar a ideia em prática também o machucava. Criava uma sensação de vazio dentro do peito, e deixava os dias com uma espécie de paisagem morta, como se faltassem cores para preenchê-la. Claro que isso era uma contradição e não fazia sentido algum, mas quando se tratava de Dulce, o quê fazia sentido?

Talvez o amor fosse mesmo uma contradição... Ou talvez fosse somente a sua mente lhe pregando peças e fazendo com que tivesse recaídas. Fosse qual fosse a resposta, ele não queria pagar para ver. Aumentou o volume da música para calar os pensamentos, mas logo foi obrigado a diminui-lo novamente.

O telefone estava tocando. Era Santos, seu novo assessor. O rapaz não lhe acompanhara na sessão de fotos por conta do serviço acumulado que tinha para resolver. Ele chegara a pouco tempo, e Ucker reconhecia que adaptar-se a uma turnê em andamento e a todas as novidades que envolviam o RBD não era assim uma tarefa tão fácil. Além do mais, ainda tinha algumas pendências que ficaram para trás com a saída repentina da Linda. O novo assessor estava correndo contra o tempo para se atualizar de tudo.

- Bueno – O cantor contestou sem ânimo.

- Christopher, tudo bem? E a sessão de fotos? – O assessor quis saber. Os dois ainda não se conheciam muito bem, o que tornava os diálogos um pouco engessados e bastante formais.

- Tranquilo, tranquilo... O mesmo de sempre – Ucker disse tentando soar o mais convivente possível. A cena com a Dulce no camarim ainda estava na sua cabeça, zunindo como um pernilongo o impedindo de adormecer.

- Para vocês isso já é rotina, né? – Ouviu-se uma risada fraca do outro lado da linha – Bom, é o seguinte: Estou ligando para avisar que você foi convidado para a inauguração de uma boate aqui da cidade hoje à noite. Mandaram convites VIP’s, e parece que os outros integrantes da banda já confirmaram presença.

- Ahhh, cara... Não estou muito afim disso não – Ele desconversou. Andava tão descontente com a vida particular que agora tudo limitava-se a ficar no hotel vendo filmes e ouvindo músicas antigas. Vida social? Apenas compromissos que a carreira lhe obrigava a participar, e esse não era o caso.

- Mas estão todos comentando que vai ser o máximo... – O assessor insistiu, tentando disfarçar sua empolgação sem nenhum sucesso.

- Olha Santos, se você quiser ir, está liberado. Hoje o show deve acabar cedo, não temos nada agendado após a apresentação. Vai curtir a noite, você anda muito estressado, cara! – Ucker disse querendo desesperadamente encerrar aquela conversa. Ele só queria voltar para o seu rock e ficar sozinho. Será que era pedir demais?

- Poxa, sério? Então eu vou! – Dava para sentir a alegria do rapaz mesmo de longe.

- Espero que aproveite! Escuta, já estou chegando ao hotel. Aí conversamos, pode ser?

- Claro! E não esquece, hoje tem show com atendimento à imprensa antes da apresentação. Mas passo o cronograma completo quando chegar aqui. Até mais! – Com essas palavras ele desligou, deixando Ucker novamente a sós com a sua música.

Ele aumentou o volume e se deixou levar pelo solo da guitarra. Em certos momentos era melhor distrair a mente para não ouvir os gritos do seu coração.

***

Mais um show, mais um sucesso. Era incrível como a volta do RBD estava sendo aceita em todas as cidades por onde passava. O calor do público, o carinho dos fãs... Tudo parecia um sonho. E ainda havia aquela estranha ligação entre ele e Dulce, que voltava a acontecer em todas as apresentações, mesmo que ele se esforçasse para ficar longe dela. Era inexplicável. Quando menos espera, PÁ! Lá estava ele olhando para ela, dançando ao seu lado, executando movimentos em uma perfeita sintonia. Qual era a explicação para aquela força que o atraía para ela mesmo contra a sua vontade?

Naquela noite ele voltou para o seu quarto de hotel, tomou um banho, se jogou na cama e preparou-se para mais uma noite de solidão em seu quarto.

Pegou o violão e tentou fazer um som, mas sentia-se inquieto. Pegou o notebook e começou a fuçar as redes sociais para se distrair. Fazia calor, e mesmo com o ar condicionado ligado, ele sentia-se sufocado.

Foi nesse momento que o interfone tocou. Sem muita empolgação, ele atendeu a chamada.

- Christopher? – Era Santos - Só para avisar que estou indo para a inauguração da boate que falei. Combinei com o pessoal da equipe, o Christian e o Poncho também vão... Qualquer emergência estarei no celular, ok?

- Hey, espera! – De repente Ucker sentiu uma vontade estranha dominá-lo. Um desejo de esquecer tudo, de permitir-se viver como se alguém tivesse apagado suas memórias e não houvesse mais dor nem solidão – Tem lugar para mais um?

***

- Eu não acredito! Christopher Alexander Luís Casillas Von Uckermann resolveu sair do seu mundo privativo e vai se misturar aos meros mortais?

Ucker acabara de chegar ao andar onde Poncho e Christian estavam hospedados. Ele resolvera de última hora aceitar o convite para a noitada, e nunca se arrumou tão rápido: apenas vestiu uma camisa e uma calça que sabia lhe deixavam bem, colocou um boné, passou perfume e pegou a carteira. O cantor sabia que se demorasse muito iria acabar desistindo. Assim que saiu do elevador, foi recebido pelo eterno e inabalável bom humor de Christian.

- Não enche, cara! – Ucker murmurou, tentando não dar moral ao companheiro.

- Nossa! Quanto veneno, Uckerzito! Está faltando Dulce na sua vida? – O rapaz provocou, fazendo Alfonso e Santos, que também estavam por ali, caírem na risada. Pelo jeito, o seu lance com a ruiva não fora assim tããão discreto.

- Relaxa, Christopher! O importante é que vamos voltar aos velhos tempos! – Alfonso tentou quebrar o clima.

- Sim! O Rei Ucker vai colocar o corpinho dele na “pixta”! É hoje que essa boate vai ficar pequena! – Christian voltou a fazer bagunça com a cara do amigo.

- E não seria como antigamente se você não ficasse fazendo piada da minha cara, não é? – O cantor retrucou tentando manter um jeito marrento, mas no fundo adorando que os amigos o estivessem recebendo tão bem. Ele realmente andara meio afastado, completamente mergulhado no romance proibido que mantinha com a ex.

- É como eu sempre digo: Há coisas que nunca mudam! – Christian deu de ombros, brincalhão.

- Pessoal, adoro ver esse clima de confraternização entre vocês, mas precisamos ir. Não quero chegar quando o lugar estiver muito cheio, senão vamos acabar causando tumulto – Santos interferiu.

- Christopher, preciso falar uma coisa: Eu gostava muito mais da sua outra assessora. Ela era maluquinha, mas não ficava dando ordens para gente – Christian brincou, antes de dar uma piscadela amigável para o outro rapaz.

- Sem contar que era uma gata! – Alfonso palpitou – Ela não volta mais, cara?

- Não, por enquanto não... – Ucker tentou desconversar.

- Ahhh, pois eu gosto muito mais desse garotão aqui! Por mim, Lindinha pode continuar de férias! – Christian disse, dando mais uma piscada para Santos. Ucker pensou que o rapaz ficaria sem graça, mas ele devolveu a brincadeira em tom descontraído.

- Parem de melação vocês dois! Eu quero mesmo é saber das gatinhas da boate. E aí, vamos ou não vamos? Se demorarmos muito o Christopher vai acabar desistindo! – Alfonso falou fazendo careta para os amigos.

Não demorou muito para que todos estivessem acomodados em uma van, providenciada por Santos, a caminho da casa noturna. O clima no carro não poderia ser melhor. Como o pessoal costumava dizer na internet, a zueira não tinha limites. Não demorou para que Ucker entrasse na onda dos amigos e também começasse a brincar.

A boate tinha uma proposta bem moderna e despojada. Logo na entrada havia um espaço mais tranquilo, com um bar e alguns pubs para o pessoal fazer o famoso “esquenta”. Depois de passar por um curto corredor, os convidados davam de cara com a pista de dança e as luzes em neon agitando o local. O espaço fechado para convidados tomava uma das laterais da pista, e também era decorada com pufes, mesas altas e redondas com bancos também de tamanhos maiores e um bar exclusivo com barmans servindo o público com os mais diversos tipos de drinques.

A música estava boa, a companhia agradável e o melhor de tudo: a festa era open bar. Logo, não demorou para que os amigos, assim como o próprio Christopher, ficassem ainda mais animados e “soltinhos”.

Santos foi uma tremenda surpresa. O rapaz que era tão sério durante o trabalho, mostrou-se simpático, extrovertido e extremamente divertido durante a noite. Ele e Christian eram os que mais estavam curtindo a música.

Claro que não tardou para as meninas que estavam na pista reconhecerem os integrantes da banda e pedirem selfies junto com os cantores. A divisão entre os dois espaços era feita somente por barras de metais posicionadas horizontalmente, o que facilitava o acesso das garotas à área VIP. Bastava uma esticada de braço para garantir a foto.

No começo, tudo foi muito divertido. Os meninos do RBD interagiram com as fãs, dançaram, cantaram e brincaram. Todas estavam se comportando muito bem, sem histeria ou empurra-empurra. Porém, conforme a noite foi rolando e a notícia de que os integrantes da banda estavam curtindo a noite em uma boate se espalhou. Logo a casa noturna começou a encher de gente.

Mais seguranças foram chamados para garantir a ordem no local, mas não adiantou. Os convidados da área VIP começaram a reclamar da bagunça que o espaço havia se transformado. Por outro lado, Ucker e seus amigos não conseguiam sair do lugar onde estavam, porque a todo momento alguém os puxava para fotos e abraços.

A boate virou um tumulto e Ucker soube que tudo tinha dado errado quando sentiu os seguranças levantando ele do chão, colocando-o nas costas e carregando para o interior do bar. Quando Christopher se deu conta, ele estava em uma espécie de dispensa mal iluminada e repleta de garrafas de bebidas – cheias e vazias.

- Ahhh, está aqui a resposta. Eu sabia que tinha algo naquele whisky – Poncho apontou para um recipiente suspeito em uma prateleira próxima, logo depois de ter sido arremessado por outro segurança para dentro do quartinho.

Christian e Santos tiveram o mesmo tratamento “simpático” por conta da equipe da casa. Antes de deixá-los sozinhos, um deles virou-se e disse: o gerente já vem falar com vocês.

- Isso porque éramos convidados especiais... – Chirstian reclamou massageando um dos braços.

- A culpa é deles! Deveriam prever esse tipo de incidente – Santos voltou a assumir a postura séria e profissional – Mas fiquem calmos. Na pior das hipóteses ligo para um dos assessores do Pedro. Com o tanto de contatos que aquele homem tem, ele tira a gente daqui rapidinho...

- Acho que nesse momento o problema não é quem vai nos ajudar a sair, e sim como vamos fazer isso. Estamos literalmente sem saída. O único jeito de deixar a boate é encarando a pista de dança. O que, no momento, não me parece uma boa ideia – Ucker ponderou.

- Nossa, se vocês chegarem perto daquela pista mais uma vez é capaz de saírem de lá sem roupa. Nunca vi fãs tão focadas em agarrar e beijar alguém – O assessor disse em tom de brincadeira.

- Acho que é a volta do RBD. Isso mexe um pouco com o pessoal. Faz tempo que não somos vistos juntos em público juntos. Quanto mais confraternizando em uma balada... – Christian disse o seu ponto de vista.

- Bom, já que estamos aqui... Que tal mais uma rodada? – Ucker sugeriu escolhendo uma das garrafas de whisky da prateleira, tirando a tampa em seguida.

Era para ser apenas uma brincadeira, mas os amigos já estavam mais alegres do que deveriam, e por isso, muito suscetíveis a aceitar propostas malucas – Opa, demorou! – Poncho e Christian concordaram na mesma hora.

- Vão com calma aí, rapazes! Vocês já estão um pouquinho altos – Santos, o único que ainda estava sóbrio, aconselhou.

- Eu sugiro uma rodada de verdade ou desafio! – Christian disse pegando uma garrafa vazia que estava jogada em um canto e a colocou no centro da roda que haviam formado, mesmo sem perceber.

- Ai meu Deus, isso não vai certo... – O assessor bateu com a mão na testa.

- Beleza, bora lá... Vamos ver quem vai começar – Poncho se agachou para girar a garrafa. Após algumas voltas, o bico parou apontando para Ucker, enquanto o fundo estava direcionado para Christian.

- Opaaa... Agora vamos ver se o Uckerzinho é homem de verdade – Christian se empolgou com a possibilidade de desafiar o amigo – O que você escolhe, meu caro?

- Eu não tenho medo de você, cara. Pode mandar um desafio caprichado – Christopher respondeu de modo prepotente.

- Eu desafio você dançar a Macarena, sem camisa, e com direito a rebolada sexy no meio da coreografia – O rapaz ordenou – Porque você sabe, né Uckerzinho? Todos piram no seu rebolado. – Ele completou em tom zombeteiro.

O cantor aceitou o desafio de pronto. Rapidamente ele ficou de pé - pelo menos o mais rápido que conseguiu por causa da embriaguez - tirou a camisa de modo provocante e começou a fazer a coreografia de uma das danças mais famosas do mundo.

- Baila tu cuerpo con alegria Macarena... – Os outros rapazes ajudavam no coro batendo palmas e se divertindo muito. Ucker rebolava empolgado antes de dar um pulo, mudar de lado e repetir toda a coreografia novamente. Não demorou para que os parceiros de grupo se juntassem à bagunça, também tirando as camisas e caprichando na dança.

- Uhuuummm... – De repente alguém apareceu na porta – O que está acontecendo aqui?

O trio parou de pronto e encarou o responsável pela pergunta: um senhor baixinho, com cabelos e barbas grisalhas, bigode espesso e vestido em um terno com um belo corte.

- Está acontecendo a Macarena, ué! Nunca viu? – Ucker respondeu fazendo com que todos fossem obrigados a segurar o riso. O cantor não sabia o que estava acontecendo, mas naquela noite ele estava bem saidinho.

- Hum... Não ligue para eles, por favor. Estão apenas se divertindo. Com um pouco mais de empolgação que o normal, é verdade, mas quem pode julgá-los, não é mesmo? Todo mundo já dançou a Macarena uma vez na vida. – Santos interferiu na conversa – Mas e o senhor? Quem é?

- Sou o chefe da segurança. Fui encarregado de garantir que vocês deixem a boate de maneira discreta para evitar problemas – O cara do bigode respondeu.

- Peraí, deixar a boate? Isso quer dizer que estão nos expulsando? – Poncho fingiu estar ofendido.

- Nunca fui tão ofendido na minha vida! – Christian entrou no clima da farsa.

- O mínimo que eu espero é que, pelo menos, liberem uma garrafa de whisky antes de nos colarem no olho da rua – Foi a vez de Christopher falar.

- Olha rapazes, infelizmente vocês não podem permanecer na casa. Temos muitos fãs lá fora e seria perigoso para o bem-estar de todos.

- Poxa, mas justo agora que a coisa estava começando a ficar boa? – Christian lamentou.

- Certo, mas como vai fazer para que eles consigam sair em segurança? – Santos quis saber.

- Sugiro que vistam esses uniformes – Só aí eles perceberam que o senhor segurava um saco preto em uma das mãos.

- Uniformes? – Santos pegou o saco e o abriu. Lá de dentro saíram roupas usadas pelo pessoal da faxina. Eram jalecos, calças, botas e bonés, tudo em um tom de cinza chumbo desbotado e com manchas de material de limpeza.

- Peraí, moço! A gente tem dinheiro para pagar a conta! Não precisa fazer a gente lavar prato ou cuidar do banheiro – Ucker soltou mais uma pérola enquanto sentia o mundo rodar ao seu redor. A embriaguez fazia com que ele acreditasse que era engraçado.

- O plano é vocês fingirem que estão levando o lixo do bar para fora. Temos uma passagem mais reservada até a saída dos fundos. Com sorte, ninguém vai reconhecê-los – O segurança opinou.

- É um bom plano. Melhor do que chamar a atenção dos fãs... Vamos lá, chicos. Joguem as roupas de vocês no saco e vistam os uniformes. Enquanto vocês fazem a saída estratégica, vou pagar a conta e pedir para o motorista encontrá-los na saída dos fundos – Santos deu as ordens assumindo o papel de líder da missão – Por Díos, chega de Macarena por hoje, hein?

Dez minutos depois, os integrantes da banda já estavam disfarçados e segurando grandes sacos de lixo cheios de copos e garrafas de bebida. Com certeza, quem estava do lado de fora não entendeu nada quando viu três rapazes vestidos de faxineiros entrarem correndo em um carro carregando sacos de lixo e cantando Macarena sem parar.

- Esse é o tipo de história que vamos contar para os nossos netos. O dia que chegamos como os reis da balada e saímos como lixo, literalmente – Poncho brincou.

Do seu lugar da van, Ucker gargalhava. Fazia tanto tempo que não se sentia tão vivo daquela maneira. O envolvimento com a Dulce lhe trouxe muitos momentos bons, mas também trouxe muita tristeza. Era bom se sentir capaz de sorrir novamente, se sentir livre. Mesmo que fosse para fazer coisas idiotas...

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Notas finais: Mas gente, me diz como que pode acontecer tanta coisa num capítulo só? KKKK. Eu sei, isso é resultado das duas mentes muito criativas e frenéticas que escrevem essa fanfic! :P

Mas vamos analisar a evolução que vemos nesse capítulo. Como eu já havia dito, é uma FASE COMPLETAMENTE NOVA. Bem diferente de tudo que já vimos por aqui. Dulce se jogando literalmente para cima do nosso Ucker, enquanto o moço tenta de todas as formas evitá-la. Será que ele consegue por muito mais tempo? Sei não... E essa noitada dos garotos? Rendeu boas risadas né? Mas o que María vai pensar quando souber?

Respostas para essas e outras perguntas vocês conferem nos capítulos seguintes, amores!

Muito obrigada por lerem, e até a próxima!!

beijos, Sarah ;)

*** Leia o próximo capítulo: A vingança é um prato que se come frio


quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Una Cancion, c

Notas iniciais: Oi amiiiiigos o/ 
Não se assustem, isso não é uma miragem! É mesmo um capítulo novo de Una Canción! E aos que pensaram que tínhamos sido abduzidas eu esclareço: apenas sofremos alguns contratempos que nos impediram de atualizar antes. 
Mas aqui estamos de volta e espero que gostem de mais esse capítulo que dá o pontapé inicial a uma fase completamente nova da fic ^^ 
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Ponto de vista de Dulce

Furiosa. Era assim que Dulce estava se sentindo enquanto se afastava a passos largos do camarim. Ela não sabia o que a havia irritado mais. O fato de ver Christopher e Linda se beijando ou a cara com que eles a olharam quando entrou interrompendo-os. Tinha sido uma cara de total espanto e constrangimento, como se ela tivesse pego os dois fazendo algo errado. Não, não era nem uma coisa nem outra. O que deixava Dul realmente furiosa era que eles, na verdade, não estavam fazendo nada de errado. E ela não tinha porque se sentir tão enganada daquela forma. Afinal, não havia nada entre ela e Ucker, e mesmo que houvesse, eles estavam brigados. Christopher era livre para fazer o que quisesse. Ainda assim, ela não conseguia deixar de sentir essa imensa raiva que a consumia. Tudo porque seus planos haviam ido por água abaixo. Achava que enfim poderia assumir o que sentia por ele e serem felizes para sempre. Mas agora se sentia boba e estúpida por ter pensado aquilo.

Só queria correr para bem longe deles. Queria sumir, encontrar um buraco bem fundo e se enfiar nele. Como poderia sobreviver se aquela montanha-russa de emoções continuasse acontecendo? Ela se sentia tão feliz há poucos minutos pelo show e por ter enfim se livrado de Luis Rodrigo. E agora parecia que só havia mágoa e ódio dentro dela. Quando estava quase alcançando a porta por onde todos deveriam sair do local do show para pegar a van e ir para o hotel, Dulce ouviu uma voz chamando-a e em seguida uma mão segurou seu braço. Ela soube quem era antes de se virar para encará-lo. Tentou manter a expressão séria e firme. Não queria demonstrar o que estava sentindo. Mas só de olhá-lo ela sentia que iria desabar.

- Dulce, espere. Preciso falar com você – ele estava ofegante. Devia ter corrido até ali para alcançá-la. A raiva de María era demais para ela sequer se perguntar o porquê.

- Já estou indo embora, Christopher, não pode deixar para depois? – desconversou ela como se não estivesse acontecendo nada de mais.

- Não, não posso deixar para depois – insistiu ele apreensivo – Escuta, aquilo que você viu, bem... Não é o que parece. Quer dizer, há uma explicação para aquilo, ok?!

- Certamente há uma explicação – respondeu Dul deixando o tom de voz subir. Ela estava começando a se exaltar e sabia que já não teria como voltar atrás – Uma explicação bem simples. Você não passa de um mulherengo como dizem por aí. Que fica com as companheiras de grupos, com as assessoras e sabe mais com quem!

- O que?! - perguntou ele estupefato com as acusações dela – Não é nada disso! Não sou nenhum mulherengo, não fico com várias assim. E você sabe muito bem disso!

- Se não é isso então o que é, Chris? Nós mal brigamos e você já está aos beijos com a Linda – questionou a ruiva quase aos berros – Realmente não achei que você fosse assim, me surpreendeu...

- Quer saber? A culpa de tudo isso é sua! - rebateu ele, também começando a se irritar - Foi você que não quis acreditar em mim, por isso nós brigamos! E você mesma disse, estávamos brigados então porque eu teria que te dar satisfação? Não deveria nem ter me dado ao trabalho de vir até aqui explicar nada!

- Tem toda razão – concordou ela ríspida. Seu coração estava acelerado e a raiva ameaçava encher seus olhos de lágrimas. Mas ela não podia se permitir começar a chorar naquele momento. Tinha que sair daquele impasse de cabeça erguida – Não tem que me explicar absolutamente nada! Afinal de contas, não estava acontecendo nada mesmo entre a gente, lembra? Bom, pelo menos parece que não significou nada...

O desapontamento e a mágoa, tão nítidos no olhar de Chris, quase fizeram Dulce perder a pose. Ela sentia que iria se desfazer em pedaços caso ficasse um segundo a mais perto dele. Então lhe deu as costas e atravessou a porta. Se obrigou a não pensar no que havia acabado de ocorrer. Se o fizesse, já sabia o que aconteceria. Se daria conta da tremenda burrada que fizera e saberia que havia estragado tudo, de novo.

Ponto de vista de Ucker

Má sorte, inferno astral, destinos cruzados... Enquanto voltava para o hotel Ucker tentava encontrar respostas para tudo o que havia acontecido nos últimos dois dias.

Não fazia muito tempo ele e Dul estavam vivendo em verdadeiro mar de rosas e agora tudo parecia um pesadelo. A briga com a ruiva, o beijo com a Linda, o flagra que a ex lhe deu no camarim... Ucker era capaz de jurar que havia alguém por trás disso tudo, algum tipo de conspiração que desejava separá-lo de Maria e lhe causar muitos problemas. Poderia ser até mesmo o noivo da garota, o tal de Rodrigo... Por que não?

Porém, ao fechar os olhos e encostar a cabeça no banco da van que levaria ele e todo o restante da banda de volta ao hotel, ele se obrigou a ser racional. Tudo aquilo era real e não existia conspiração alguma, e muito menos má sorte que pudesse explicar o ocorrido.

A única e absoluta verdade é que ele sabia que a história entre ele e Dul acabaria terminando daquele jeito. Desde o início, aquele romance proibido estava destinado a ter um final triste. Afinal, desde que começaram os ensaios para a banda a ruiva demonstrara que não confiava nele e que não estava disposta a mudar sua opinião.

Ela, inclusive, fizera de tudo para se afastar dele. Mas ele, muito teimoso, continuou insistindo, indo atrás e implorando que ela fosse solidária e lhe oferecesse pequenas doses do seu amor.

Agora, depois de tudo terminado, ele enxergava o quanto fora tolo. Mas era claro que aquilo nunca ia dar certo! Se ela quisesse mesmo ficar com ele, não ficaria fingindo que nada estava acontecendo enquanto eles se pegavam e beijavam às escondidas.

Ucker aceitara cegamente todas as condições da ruiva, fizera de tudo para ganhar o seu coração e confiança, para ser merecedor de seus mais nobres sentimentos e tudo que recebera em troca foi uma bela surra. Porque mesmo que Dul não tivesse sequer encostado um dedo nele, era assim que Christopher se sentia. Todas as acusações que a ex lhe jogara na cara, o acusando de inventar mentiras do noivo apenas para conquistá-la, chamá-lo de mulherengo e insinuar que ele não se importava com ela, já que fora flagrado aos beijos com Linda.

Era como se tivessem voltado aos tempos da caça às bruxas. Dulce julgara Christopher sem nem sequer ouvir o seu lado. Sem nem se preocupar em lhe oferecer uma chance de defesa. Enquanto ele estava sendo cauteloso e analisava o melhor momento de contar a ela sobre a traição de Rodrigo, Maria tomou suas próprias decisões sem parar para pensar nele por um segundo que fosse.

O cantor se obrigou a abrir os olhos para encarar o mundo de frente. Ele não sabia o que doía mais: a falta de confiança de Dulce ou as insinuações de que ele era um mulherengo insensível. Seu coração queimava com uma mistura de emoções que ameaçava dominá-lo: raiva, mágoa, tristeza, desilusão... Nem mesmo a apresentação perfeita que o grupo acabara de fazer conseguia fazer com que se sentisse melhor. Naquele momento, lhe parecia um tremendo insulto que o resto do mundo continuasse vivendo, que as pessoas continuassem tocando a sua vida quando tudo o que ele mais queria era gritar, despedaçar o amor que sentia pela Dulce em mil pedaços, acabar com aquele sentimento que o consumia por dentro, que roubava as suas forças e que o traía sempre o arrastando para perto dela.

Aquilo precisava acabar. Era hora de deixar o amor pela ruiva para trás. Era hora de encontrar novos caminhos, explorar novas possibilidades, de se concentrar mais em si mesmo e na sua carreira e, principalmente, encontrar novas formas de amor. Para ele, as velhas fórmulas já não funcionavam mais, ou talvez funcionassem apenas em cima do palco.

Christopher coçou a cabeça enquanto via as ruas da cidade passar pelas janelas da van. Talvez fosse realmente aquilo. Qualquer que fosse o sentimento que o ligava a Dulce, só existia debaixo dos holofotes e em frente ao público. Ali ele era real, plausível, invencível. Fora dali, no entanto, ele se tornava algo frágil, destinado a se quebrar diante dos problemas da vida real.

Talvez fosse um erro querer que um elo tão delicado sobrevivesse em um mundo tão complicado. Talvez a solução fosse, justamente, rompê-lo de vez.

***

Christopher não queria subir para o seu quarto. Sabia que ficar sozinho naquele cômodo não lhe ajudaria em nada naquele momento. A melhor atitude a se tomar era esfriar a cabeça, para só depois planejar os seus próximos passos com calma. Tinha tanta coisa ainda para pensar: a turnê de shows que começaria de verdade dali em diante, o clima péssimo entre ele e a Dul, a sua situação com a Linda...

O cantor seguiu até a área onde ficava a piscina e sentou-se na borda, arregaçando a borda da calça até a altura dos joelhos antes de mergulhar o pé na água. O clima estava agradável, o tipo de noite que pede uma volta ao ar livre ou um passeio com os amigos.

Ele pescou o celular no seu bolso e ficou fuçando o Instagram em busca de comentários das fãs sobre a primeira reapresentação do RBD. Encontrou várias fotos e vídeos. Ler os comentários dos fãs era algo que sempre preenchia a sua alma de alegria. Uma espécie de bálsamo capaz de curar qualquer mal. E claro, não poderia faltar a opinião das Vondy’s! Ucker riu ao ler uma garota afirmando que a chama entre ele e Maria não havia acabado. Ahhh, se ela soubesse toda a confusão que aconteceu antes do show… As fãs nem desconfiavam das brigas entre ele e Dul.

Estava tão distraído que nem percebeu quando um funcionário do hotel se aproximou e perguntou se ele desejava algo. Ucker pediu um mojito, um dos seus drinques prediletos. A bebida o ajudaria a relaxar.

Não demorou para que o garçom retornasse com seu pedido.

- Muchas gracias! – O cantor disse antes de desviar o olhar do seu celular e estender o braço para pegar a bebida. Quando percebeu quem estava trazendo o seu drinque, o rapaz congelou com a mão ainda no ar, suspensa.

Parada ao seu lado estava Linda, segurando dois copos, um em cada mão.

- Tá, não precisa fazer essa cara! Eu não mordo! – Ela se defendeu, esticando o braço em direção ao amigo para que ele pegasse a sua bebida.

- Linda, eu... – Ele começou a falar, mas parou no meio da frase porque não sabia como continuar. Tudo o que ele menos desejava era ter uma conversa com a assessora. O plano era deixar a poeira baixar e só pensar nas consequências daquela noite no dia seguinte com a cabeça e o corpo descansados.

- Eu já sei! Você vai falar que esse não é o melhor momento – Ela insistiu, ainda lhe oferecendo a bebida – Mas eu preciso que você saiba disso por mim – A morena fez uma pausa como se quisesse tomar coragem antes de continuar – Eu acabei de pedir para o pessoal do escritório antecipar as minhas férias. Um outro assessor já está a caminho para te acompanhar daqui em diante. Ele irá te encontrar na cidade onde acontecerá o próximo show.

Apesar de tentar manter a voz firme, Ucker percebeu pelo seu olhar que aquela não fora uma decisão fácil para a amiga. Ele só não conseguia entender o porquê dessa mudança tão repentina de comportamento. - Mas Linda... – Christopher tentou argumentar, mas estava chocado demais. A assessora o acompanhava em turnês e compromissos de trabalho desde que iniciara a carreira solo. Era difícil imaginar a sua vida profissional sem ela. E não era só nesse aspecto que ele sentiria a sua falta. Os anos de convivência fizeram com que os dois se tornassem amigos, companheiros. E agora ela estava tomando aquelas atitudes tão insensatas... Era difícil de compreender.

- Linda, o que diabos está acontecendo com você? – Ele perguntou por fim, quebrando o silêncio que se formou entre os dois e finalmente pegando o copo que a assessora estava oferecendo.

- Eu estou parecendo uma louca, né? – Ela soltou uma risada amarga.

- É, está! – Christopher se viu obrigado a concordar.

- Posso me sentar? – Ela apontou o lugar ao seu lado com a cabeça. Ucker assentiu e ofereceu-se para segurar o seu copo. Não demorou para que a assessora se posicionasse na beirada da piscina, imitando o gesto do companheiro e colocando o pé na água. Como estava de vestido, ela apenas subiu a barra até o joelho para que não molhasse.

- Acho que eu acabei me deixando levar por toda essa magia de RBD... – Ela confessou olhando para a água e dando um gole na sua bebida.

- Como assim?

- Quero dizer que antes eu ouvia todo mundo falar desse lance que acontecia entre você e a Dulce, esse amor, a troca de olhares, os gestos... Mas eu não acreditava. Quer dizer, eu sabia que isso era fruto de uma ação de marketing, que vocês encenavam um suposto relacionamento em frente aos fãs para vender o casal da novela e porque isso chamava mais atenção do público... Enfim, havia mil razões. Quando eu comecei a trabalhar na sua equipe, você mesmo me confirmou que era uma encenação e tudo mais. E sei lá, acho que eu sempre fui tão focada em trabalhar e em conquistar o meu espaço que acabei deixando esse lance de amor de lado. Nunca tinha me envolvido com ninguém de forma séria, acho que nunca vivi um amor de verdade... – A morena foi falando com a voz baixa, como se as palavras estivessem realmente saindo direto do seu coração.

- Realmente, Lin. Desde que nos conhecemos eu nunca te vi com ninguém. Sempre estivemos na estrada, longe da família e dos amigos... – Ucker relembrou.

- Pois é... E aí, quando eu vi o jeito que você olha para a Dulce, a forma como fala dela, todas as loucuras que é capaz de fazer em nome do que sente. É incrível como o seu olho brilha quando ela se aproxima... E hoje, naquele palco, vocês dois juntos... Eu já tinha visto vocês cantando, mas hoje foi diferente, foi muito mais intenso. Foi tão perfeito que o meu coração bateu mais forte – Ela respirou fundo antes de tomar coragem para olhar para Ucker nos olhos – O que eu quero dizer é que dá para perceber que é real. E acho que todo mulher sonha em ser amada dessa maneira. Em viver algo que é tão forte que nem o tempo, ou fato dela ter um noivo, nem nada nesse mundo é capaz de destruir. E eu meio que me deixei levar por esse sentimento, eu queria ser a Dulce, entende? Eu queria estar no lugar dela, queria receber esse amor.

- Poxa Linda, acho que eu nunca vi esse seu lado. Estou tão acostumado com a Linda brincalhona, amiga e descolada que esqueci que você também é uma mulher, e no fundo todas querem ser amadas – Christopher comentou, pegando a mão da amiga e a segurando.

- É exatamente isso! Eu nunca liguei para essas coisas, mas acho que esse instinto feminino tem falado mais alto nesses últimos tempos. Eu assumo, fiquei com inveja – Ela riu da sua própria sinceridade – Eu acompanhei tudo o que você fez para reconquistá-la desde que voltou para a banda e comecei a achar a sua atitude muito bacana, você se comporta como todo cara deveria se comportar em relação a uma mulher.

- Devo considerar isso um elogio? – Ele colocou a mão no peito, fingindo se sentir orgulhoso.
- Até pode ser, se não levarmos em consideração que você demora um pouco para tomar atitudes, né? Eu tive que dar vários empurrões para que vocês ficassem juntos – Ela zombou enquanto o amigo fazia cara feia, em protesto.

- Mas Ucker, o principal é o seguinte: Tudo isso serviu para me mostrar que está na hora de cuidar um pouco mais de mim, da minha vida pessoal, dos meus amores. Acho que eu me envolvi tanto com a sua carreira e me tornei tão sua amiga que acabei me apossando dos seus problemas também. Quando vi que a Dul não estava te dando valor, que não acreditou em você sobre o lance da traição, eu não sei explicar, mas de todas as formas eu queria te mostrar que você é mais do que isso. Acho que eu queria dar o destino certo para esse amor que você sente. Seria certo se eu realmente sentisse algo por você, mas não é esse o caso. Acho que é mais carência, misturada com um carinho grande entre amigos.

- E o fato de que você não resiste ao meu charme, claro! – Ele brincou para quebrar o clima pesado.
- Aff Ucker, faz anos que te vejo rebolar. Se não caí nos seus encantos até agora, acho que é porque desse mal eu não morrerei! – Ela rebateu em tom ácido - Mas é isso... Eu queria te pedir desculpas por toda a confusão que te fiz passar. Eu meti os pés pelas mãos...

- Tudo bem, Lin. Eu entendo. Acho que todo mundo passa por isso um dia – Ele assentiu – Mas vou ficar chateado sem você por perto. Te considero uma amiga de verdade.

- Ahh, mas que menino mais fofo! – Linda apertou as bochechas de Ucker em forma de deboche – Não chore, Uckerzito. Boatos que a nova assessora é bem bonita!

- Não, não! Estou fora de confusão, por favor! Acho que até prefiro que seja um homem – Ele se apressou em opinar.

- Está traumatizado depois do que a Dulce fez?

- Sim, estou. Quero ficar na minha, focar na turnê, aproveitar esse momento. Chega de correr atrás de quem não me dá valor! – Ele confessou.

- Uaaau, não acredito que vivi para ouvir isso! É assim que se fala, Uckerzinho! Chega de rastejar pela Maria. Dignidade! – A morena provocou.

- Vou seguir o seu conselho, Lin. Terei muita dignidade daqui em diante.

- É o melhor que você faz. Às vezes, a gente precisa abrir mão de certas coisas na vida. Não porque elas não são boas, mas simplesmente porque não são para a gente.

- Nossa Lin, filosofou agora, hein? – Foi a vez de Ucker provocar.

- Sim, e é com esse momento de sabedoria que eu me despeço por hoje – Ela ficou de pé de repente, deixando o seu copo, agora vazio, na beira da piscina – Vou embora amanhã de noite, depois que vocês embarcarem para o próximo show. Então passe no meu quarto para se despedir, combinado? Prometo não te agarrar, nem nada do tipo. Estou sobre controle agora.

- Combinado! – Ele disse rindo do comentário.

- Sendo assim, buenas noches! E vê se dorme um pouco! – Ela mandou um beijo em sua direção e se virou, seguindo em direção ao saguão.

- Linda – Ucker chamou. Ela parou e virou em sua direção, o encarando com uma expressão surpresa – Só quero que você saiba que você é uma mulher maravilhosa. Não só de beleza, mas em caráter. E tenho certeza que você vai encontrar alguém que saiba valorizar tudo isso, alguém disposto a te fazer feliz. Você ainda será muito amada, Linda. Porque é isso que você merece...

Christopher ouviu ela murmurar um “gracias” baixinho antes de voltar a seguir para o carro. Era a primeira vez que ele via a morena chorando. E de repente se deu conta de que a Linda poderia ser uma ótima companheira. Em outras circunstâncias, talvez pudesse ter dado certo. Mas não agora. Naquele momento, ele só queria paz para o seu coração.

Ponto de vista de Dulce

Dulce se arrependeu de tudo que disse a Christopher assim que voltou para a hotel na noite anterior. E naquela manhã em que eles deixavam o local, rumo ao aeroporto para sua primeira viagem da Turnê do Reencontro, ela simplesmente não sabia como agir. Nem na frente dos companheiros de grupo, muito menos na frente de Ucker. Nem mesmo na frente de seus assessores. Mas os seus quase 30 anos de carreira haviam lhe ensinado a lidar com aquele tipo de situação. Esconder as emoções, ser profissional, encarar a rotina massante de shows e entrevistas que estava por vir. Tudo isso sem que ninguém se desse conta da bagunça que existia dentro dela.

Sem ânimo algum para se arrumar naquela manhã, Dulce apelou para o look clássico boné mais óculos escuros. Não queria que ninguém visse seu cabelo desarrumado e suas olheiras, muito menos que viessem perguntar se estava bem. Pegou o elevador com Iliana e algumas outras pessoas de sua equipe que já sabiam reconhecer o humor da ruiva, portanto não perguntaram nada. Sequer conversaram entre si. Quando alcançaram o saguão de entrada, vários dos companheiros de grupo já estavam ali esperando. Dulce logo percebeu que havia sido quase a última a chegar. Só faltava Pedro Damian e Alfonso. Pelos comentários que ela ouviu depois de cumprimentar a todos com um aceno, Poncho estava com algum problema para fazer o check-out. Aquela enrolação para saírem era péssima para os planos de Dul. Christopher estava a apenas alguns passos dela e seus olhos insistiam em ser atraídos para ele.

Os óculos de sol ajudavam-na a espiá-lo sem que percebesse. Dulce não pode deixar de notar um fato muito importante. Linda não estava com Chris. Nem perto dele e nem em lugar nenhum na recepção do hotel. Ela sabia porque fez questão de varrer o local inteiro com olhos logo que deu pela falta da assessora. Aquilo era muito estranho. Christopher não ia a lugar nenhum sem Linda. E depois que María viu os dois se beijando, achava que não iam se desgrudar mais para absolutamente nada. Não fazia o menor sentido que ela não estivesse ali com suas malas, pronta para embarcar com o RBD na turnê. Pedro e Poncho já estavam chegando e sairíam no máximo em 5 minutos. Era um dos momentos mais importantes no retorno da banda, não era possível que ela não iria viajar com eles. A curiosidade era tanta que Dulce resolveu ir até Ucker perguntar. Mesmo que aquilo fosse muito inapropriado para o momento que os dois estavam vivendo.

- E a sua assessora? - disse ao se aproximar do companheiro de grupo, como quem não quer nada – Está atrasada ou já foi na frente?

- Ela não vem com a gente. Vai ficar aqui na capital – respondeu Christopher seco, sem dar maiores explicações.

- Hmmmm – murmurou Dulce levantando as sobrancelhas, sem coragem para perguntar mais nada.

A frieza dele havia acabado com suas estruturas. Já não bastava ela estar se sentindo um lixo pela forma como falara com ele no dia anterior, agora, depois dessas poucas palavras, percebeu que Chris não queria papo com ela. Pior do que isso, estava mais do que claro que ele a odiava. Com certeza a odiava muito! Tinha motivos suficientes para isso. Por mais que tivesse doído ver ele beijando outra, nada justificava a forma como ela agira. Acusando-o e dizendo que o que havia entre eles não tinha sido nada. Por que deixara a raiva tomar conta dela dessa forma? Por que, quando se tratava de Christopher, tudo tinha que ser tão complicado? Ela sentiu um nó na garganta e os olhos marejados, mas se esforçou para não deixar nenhuma lágrima cair. Os óculos de sol não poderiam escondê-las, se escorressem por seu rosto.

Quando saíram pela porta da frente do hotel, havia um paredão formado por seguranças cercando a van onde eles deveriam entrar. Muitos fãs ainda estavam ali esperando a saída do grupo. Dul sabia que vários deles provavelmente passaram a noite acampados na rua só para poder ter uma chance de ver seus ídolos de perto ao menos por alguns segundos. Mesmo depois de tanto tempo, ela ainda se impressionava com o que os fãs eram capazes de fazer por eles. Tudo em nome desse amor incondicional que tinham pelo RBD. Por isso que, mesmo estando no seu pior humor, Dulce fez questão de abrir um sorriso e acenar para eles. Não chegou perto para dar autógrafos nem tirar fotos por que a produção já informara que não havia tempo para isso. Ela aproveitou a pressa geral para ir na frente e entrar primeiro no carro. Queria pegar um assento bem no fundo, onde poderia ficar sossegada e sofrer em paz.

Os companheiros de grupo e Pedro entraram logo depois ocupando os bancos do meio e da frente. Claro, porque ninguém além dela parecia querer ficar sozinho e isolado do resto do grupo, sem ter como interagir com ninguém. Para Dul, no entanto, aquela posição era perfeita no momento. Colocou os fones de ouvido do seu iPhone e apoiou a cabeça no encosto do banco. Tirou os óculos de sol para poder olhar melhor pela janela. Fazia um lindo dia lá fora, mas em seu interior a ruiva sentia que caia um temporal. A música que ouvia e a bela paisagem logo conseguiram distraí-la. Tanto que Dulce nem se deu conta que Anahí tinha vindo e sentado ao seu lado até que ela cutucou seu ombro.

- Caray Any, que susto! - exclamou Dulce María sobressaltada – Quase me mata do coração, mulher! - reclamou colocando a mão sobre o peito, mas depois soltando uma risada.

- Desculpa, Dulcezito – pediu a loira com seus olhos de cachorro sem dono – Percebi que você estava no mundo da lua, mas não achei que fosse tanto.

- Pois é, eu acho que me transporto para outra dimensão quando coloco os fones – sorriu Dul, sem graça, torcendo para que a amiga não tenho detectado seu estado de espírito como sempre faz, e que tenha vindo apenas puxar assunto.

- Tem certeza que foi só isso mesmo? - perguntou ela semicerrando os olhos. María desviou o olhar já sabendo que estava perdida – De longe percebi que você não está bem. Me conta vai, o que aconteceu? Não me disse nada desde aquela conversa que tivemos lá em casa que você me contou do Christopher, do seu noivo e tal...

- Não aconteceu nada... – mas a voz chorosa da ruiva a traiu.

E sob o olhar insistente de Anahí, ela não pode fazer nada além de confessar a verdade. Sabia que no fundo seria bom desabafar e ainda contar com o apoio da amiga que nunca falhava. Deu uma olhada para o resto do pessoal que estava entretido em uma conversa alta e animada, percebendo que ninguém a escutaria além de Any. Então deixou que tudo saísse como uma enxurrada de palavras. Contou tudo nos mínimos detalhes. Desde o momento em que descobriu que Rodrigo estava realmente a traindo, passando pelo término do noivado e até o momento em que ela vira Ucker e Linda se beijando depois do show. Nessa parte a loira arregalou os olhos e não escondeu o quanto ficou chocada com a notícia. Ela, assim como Dul, jamais imaginava que isso pudesse ocorrer. Dulce terminou falando de como eles brigaram de novo antes de voltarem pra o hotel, ressaltando o fato de que a assessora de Chris não iria viajar junto com o RBD na turnê.

- Não tinha reparado que Linda não tinha vindo – comentou Any – Bom, pelo menos isso é um bom sinal, certo?

- Não sei – respondeu Dulce desanimada – Sinceramente não sei o que isso significa. Mas uma coisa é certa: ele não está mais nem aí pra mim...

- Não diga isso, Dul – Anahí a consolou, passando a mão no braço da amiga – Olha, eu acho que o que ele sente por você não é algo que vai embora assim do nada. E vocês passaram por muita coisa, é normal que essa “distância” aconteça. Você estava confusa antes, e agora acho que é ele que está.

- Bom, então o que acha que eu devo fazer?

- Eu acho que primeiro você não deve desistir dele. Não agora que por fim se decidiu e sabe que quer ficar com ele. Mas também acho que, pelo menos por enquanto, o melhor a fazer é dar tempo ao tempo. Tente relaxar e não pensar sobre isso agora. Aproveite os shows, eles vão te fazer bem. Deixe as coisas esfriarem e os ânimos se acalmarem. Depois, quando essa depressão toda passar, você vê como vai fazer para fisgar o moço de novo.

- Você tem razão, Any, como sempre – disse María com uma risada fraca – Vou tentar esquecer dessa história por enquanto e tentar arrumar as coisas em mim. Do jeito que eu estou, não conseguiria fisgar nenhuma sardinha mesmo...

- Ai Dul, não exagera, você sabe que mesmo deprimida ainda é cheia de encantos – enfatizou a loira com um sorriso. Dul sorriu em resposta – E quando estiver pronta, eu estarei aqui, como sempre, para ajudar vocês a ficarem juntos. Sabe que torço por isso mais do que ninguém, não é?

- Sei sim. Obrigada... por tudo! - completou Dulce antes de abraçar a amiga.

Depois daquela conversa Anahí voltou a se sentar em um dos bancos da frente deixando Dulce sozinha novamente. A loira, apesar de ter esse jeito um pouco intrometida na vida dos amigos, sabia identificar o momento de sair de cena. Falar com a amiga tinha sido ótimo, mas Dul estava mais precisando ficar sozinha com seus pensamentos. Sabia que Any estava certa, que ela tinha que parar de pensar no assunto, deixar as coisas se assentarem primeiro. Mas ainda era cedo demais para ela conseguir simplesmente não pensar em Christopher e em tudo o que havia acontecido com eles nos últimos dias. Nem descer da van para entrar no aeroporto, despachar a bagagem e embarcar no avião foi distração suficiente para que Dulce deixasse o assunto de lado. Assim que se sentou na poltrona e apertou o cinto para a decolagem, voltou a pensar nele, que estava algumas fileiras atrás juntos com os outros garotos do grupo.

A cantora passou a viagem toda tentando descobrir em que momento exatamente as coisas tinham saído tanto de seu controle. E porque ela tinha demorado tanto para perceber que tudo o que queria era ficar com Ucker. Por que se negou tanto a aceitar esse fato? Não podia ser só o fato de que estava noiva. Sabia que tinha algo mais. Pensou mais um pouco e então se lembrou, novamente, como tudo havia terminado entre ela e Chris quando o RBD se separou em 2008. A insegurança que sentiu naquela época permaneceu com ela até alguns dias atrás. Apesar de aparentemente não conseguir controlar sua forte atração pelo garoto, permanecia sempre com um pé atrás. Era mais fácil pensar que tudo não passava de um “fogo de palha” do que admitir que seu coração ainda batia forte por ele. Era mais fácil fingir que nada estava acontecendo do que assumir que continuava amando-o tanto quanto ou mais do que naquela época em que ficaram juntos pela primeira vez.

O destino era mesmo muito traiçoeiro. Afinal ela tinha mesmo que passar por todas essas armadilhas para enfim se dar conta do que realmente queria? Parece que sim. Odiava-se por ser tão cabeça dura, tão insegura, tão imatura sentimentalmente. Mas agora não adiantava ficar reclamando para si mesmo. Levara as bofetadas que tinha que levar e agora tinha aprendido a lição. Não deixaria que nada mais ficasse entre ela e o seu verdadeiro amor. E faria o que fosse para recuperá-lo. Ainda não sabia como, mas estava decidida. Só precisava seguir o sábio conselho de Anahí primeiro. Esperar a poeira baixar. Só esperava que eu não fosse tarde demais quando resolvesse enfim lutar por Christopher.

Ponto de vista de Ucker

Eles acabaram chegando pouco tempo antes do show, o que gerou aquela correria! Entrevistas, atender fãs, escolher figurino, aquecer a voz, cuidar da maquiagem.

Quando Ucker se deu conta, já estava praticamente na hora de subir ao palco. Todos os outros integrantes já haviam deixado o camarim. Apenas ele e Anahí ainda estavam por ali, acertando os últimos detalhes do visual.

- Ai Uckerzito, fiquei falando com mi chica no celular e acabei perdendo a hora. Olha que horror está o meu cabelo! Como vou subir ao palco desse jeito? – A loira dramatizou fazendo caras e bocas em frente ao espelho.

- Está linda como sempre, Any! Só ajeite esse fiozinho rebelde aqui – Ele se aproximou para arrumar uma mecha que havia escapado do lugar – Deve ser difícil para você ficar longe da sua filha, né?

- Nossa, nem me fale! Eu a vi ontem e hoje já estou morrendo de saudade... – Ela queixou-se fazendo os últimos retoques na maquiagem – Mas não tem jeito, né? Eu sabia que quando a turnê começasse ia ser desse jeito. Agora é aguentar a distância da minha filhota e do maridão. Mas parece que a nossa agenda de viagens e compromissos já fez a sua primeira vítima...

- Como assim?

- A Dulcezita, tadinha... Rompeu o noivado! – Anahí comentou com a voz preocupada – Ela estava tristinha hoje no caminho para cá, não percebeu?

- Christopher, Anahí, faltam dez minutos! E o pessoal está esperando por vocês para fazer a oração – Um dos rapazes da produção veio apressá-los.

- Nossa! Vem, Uckerzito! Estamos mais do que atrasados! – A loira puxou o seu braço e saiu em disparada pelo backstage, os saltos batendo contra o piso e fazendo um barulho estridente.

O cantor apenas a seguiu, balançando a cabeça e pensando que a vida era realmente surpreendente: justamente agora que ele decidira desistir de Dulce, a ruiva ficava solteira. Definitivamente, o destino gostava de brincar com Christopher.

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Notas finais: É minha gente, e não é que o Munda dá voltas mesmo?! 
Quem iria imaginar que o Christopher um dia iria desencanar da Dulce? Ou que a Dulce iria ficar tão perdida sem saber o que fazer para recuperar o amor dele de volta? 
Já deu pra sacar que daqui pra frente vai rolar uma 'inversão de papéis' né? 
Bom mas é melhor eu não falar mais nada pra não entregar o jogo... Aguardem o próximo capítulo ;)


beeeeijos e obrigada por lerem!!

Sarah

Leia o próximo capítulo: Entre Amigos