domingo, 18 de janeiro de 2015

Una Cancíon, Capítulo 23 - Permitindo-se

Notas iniciais: Preparem-se para um capítulo com muito, mas muito amor! A chama Vondy foi acesa, pegou fogo, incendiou o quarto de hotel e agora ninguém segura mais! hahaha

Aproveitem!
___________________________________

Ponto de vista do Ucker

Um raio de luz entrava por entre as frestas da cortina iluminando o quarto e criando mosaicos de luz pelo chão. Christopher abriu os olhos devagar, passando a mão no rosto e tentando avaliar mentalmente quais eram seriam as tarefas do dia e se teria tempo para mais um cochilo. Esticou-se na cama, sem pressa, curtindo a típica preguiça matinal. O ar condicionado deixava o ambiente em uma temperatura agradável e a cama fazia um convite tentador.

Foi aí ele que percebeu uma mancha ruiva no lençol a sua frente. Ucker estendeu o braço e sentiu o corpo por debaixo do tecido. Com delicadeza, foi correndo os dedos pelas curvas da mulher deitada perto dele, sentindo o calor da sua pele e repassando os momentos da noite anterior com um sorriso bobo no rosto. Ainda era difícil acreditar que a Maria veio bater na sua porta e que, finalmente, eles pareciam ter permitido que o coração falasse mais alto. O rapaz já não aguentava mais lutar contra os próprios sentimentos. Naquela manhã, o mundo parecia mundo mais colorido e leve. Era como, se de repente, todas as peças se encaixassem, como se o vazio que sentia finalmente houvesse chegado ao fim.

Claro que aquilo tudo era clichê, mas e daí? O amor não era isso: algo completamente clichê e que não funciona se não houver entrega total?

Christopher se aproximou, aconchegando-se contra o corpo de Dulce. Após tantos obstáculos superados, ele não se contentava mais com pouco. Além de tocar, ele desejava sentir o cheiro, o calor... queria a sensação de ter Dulce por completo, inteira. De corpo, coração e alma.

Com o movimento, a ruiva acordou. Lentamente, virou-se ficando de frente para o cantor. Seus olhos ainda estavam semicerrados, os cabelos um pouco bagunçados, a pele sem maquiagem. Ucker não conseguia lembrar-se de quando fora a última vez que viu Maria daquela maneira: tão frágil, exposta, parecendo uma boneca de porcelana. Era estranho ver a amada sem sua armadura de make, figurino, empresário e assessores. Ali ela era apenas ela, com todas suas dúvidas e medo, e Christopher sentiu-se feliz por poder partilhar desse momento de “transparência”, de ser capaz de enxergar além do que se costuma ver.

Ela fixou o olhar no dele e permaneceram assim por alguns minutos. Ele tinha medo de quebrar o silêncio, ou o contato visual, e romper junto todo o encanto do momento. Naquele instante, os olhos dela eram como espelhos. Eles refletiram os medos, dúvidas e as incertezas que passavam pela cabeça da ruiva. Ucker quase conseguia ouvir a mente dela considerando os prós e contras da noite passada. 

Ao longe, era possível ouvir a vida correndo: pessoas se movimentando nos corredores do hotel, os carros passando pela rua... Mas para ele, foi como se até mesmo o ar estivesse parado. A vontade de Ucker era pegar toda a magia e sintonia presentes ali e ser capaz de transformá-la em palavras, para que assim pudesse acalmar os sentimentos de Dulce e fazer com que ela ficasse ao seu lado. Mas as palavras não eram suficientes, os gestos lhe faltavam e o coração batia tão forte dentro do peito que ele não conseguia nem ouvir seus próprios pensamentos.

Então Dulce piscou os olhos, confusa e com um movimento meio desajeitado por causa do pé machucado, levantou da cama.

“E lá se vai a grande chance”, Ucker balançou a cabeça, enfim voltando à realidade. Mas pelo jeito, ele demorou muito tempo para voltar a si, ou a situação de uma hora para outra ficou muito confusa. Como que um há minuto os dois pareciam estar flutuando em uma nuvem cor de rosa com corações voando ao redor e agora Maria recolhia as roupas do chão, apressada, como se quisesse fugir dali o mais rápido possível? Qual parte da história ele perdera?

- Dulce... – ele tentou chamar, sentando-se na cama, ao mesmo tempo que procurava algo para vestir. Afinal de contas, se iria rolar uma conversa mais séria, ele precisava ter o mínimo de dignidade para encarar a situação.

- Ucker, eu... – ela parou de procurar pela blusa e olhou na sua direção – ... adorei a noite – pausa para voltar a procurar a peça. Quando encontrou, tirou do chão e ficou remexendo-a nas mãos, como se estivesse pensando no que ia falar – e...obrigada por esse momento maravilhoso!

Assim que conseguiu de terminar a frase, a ruiva mancou na direção do banheiro, como se estivesse tentando se esconder. De onde estava, Ucker conseguia ouvir o som da água saindo da torneira da pia. Ela provavelmente estava lavando o rosto, arrumando o cabelo, tentando ficar com uma aparência mais aceitável.

Ele mesmo correu os dedos pelos fios para ajeitá-los e terminou de se vestir. E agora? Como voltar para a nuvem rosa de amor e magia?

“Pense Ucker, pense!”

Quando voltou, Maria estava com os cabelos presos em um coque, vestida (tudo bem que a blusa estava amassada, mas não dava para cobrar muito de um look amanhecido), com a bota ortopédica e cara de “não sei o que fazer”.

- Christopher, então é melhor eu ir indo, né? – ela disse depois de respirar fundo – Eu adorei a noite, eu... gosto de ficar com você... mas tem a banda, e tem... o nosso passado... É muita coisa, é muita bagunça, há muitos “muito”, entende? Por isso acho melhor a gente ir devagar – sua voz soava baixa, como a de uma criança assustada.

Silêncio. Mas não um silêncio de ausência de som, mas sim daquele tipo que grita, que quase dói, do tipo que dá para sentir no ar o peso das palavras não ditas.

- Então é isso... eu vou indo... – Maria se dirigiu até a porta.

- Não, espera! – finalmente Ucker tomou uma atitude e correu até saída, bloqueando a passagem – Dulce, só me fala uma coisa: por que você veio até aqui?

- Porque eu queria saber como você estava. Fui grossa e quis pedir desculpas. Já te expliquei isso – ela respondeu, parecendo impaciente.

- E por que você quis pedir desculpas? O que muda na sua vida ser grossa ou não comigo? – ele insistiu, dessa vez com mais firmeza na voz. Uma ideia começava a surgir na sua cabeça e ele estava seguindo esses insights mesmo sem saber se funcionariam ou não. Aquela era a cartada final, então era tudo ou nada. Era dobrar a aposta ou assumir a derrota, e Ucker não queria perder o jogo.

- Porque não foi essa a educação que recebi, Christopher. Aprendi que quando magoamos as pessoas, devemos nos desculpar. E foi isso que fiz – ela retrucou, cruzando os braços na frente do corpo.

- E tudo o que você me disse ontem? Que nem se eu quisesse iria ficar longe de você novamente? Não era verdade? Será que a razão de você ter vindo até aqui não é que você se importa comigo? Com a gente?

Dessa vez Ucker conseguiu pegar Maria desprevenida. Ela o encarou, assustada e depois desviou o olhar, sem jeito – Claro que era verdade e claro que eu me importo – confessou em um sussurro – mas é como disse, é complicado... Eu sei o que quero, mas não sei se você sabe o que quer. Tem muita coisa nessa história...

- O lance dos muitos “muito”? Medo dos meus erros no passado, as restrições do Pedro, o assédio dos fãs... – ele perguntou, divertindo-se com a questão.

- É... – Maria confirmou com um sorriso fraco nos lábios.

- E ontem não foi muito? Muito bom, muito legal porque a gente se acertou, porque deixamos nossas diferenças de lado e realmente permitir que os nossos “muitos” se entendam?

- Foi, foi uma noite maravilhosa – ela sorriu com uma expressão de carinho - Mas eu não entendi, o que você quis dizer com esses “muitos que se entendem”? – a ruiva fez cara de dúvida.

- Esse muito é o que eu sinto por você. Muito amor, muita admiração, carinho, respeito, vontade de estar junto, de mexer no seu cabelo, de sentir o seu cheiro, de tocar a sua pele, de te abraçar e falar que tudo vai ficar bem, de te fazer rir... enfim, de estar ao seu lado, de ser seu namorado, amigo, companheiro, de ser seu... – as palavras foram fluindo, sem tempo para que Ucker pensasse em vírgulas, pontos ou reticências que pudessem corrigi-lo.

Dulce parecia paralisada. Ela encarava Christopher com os olhos fixos nele, a boca entreaberta, a respiração acelerada. O próprio Ucker não estava muito diferente: as mãos suavam e ele poderia jurar que estava com um tique no olho.

- Sabe por que deu certo ontem, Dul? Porque a gente se permitiu, e o amor é isso: é permitir-se. É se jogar sabendo que o outro vai estar lá do outro lado para te segurar – finalmente conseguiu colocar para fora o que estava querendo falar desde que acordaram. Mas era exatamente isso: para ter tudo de Dulce, ele precisava dar tudo de si para ela. Ele próprio precisava ser um espelho, para que ela pudesse enxergar através dele e conseguir ver seu coração.

Por um instante, nada aconteceu. Mas no momento seguinte, ela pulou nos braços de Ucker e lhe deu um beijo apaixonado. – Eu me permito, Chris. Me permito te amar com todos os muitos que existe dentro de mim – ela sussurrou em seu ouvido.

Apenas essas palavras bastaram. Christopher a carregou até a cama, distribuindo beijos pelo seu rosto e pescoço, a felicidade transbordando pelo seu sorriso.

- Então esse é o resultado de se permitir? Em troca eu recebo todo o carinho do mundo do homem que eu mais amo na vida? – Dulce perguntou enquanto Christopher a despia com calma, distribuindo carícias pelo seu corpo.

- O homem que eu mais amo na vida? – ele repetiu, olhando para ela, sério.

Dulce riu, sem jeito, depois se apoiou nos cotovelos para ficar mais próximo dele – Sério que você não percebeu ainda?

Dessa vez, foi ele quem a beijou subitamente com muita intensidade – Sou muito burro por não ter percebido isso ainda. Mas pode ter certeza que farei por merecer o título – ele completou com um sorriso malicioso no rosto.

Então, ele voltou a beijá-la e os dois se amaram novamente, sem pressa, como se nada mais existisse além daquele quarto.

- Estou adorando esse lance de se permitir... – Ucker disse abraçando a ruiva – acho que posso ficar assim para sempre...

- É, mas tem algo que precisamos fazer se realmente vamos ficar juntos...

- Se? – Ucker interrompeu Maria – Nós vamos ficar juntos, cariño.

Ela riu da correção antes de continuar – Sim, você está certo. Já que vamos ficar juntos, precisamos saber o que o Pedro acha da ideia. Afinal, da última vez não tínhamos permissão para namorar.
Ucker respirou fundo. Aquele seria o primeiro desafio do casal. Se o produtor não aceitasse o relacionamento dos dois, a situação ficaria complicada. Mas independente do que viesse pela frente, ele não iria desistir da sua ruiva.

- Então, mãos à obra. Vamos pedir a benção a Pedro Damián.

Ponto de vista de Dulce

Dulce María já estava começando a se arrepender de ter sugerido a Christopher que eles deveriam contar a Pedro Damián sobre o que estava acontecendo entre eles. Tudo por causa da expressão no rosto do produtor. Era difícil de decifrar exatamente o que ela queria dizer, mas uma coisa era certa: tinha muita surpresa e nenhuma alegria ali. Dul tinha confiado que o instinto protetor de Pedro falaria mais alto e principalmente seu afeto pelos dois. Sabia que não seria fácil, mas ela realmente acreditou que ele os apoiaria naquela decisão. Agora, no entanto, vendo a reação dele depois de terem dado a notícia, Dulce já não estava mais tão confiante.

Começou a lembrar de toda a dor de cabeça que ela e Ucker tinham dado a Damián desde que o RBD voltou. Antes mesmo de ele anunciar o reencontro e a nova turnê os dois já tinham aprontado várias. Desde ela dando a louca e pedindo para não ficar perto dele, na época pensando em preservar seu noivado, até serem flagrados por paparazzis juntos na praia. E depois que a divulgação e os shows começaram as coisas não ficaram melhores. Pelo contrário, a dupla continuava dando o que falar. E mesmo naquele momento, em que tecnicamente as coisas estavam mais tranquilas, ainda se especulava muito na mídia sobre o que estaria acontecendo entre os dois. Se estariam juntos de novo, se não estavam mais se falando. Até sobre o fim do noivado de Dulce, e sobre seu rápido encontro com Diego Boneta já haviam descoberto. Sua imagem não era das melhores ultimamente, mas ela não estava ligando pra isso. Infelizmente Pedro parecia ligar. E muito.

- Diga alguma coisa, por Diós! - insistiu Chris, se exaltando um pouco com o suspense do produtor.

- Chavos, não tem muito o que eu possa dizer. Isso realmente não é nada bom para a banda. Não cabe a mim julgar sua decisão, mas sinceramente acho que vocês já deram trabalho demais para nós... - ele tinha uma expressão fechada.

- Mas Pedro... - murmurou Dulce muito ressentida.

- Não Dul, espere eu terminar – interrompeu Pedro ainda em sua expressão série e concentrada – Eu posso aturar muita coisa de vocês. Posso contornar vexames públicos, posso interferir para abafar boatos, posso até mesmo mudar a rotina da banda por causa das suas exigências e colocar em risco a reputação de todos. Mas não posso de forma alguma admitir que continuem a fazer outra coisa que não seja ficarem juntos e serem muito felizes. Porque eu não passei todos esses maus bocados nos últimos meses para que vocês terminassem separados e destroçados.

Houve um momento de incredulidade em que Dulce e Chris se entreolharam confusos. Mas no instante seguinte eles estavam rindo, acompanhados do produtor que, astutamente, tinha dado um belo susto no casal.

- Isso quer dizer que você nos apoia? - perguntou Dul, só para confirmar.

- Mas é claro que sim, como não iria apoiar? Acho até que já estavam demorando demais para se acertarem – afirmou Damián deixando o disfarce de lado e sorrindo para eles – Sabem que os quero como se fossem meus filhos, e vê-los felizes só pode me deixar feliz. Há muito tempo que eu sei que foram feitos um para o outro. Não precisam da minha benção, é claro, mas vocês a tem!

- Muito obrigado, Pedro – agradeceu Ucker sorrindo e apertando a mão da ruiva que não tinha soltado da sua desde que eles chegaram – Não sabe como fico aliviado em saber disso!

- Ok, chicos, estou muito feliz por vocês, de verdade. Entretanto como produtor do RBD me sinto no direito de fazer algumas observações – acrescentou Pedro voltando a deixar María tensa – Imagino que já saibam disso, mas não custa nada frisar. Devem cuidar disso que tem, e isso significa não se expor sem necessidade. Não estou ditando regras sobre como devem lidar com sua vida pública, é mais um conselho. Penso que devem ir devagar e pensar com calma em como vão contar isso aos fãs e principalmente à imprensa. E enquanto não resolvem essa situação, serem muito cautelosos para que a informação não vaze.

- Não se preocupe, Pedro – respondeu Dulce – Pretendemos fazer a coisas da melhor forma para que ninguém saia prejudicado.

- Sim, esse é um ponto importante – continuou o sábio produtor – Afinal, vocês entendem que Vondy é muito querido pelo público e tem uma influência enorme na banda. Qualquer mal entendido ou qualquer problema pode fazer com que esse tema seja explorado de forma errada, o que interfere na imagem de todo o grupo. Nós estaremos com vocês, sempre, haja o que houver. Mas vamos fazer o máximo possível para evitar esses constrangimentos.

- Combinado! - disseram os dois ao mesmo tempo olhando para Pedro e depois se entreolhando.

Quando o casal voltou para o quarto de Christopher, pareciam até mais leves depois de terem contado tudo ao produtor e terem conseguido seu aval. Dul sentia que ia explodir de felicidade e quase se esqueceu dos compromissos do grupo para aquela tarde. Tudo por causa dos braços de Christopher em volta de seu corpo e de sua boca na dela, que não a deixavam raciocinar direito. Só se tocaram que tinham que se arrumar para sair quando o assessor de Chris veio bater na porta do quarto. Eles levaram um susto tão grande que levantaram da cama em um pulo. Por um momento Dulce ficou desesperada sem saber o que fazer. Santos não podia vê-la. Ninguém podia saber ainda que eles estavam juntos. Mal voltaram e já estavam dando uma gafe, não podia ser!

Mas logo Ucker a acalmou e disse que pretendia contar tudo ao produtor. Afinal ele seria um aliado para ajudá-los a encobrir o romance dos dois. Então, quando eles abriram a porta e Santos fez cara de assutado por ver Dulce ali, eles contaram tudo o que estava acontecendo para o rapaz. Felizmente o assessor pareceu não achar a notícia tão ruim. Claro que não ficou empolgado como Pedro, afinal sabia que isso poderia dar problema para ele, mas não demonstrou muita preocupação, pelo menos não na frente deles... 

Em seguida María voltou para ser quarto, não antes, é claro, de se despedir de seu... namorado? Bom ela não sabia ainda o que Christopher era seu, mas o fato é que ele era seu de novo e só isso importava.

Só de se afastar dele por alguns minutos já sentia algo estranho dentro de si. Uma saudade e uma vontade de estar com ele que eram maiores do que ela. Tentou esconder de seus assessores, principalmente de Iliana, a sua inquietação. Mas no final acabou contando a amiga o que acontecera na noite anterior, até mesmo que já haviam informado tudo a Pedro. Ela ficou chocada, é claro, e disse que não esperava que aquilo fosse acontecer, não depois da forma como eles haviam se tratado durante a festa. Dul concordou que nem ela mesmo poderia ter previsto que exatamente naquele momento é que as coisas iriam se resolver entre os dois. Mas de qualquer forma não podia estar mais feliz. Como já esperava, a assessora ficou satisfeita em saber e mostrou total apoio.

Dulce María se arrumou muito mais rápido do que o normal para sair, o que deixou o pessoal de sua equipe desconfiado, e Iliana com um sorriso debochado. María os ignorou enquanto pegavam o elevador para o lobby. Imaginou que seria a primeira a chegar lá da banda, mas quando chegou viu que havia alguém mais ansioso do que ela por aquele encontro. Christopher havia trocado de roupa, tomado banho e estava com seu clássico óculos de sol aviador. Tinha gel no cabelo e o usava em um estilo bagunçado que Dul simplesmente adorava. Não segurou o suspiro que chegou aos lábios ao admirá-lo. Nem ficou constrangida por sentir suas bochechas esquentarem ao vê-lo sorrindo para ela. Houve um momento de dúvida em seguida no qual ela não sabia se era prudente chegar perto dele, ou abraçá-lo, ou segurar sua mão. Lembrou-se do conselho de Pedro e decidiu não fazer nada daquilo. Apenas parou a alguns metros do garoto e deu uma piscada pra ele. Como Chris continuou sorrindo e não veio até ela, Dulce soube que ele tinha entendido sua cautela.

Em seguida os outros integrantes do RBD foram chegando, e María se sentiu mais segura para se aproximar de Christopher. Todos começaram a conversar entre si enquanto não vinha ninguém da produção avisar que a van já havia chegado. Ela prestava atenção ao que falavam, mas não o suficiente para opinar, então basicamente ficou concordando com a cabeça e e dizendo “é” e “ahan”. A maior parte de sua mente estava concentrada no homem ao seu lado, que já havia deliberadamente esbarrado a mão duas vezes na sua. Aquilo a deixava louca e feliz ao mesmo tempo. Sua vontade era de passar seus braços em volta dele e apoiar a cabeça em seu peito enquanto esperavam. Mas não podia fazer isso. Precisavam de tempo para contar aos amigos. E o hall de entrada do hotel não era o local mais privado do mundo. Deviam haver paparazzis a espreita, senão lá dentro, do lado de fora.

Quando foram chamá-los e eles saíram do hotel em direção a van, Chris veio atrás dela e segurou sua mão. Foi um movimento muito discreto e ninguém pareceu perceber a princípio. Mas mesmo assim Dul ficou apreensiva. Haviam muitos fãs e alguns fotógrafos da imprensa na porta. Eles estavam longe e cercados por uma barreira de seguranças, mas isso não fez a ruiva ficar mais tranquila. Depois que entraram no carro ela relaxou um pouco e só percebeu que continuava segurando a mão de Ucker quando os 4 outros integrantes da banda começaram a zombar deles.

- Uiii que bonitinho os dois de mãos dadas! - foi Christian que começou. Claro, sempre ele com suas palhaçadas. Mas Dulce não estava achando a menor graça – Tão namorando! Tão namorando!

- Callate, Chris! - resmungou a ruiva soltando a mão de Ucker e fazendo cara de emburrada enquanto virada o rosto para a janela.

- Calma, chuck! Tá nos seus dias ou o quê? Era só uma brincadeirinha – defendeu-se.

- Ei, não fale assim com ela! - interveio Christopher. E pra que? Só para os dois serem ainda mais zoados, é claro!

- Own, o galã apaixonado defendendo a sua amada! - dessa vez foi Maite que cutucou e todos na van riram da cara de constrangimento do casal.

- Ei chicos, parem com isso – falou Anahí, repreendendo a todos, mas ela mesma não tinha conseguido conter o riso - Deixem eles em paz, qual o problema de quererem ficar de mãos dadas? É completamente normal. Além do mais, não é da nossa conta.

- Obrigada, Any – disse Dulce, e em seguida olhou para Christopher e soube na hora que ele estava pensando na mesma coisa que ela – Na verdade galera, temos que contar uma coisa pra vocês...

- Ai meu deus! - exclamou a loira – Se for o que eu estou pensando vou ter um infarto!

- Receio que seja exatamente o que está pensando. E nem pense em dar um ataque, estamos tentando ser discretos – a ruiva então respirou fundo para tomar coragem e pensar nas palavras que usaria – Chavos, eu e Christopher estamos juntos.

- Juntos? Quer dizer juntos, saindo juntos? Namorando? - Perguntou Maite, boqueaberta.

- Isso – respondeu Ucker.

- Uau, isso sim foi inesperado – disse Poncho com um sorriso.

- Na verdade, nem tanto – comentou Anahí – Eu já sabia que isso aconteceria. Quer dizer, não sabia quando, mas de certa forma já estava esperando.

- Bueno, eu também não fazia ideia. Mas temos que concordar que nos últimos meses aconteceram algumas coisas estranhas... E Dul terminou o noivado, então...

- Chris, não seja indelicado – reclamou Maite dando um tapinha na cabeça do amigo.

- Ei, só estou dizendo a verdade...

- Christian tem razão – interpôs Dulce – O fim do meu noivado tem tudo a ver com essa história. E também todas essas “coisas estranhas” de que ele falou. Mas, se não se importam, preferimos não falar sobre isso. Já passou, melhor deixar o passado no passado...

- Tem toda razão Dul – concordou Any – Só o que importa é que estão finalmente juntos! Espero de coração que sejam muito, mas muito felizes, bebês!!!

A declaração de Any foi seguida de vários sons de concordância dos outros companheiros e seguido também de um abraço coletivo de todos. Ou pelo menos o mais perto disso que conseguiram chegar estando dentro de uma van. Também houve afirmações de felicitação e apoio que deixaram Dulce tão emocionada que ela até deixou algumas lágrimas caírem. Como se ter Christopher só para ela já não fosse motivo suficiente para deixá-la radiante de alegria, agora estava se dando conta dos preciosos amigos que tinha e o quanto ela era sortuda por tê-los em sua vida. Sentia-se plena naquele momento. E só o que faltava para completar aquele quadro e fazer dela a pessoa mais abençoada da terra, seria poder assumir para o mundo o seu amor e principalmente contar aos fãs a novidade. Mas ela sabia que tinha que ter cuidado ao fazer isso. Tinha que pensar em várias coisas e tomar cuidado para que ninguém saísse prejudicado. Mas enquanto não paravam para pensar nisso, ela se permitiu sorrir o máximo que conseguia e desfrutar a companhia de seus queridos amigos e daquele homem que era o amor da sua vida!

Ponto de vista de Ucker

Se na ida o clima na van era de alegria, amizade e euforia por conta do anúncio que Dulce fizera, na volta todos estavam quietos. Poncho teclava com alguém no celular, Maite dormia, Anahí também digitava com a filha no Whats, Chris dedica-se a leitura de um livro e Dulce reclamava de dores no pé com a cabeça apoiada no ombro de Christopher.

Também pudera... todo o grupo havia participado de uma entrevista em um programa de TV, o que envolvia maquiagem, figurino e horas de gravação dentro de um estúdio com o ar condicionado no máximo. Como tratava-se de um programa de auditório com brincadeiras com o público, todos os integrantes passaram muito tempo em pé. Alguns, incluindo Ucker, até correram, pularam e participaram dos jogos. E claro que Dulce, teimosa como era, não quis ficar de fora da bagunça. Mesmo com a bota no pé, ela participou de algumas atividades e passou o programa inteiro de pé – ignorando completamente o banquinho que a produção colocara para ela. No fim, a tarde foi muito divertida, mas também muito cansativa, o que justificativa o clima de fim de balada na van. Por sorte, não teriam show naquele dia.

Quando finalmente chegaram ao hotel, Ucker fez questão de chamar Iliana para que a assessora acompanhasse Dulce até o quarto. A ruiva disse que estava bem e que poderia ir sozinha, mas ele não queria arriscar. Mesmo com a bota dava para ver que o pé de Maria estava inchado.

A vontade de Christopher era de ele mesmo acompanhá-la, mas achou melhor não fazê-lo para não chamar atenção dos funcionários do hotel. Porém, não se aguentou por muito tempo. Nem uma hora depois de ter voltado ao seu quarto, ele se levantou e foi ver como a ruiva estava. Afinal, não tinha sentido ficar ali, sentado, enquanto ela poderia estar precisando de sua ajuda. E no mais, ele só precisaria ser discreto e não chamar a atenção ao passar pelos corredores.

Quando chegou, foi recepcionado por uma Dulce cabisbaixa – Cariño, que bom que você veio! Meu pé está doendo muito, não sei o que fazer...

- Tem alguma pomada para dor aí? Posso fazer uma massagem, se você quiser – ele se ofereceu, já entrando e fechando a porta.

- Tem sim. Está no na gaveta do banheiro – ela respondeu, jogando-se na cama e fazendo um incrível drama só para ganhar atenção.

“Mulheres”...

Com a pomada em mãos, Ucker dedicou-se a massagear o pé da amada, distribuindo beijos ao longo da sua perna e fazendo palhaçada para que ela risse. 

- Deixa que eu atendo... - ele respondeu contrariado ao ouvir uma batida na porta. Mas será que eles nunca teriam paz?

- Mas cariño, e se for alguém que ainda não pode saber sobre nós? – Dulce questionou.

- Eu digo que só vim para te trazer a pomada, porque você estava sentindo fortes dores, e já estava de saída – ele piscou em resposta, sabendo que a desculpa não era das melhores. Mesmo assim, teria que funcionar, porque ele não queria que Maria levantasse e forçasse o pé de novo.

- Oi... É, haaam... A Dulce está aí? – Um Diego Boneta muito surpreso perguntou quando viu Christopher abrir a porta.

- Ela está, mas não quer ser incomodada agora. O pé está doendo muito, por isso ela prefere ficar em repouso – o cantor foi direto ao ponto, sem nem se preocupar com a cordialidade. Ele sabia que o interesse de Boneta por Dul ia além da amizade, então não tinha razões para ser simpático – Alguma coisa que eu possa ajudar? – completou em tom irônico.

- Não, não... É que estou deixando a cidade, e queria me despedir – o outro rapaz explicou.

- Tudo bem, eu aviso que você deixou um abraço – Ucker disse em tom seco, querendo encerrar a conversa.

- Hãã... Será que não posso entrar e dar um abraço nela? Tenho certeza que a Dul não se importaria.

Dul? Quem deu intimidade para aquele babaca chamá-la de Dul. “Ahh não, preciso por um fim nisso”, pensou o cantor.

- Olha aqui, amigo – Chris colocou a mão sobre o ombro do rapaz, fingindo camaradagem –Tenho duas boas razões para você não entrar. Primeiro: ela teve um dia cansativo, está sentindo dores e precisar repousar porque o dia amanhã também será puxado. Segundo: sei muito bem onde você quer chegar e tenho um conselho para te dar – ele fez uma pausa para dar mais ênfase à frase – Para, que está feio. Se ela quisesse ficar com você, isso já teria acontecido. Dulce não é do tipo de mulher que faz joguinhos, ela vai atrás do que quer. E no dia da festa, mesmo você fazendo de tudo para agradá-la, foi comigo que ela terminou a noite. Então... – mais uma pausa, dessa vez para passar a mão pelos cabelos – pode deixar que eu dou o recado. Mas agora, deixa eu voltar lá para dentro e continuar cuidando dela, pode ser?

Diego ficou sem reação. Claro que ele não esperava dar de cara com Christopher e muito menos escutar aquela resposta. Mas não demorou para que ele recuperasse a compostura - Não sabia que a Dulce agora tinha dono... Pensei que ela fosse uma pessoa livre.

- Ela não tem dono e continua sendo livre. Mas isso não quer dizer que está disponível, entendeu?

- Na verdade, só para deixar claro para os dois – Dulce juntou-se a discussão, surpreendendo os dois – Não estou disponível e meu coração já tem dono sim, mas sou e continuarei sendo livre – ela lançou um olhar significativo na direção de Christopher  - Desculpe Diego. Espero que faça uma boa viagem e agradeço o carinho e preocupação comigo – ela ofereceu um sorriso amigável ao outro.

Depois de um rápido abraço de despedida, Boneta deixou os dois a sós com uma expressão nada contente no rosto.

- Então quer dizer que não estou disponível? – Dulce provocou.

- Mas é claro que não está. Você mesma concordou  – Christopher respondeu de pronto.

- Hããã.... Entendi... – ela balançou a cabeça como se estivesse avaliando a resposta – Só uma coisinha... Sabe, eu sou capaz de me cuidar sozinha. Não quero um namorado para ficar tomando conta de mim... – ela o encarou, o olhar sério e os braços cruzados – Aliás, nós estamos namorando? Porque até agora você não me disse nada e eu nem recebi um pedido...

Christopher não respondeu de imediato. Apenas pegou a ruiva no colo e a levou para dentro, batendo a porta com o pé. Depois de deitá-la na cama, ele sussurrou no seu ouvido – Você pode chamar do que quiser, mas saiba que você é a mulher da minha vida e que nunca mais vou te deixar escapar.

Ela sorriu concordando, antes de beijá-lo e se jogar em seus braços, entregando-se para ele e permitindo que Ucker a amasse. E então, o futuro pareceu simples para ele. Com Dulce ao seu lado, ele não precisaria de mais nada. 
_____________________________________________________

Notas finais: Oooownt! Gente do céu, quanto amor nesse capítulo, não? Eu até suspirei lendo aquela declaração de amor do Christopher...

Ai gente, erá que agora Vondy engrena de vez? Tudo indica que sim, mas tratando-se de Dulce e Ucker, tudo pode acontecer... O jeito agora é torcer para o universo continuar conspirando a favor desse casal!

Pessoal, A fic está entrando na reta final. E aí? Tem algum pedido ou sugestão de algo que PRECISA acontecer antes do gran finale? Então conta pra gente!

E podem se preparar: grandes emoções vem por aí!

Beijos, se cuidem e espero vocês no próximo cap!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Una Cancíon, Capítulo 22 - Despertando a Mia interior

Notas iniciais: Preparem os corações, porque forninhos vão cair!

E se tem Mia no título, é porque o capítulo promete muito romance e mimimi. Prontos para despertar a Mia que existe em você?
___________________________________________________________
Ponto de vista da Dulce

- Ei Dulcezito, melhora essa carinha e vem cá – chamou Any indo até a porta. Se ela não tivesse ido “regatá-la” Dulce achou que teria ficado parada ali olhando a porta do quarto fechada para sempre – Você não bebeu nenhuma taça de vinho até agora. Precisa se animar chica, não é todo dia que se ganha uma festa surpresa dessas.

- Eu sei, Any – afirmou Dul forçando um sorriso para a loira – Mas com os remédios que estou tomando achei melhor não arriscar bebendo nada alcoólico – explicou ela com um fato que era real, mas talvez não toda a verdade.

Toda a verdade era que ela não estava no clima pra festas. Desde que eles aparecerem em seu quarto com todas aquelas bebidas, comidas, flores e balões, Dul teve que fingir que estava super feliz e agradecida. Depois então com a aparição de Ucker e a discussão deles, ela só queria mandar todo mundo embora, se enfiar embaixo das cobertas e dormir por uma semana. Se tinha uma coisa que Dulce não gostava era quando as pessoas se tornavam muito prestativas e cuidadosas com ela. Mesmo que estivesse de fato um pouco “debilitada” por causa de sua perna, María ainda não via motivo para todo aquele “mimimi”. Apesar de estar tentando disfarçar, a cara de Dulce deve tê-la denunciado. Ou era apenas o instinto infalível de Anahí agindo novamente quando ela disse- A culpa disso tudo foi minha... - Any foi com ela até uma mesa que estava cheia de salgados, longe do resto do pessoal.

- Do que está falando? - perguntou Dulce, e realmente não tinha entendido do que a amiga estava falando ou a que se referia.

- Christopher... - disse Anahí, e a olhou com uma cara de cachorro sem dono, como se aquilo explicasse tudo. Dul apenas fez um gesto de dúvida, sinalizando que ainda não tinha entendido. Depois de um suspiro a loira continuou – Foi minha a ideia de não chamá-lo, porque eu sabia que o Diego estava por aqui. Mas também não me assegurei de que ele não soubesse da festa nem previ que ele teria a brilhante ideia de aparecer aqui do nada... Seria melhor se eu tivesse dito a ele que você estava de repouso total e não podia receber ninguém ou algo do tipo. Enfim, toda essa gafe foi culpa minha Dul, me desculpa!

- Anizita, acho que você deve ter tomado a sua e a minha cota de vinho essa noite – comentou Dulce María, rindo – Claro que não foi sua culpa, sua boba! Ninguém imaginava que o Chris viria pra cá. Até o assessor dele parecia surpreso. E pelo que eu sei, você ainda não tem o dom da premonição, tem? - elas riram e por isso nem perceberam que alguém se aproximava delas.

- Qual foi a piada? Quero rir também – disse Diego com sorriso caloroso e seu carisma sempre presentes. Dul e Any, ainda aos risos, desviaram o olhas e tentaram difarçar.

- Nada não – respondeu Dulce – É só que uma certa loira que não vou dizer quem é, bebeu um pouco além da conta hoje...

- Eeeei – reclamou Anahí – Não vou ficar aqui ouvindo essas calúnias a meu respeito, adiós! - e com o nariz empinado e batendo os pés, a loira saiu de perto deles.

- Não ligue pra ela, Diego. Any sabe que só estou enchendo o saco, apesar de ter falado apenas a verdade – explicou Dulce ainda rindo quando viu a cara que o garoto fazia.

- Bom se você diz... Mas é até bom que ela tenha saído mesmo porque... - ele fez uma pausa enquanto se aproximou lentamente de Dul – Queria falar com você em particular...

- Pode falar... - respondeu a ruiva enrugando a testa. Ela tinha que inclinar um pouco a cabeça para olhar o rosto dele de tão perto que Diego Boneta tinha chegado.

Só de o garoto ter vindo até o hotel onde o RBD estava hospedado apenas para vê-la já tinha sido uma tremenda prova de que Maite e Any estavam certas. Ele provavelmente estava afim de algo muito além de amizade com Dulce. Ele certamente foi ao show e viu que ela havia se machucado, porque as amigas juraram de pé juntos que não o haviam avisado de nada, e ele tampouco tinha tentado entrar em contato com elas. Por isso o ex-Rebelde descobriu sozinho onde eles estavam hospedados e de alguma forma conseguiu chegar ao quarto de Dul. Se isso não era estar interessado nela, a cantora não sabia o que era. E logo que chegou Diego já se mostrou preocupado com o machucado da garota. O que ele possivelmente não esperava eram encontrar tanta gente sentindo o mesmo naquele momento. Por causa da “festa” promovida por Any, o ator não tinha conseguido se aproximar muito de Dulce María. Pelo menos não até aquele momento...

- Sabe esse nosso reencontro ontem no restaurante, foi muito inesperado mas ao mesmo tempo senti que estava destinado a acontecer – Dulce engoliu em seco e tentou não revirar os olhos para aquele papinho dele – Me fez reviver sentimento que eu nem sabia que tinha... Você é uma garota incrível, Dul. Linda, talentosa, simpática, divertida... sempre me chamou a atenção. Mas nunca tinha olhado pra você dessa maneira até agora...

- Hmmmm... - foi o único som que María conseguiu emitir enquanto dava um sorriso forçado. Droga, ela tinha que dar um jeito de fugir dar “garras” dele o quanto antes.

- Acho que já entendeu a que me refiro – continuou Diego – Sei que está solteira, eu também estou... Então porque não tentamos nos conhecer melhor e ver o que rola... - nesse momento Boneta se aproximou com claras intenções de beijá-la. Dulce arregalou os olhos e fez a primeira coisa que veio a cabeça para evitar aquilo.

- Aaaaai! - gritou a ruiva inclinando o corpo para frente e colocando a mão na perna que calçava a bota ortopédica, como se tivesse sentido uma pontada de dor – Acho que preciso me sentar de novo...
Diego imediatamente a ajudou a andar até a cama e Anahí se juntou a ele para acomodar Dulce com as pernas esticadas no colchão e um travesseiro em suas costas. Depois daquela encenação, Dul fez o possível para manter Any, Maite, ou quem quer que fosse por perto, para não ter que ficar a sós com Diego de novo. Não sabia se ele tinha reparado que estava sendo evitado, mas alguns minutos depois ele disse que precisava ir embora, pois tinha um compromisso. María se sentiu um pouco mal de ter rejeitado o garoto daquela forma, mas também se sentia aliviada de se ver livre dele. Sua cabeça já estava ocupada e confusa o bastante por causa de Christopher, não precisava de mais romance para se preocupar.

E foi só lembrar de Chris que seu alívio deu lugar a uma tristeza imensa. Só conseguia pensar nele entrando no quarto com aquelas flores, e como ela tinha ficado feliz por um momento. Mas em seguida, com a atitude de Ucker, tudo fora por água abaixo. Ele se mostrou hostil e incomodado com a presença de Diego. E quando foi embora ainda trocaram farpas completamente desnecessárias. Se aquela “festinha surpresa” de Any tinha o intuito de deixá-la mais animada, tinha falhado completamente. O pior de tudo era que Dul estava profundamente arrependida do que dissera. Tudo bem que Christopher não tinha sido exatamente um cavalheiro e também a ofendera. Mas ela não precisava ter jogado aquela história do passado na cara dele. Mesmo que ele já não estivesse nem aí pra ela, devia ter doído.

A cabeça de Dulce María parecia que ia explodir, por isso ela decidiu parar de pensar tanto e começar a agir. E faria aquilo imediatamente. Disse a todos que ainda estavam em seu quarto que se sentia cansada e precisava repousar. Aquela era a vantagem se se estar realmente “doente”. Ninguém contestou e logo todo tinham ido embora, até mesmo Any, depois de perguntar se ela não precisava de nada. Esperou alguns minutos e enquanto se levantou, deu apenas e uma breve checada no espelho para ver como estava e depois deixou o quarto. Foi andando o mais rápido que seu tornozelo torcido permitia pelos corredores do hotel, em direção ao quarto de Ucker. Ainda não sabia direito o que diria, nem como diria, mas, assim como havia decidido, não ia mais ficar pensando tanto no que fazer. Ia seguir seu coração e tomar uma atitude de uma vez por todas.

Quanto bateu na porta do quarto seu coração estava na garganta, quase pulando pra fora. Mesmo assim, ela tentou continuar respirando normalmente. Chris abriu e a olhou sem entender absolutamente nada. Ele usava um pijama listrado de shorts e camiseta. O cabelo estava despenteado e o barba por fazer. Sua aparência não era das melhores, mas para Dulce ele nunca estivera mais bonito. Só de olhar para ele o nervosismo todo desapareceu e ela instantaneamente começou a se sentir mais leve. Sorriu, enquanto ele ainda mantinha a expressão incrédula no rosto.

- Desculpa te acordar uma hora dessa... - começou a ruiva.

- Não me acordou. Eu estava deitado vendo tevê só... O que faz aqui?

- Boa pergunta – disse ela dando um riso bobo – Nem eu sei direito porque vim até aqui... Quer dizer, na verdade eu sei, mas não sei como tive coragem de vir. Mas o que importa é, que já estou aqui, não quero pensar muito nas consequências dos meus atos. Parece que tudo dá sempre errado quando eu penso demais, então eu apenas tive vontade de vir e aqui estou eu. Mas sim eu tenho algo a dizer. E não importa se você vai querer me ouvir ou não, vou dizer de qualquer jeito. Por que eu preciso, entende? - ela disse tudo aquilo sem parar para respirar. As palavras foram saltando de sua boca, e no fim pareciam que não faziam muito sentido. Ela estava ficando nervosa de novo.

- Na verdade não – respondeu ele com sinceridade levando uma mão até a nuca e massageando a área com os dedos. A imagem fez María perder ainda mais a concentração – Mas, tudo bem. O que quer me dizer?

- Eu, é... O que eu quero dizer, ahm, ok – gaguejou ela fazendo força para colocar os pensamentos em ordem, pelo menos só por um momento – Eu quero pedir desculpas, Chris. Pelo jeito como falei com você agora há pouco lá no meu quarto. Eu não devia ter me exaltado tanto.

- Olha, você não tem que pedir desculpas por isso. Afinal, eu também me exaltei, e também fui grosso sem motivo. Provavelmente nos dois agimos muito mal. Os dois deviam pedir desculpas, então tecnicamente nenhum dos dois tem que pedir, certo...

- Hmmm isso não faz muito sentido – Dul se sentia eufórica por acertar logo as coisas com ele, mas parecia que aquela ideia de pedir desculpas não ia levá-los a lugar algum – Olha, o que importa é que eu não quero mais que isso aconteça. Não posso mais viver assim. Estou desde o começo da turnê querendo me aproximar de você, mas parece que tudo o que eu faço só o afasta mais de mim. E todo os momentos que estamos juntos só o que fazemos é brigar. Isso é, no mínimo, insensato!

- É, talvez você tenha razão... - murmurou Ucker enquanto parecia estar refletindo sobre o que a ruiva dissera.

- Por isso é que eu quero propor uma trégua! Chega de brigas! Chega de viver que nem gato e cachorro. Chega de viver que nem Roberta e Diego – aquele exemplo tinha acabado de surgir na cabeça de Dulce e ela se espantou com o quanto se adequava a eles. Não é que estavam mesmo dando uma de Roberta e Diego nas últimas semanas?

- Roberta e Diego – repetiu Christopher e depois deu um risinho – Acho que ainda temos que comer muito feijão com arroz para se igualar a esses dois.

- Talvez... Mas estou falando sério, Chris. Eu já não estou aguentando mais. Sei que também não quer viver brigando, e sei que também não gosta dessa distância entre nós. Eu entendi que você não quis mais saber de mim por eu não ter confiado em você quando me contou da traição do Luis Rodrigo. Mas eu queria que tentasse entender que também não foi legal para mim ver você com a Linda. Ambos passamos por coisas ruins. Superá-las só depende de nós, mas acho que devíamos fazer isso juntos...

- Você está certa – disse ele pegando Dulce um pouco de surpresa. Mais surpresa ainda ela ficou quando viu o sorriso brincalhão em seu rosto - Mas então, se não vamos ser mais Roberta e Diego, quais personagens podíamos ser para fazer isso dar certo?

- Que tal Mia e Miguel? - sugeriu María entrando na brincadeira – Acho que um pouquinho daquele “mimimi” não faria nada mal a nós...

- Ótima ideia... - falou Ucker enquanto sua expressão divertida dava lugar a um sorriso malicioso – Mas se é para ser Miguel, então vamos fazer isso direito...

Ponto de vista de Ucker

Antes que Dulce pudesse mudar de ideia ou fugir, ele a pegou no colo e a trouxe para dentro do quarto. Ucker ainda não acreditava que tal cena era real, e nem que Maria realmente estava ali, disposta a dar uma chance para os dois. Mas no momento, o melhor coisa a se fazer era se entregar àquele instante e deixar todas as outras questões para mais tarde. Afinal, não era todo dia que a oportunidade batia à sua porta, literalmente.

- Ai Miguel, me põe no chão! Me coloca no chão agora, seu caipira grosso e estúpido! – ela brincou, batendo as mãos em seu peito e dando gritos estridentes, bem com o jeito da Mia.

- Não, não! Você precisa de cuidados especiais, Mia. Por mais que não queira, eu vou cuidar direitinho de você – Respondeu, colocando-a delicadamente sobre a cama, com as costas apoiadas na cabeceira e as pernas esticadas.

- Ahh, mas o que você vai fazer? Olha lá, hein seu caipira! Cuidado com os meus pés de princesa – Maria disse com um sorriso brincando em seus lábios, o que só servia para deixá-lo ainda mais encantando.

- Calma, Mia! Eu só vou fazer uma massagem, para aliviar a dor! Confia em mim, tá bem? – Ela assentiu com a cabeça, o que deu mais coragem ao rapaz – Chega um pouquinho mais para frente para eu sentar atrás de você.

- O quê? – A ruiva fez cara de quem não estava entendendo nada.

- É, Mia. Vou massagear suas costas, por isso preciso me sentar atrás de você – Explicou.

- Mas... – ela ainda parecia confusa.

- Você pensou que eu ia mexer no seu pé? Não, de longe se percebe que está muito inchado. O melhor a se fazer é deixar esse tornozelo quietinho aí. Vou focar o tratamento em aliviar o estresse que o trauma causou, entende? – Ele fez uma típica encenação de doutor receitando um tratamento para um paciente debilitado para tornar a situação ainda mais divertida.

- Ucker, ou melhor, Miguel, você não existe, sabia? – Ela riu do exagero do companheiro.

- É, eu sei, eu sei... sou um caipira único – Gabou-se enquanto a ajudava a se posicionar mais para frente na cama. Depois, se encaixou no espaço entre ela e a cabeceira e puxou seus cabelos para o lado, a fim de começar a massagem – Agora feche os olhos e relaxe. Preciso que inspire profundamente e solte o ar devagar.

- Isso é uma massagem ou uma aula de ioga? – Ela perguntou de forma irônica.

- Não conteste os meus métodos, Mia. Apenas faça o que peço – Respondeu em tom sério, fingindo não querer ser contrariado.

- Ai Miguel, também não precisa ser grosso!

- E você não precisa ser tão dona da razão.

Um momento de silêncio tomou conta do quarto. Por um rápido instante, Ucker temeu que a trégua tivesse acabado. Mas na sequência Dulce soltou uma gargalhada tão alta que foi contagiante. Quando os dois se deram conta, ambos estavam rindo sem parar, tanto que chegavam a perder o fôlego.

- Mia, comporta-se! Você está atrapalhando a minha massagem – Christopher disse quando conseguiu normalizar a respiração.

- Está bem, está bem... Pode começar, eu juro que vou ficar aqui, quietinha! – Ela prendeu os cabelos em um coque meio solto no topo da cabela e depois pousou os braços ao lado do corpo, ficando imóvel, como prometido.

Christopher começou apertando as mãos no ombro da ruiva de forma delicada. Ele movia os dedos seguindo algumas dicas que aprendera com um massagista que o atendera certa vez durante uma turnê. Ele respirava fundo, controlando os movimentos para não ultrapassar nenhum limite antes da hora.

- Estou vendo que você está com um top por baixo. Se importa de tirar a blusa para eu poder continuar? – Ele perguntou temendo estar indo longe demais. Mas, para sua surpresa, Maria tirou a peça, ficando apenas com um top preto.

Ucker foi descendo por suas costas, apertando e massageando. Aos poucos, ele sentiu Dulce relaxar, o pescoço pendendo um pouco para o lado denunciando que estava gostando da sensação. Ele então voltou a subir pelo corpo da ruiva, focando no ponto abaixo da sua nuca. Usando os dedões, ele fazia movimentos circulares de forma suave. Era difícil resistir à tentação de abraçá-la e enchê-la de beijos, mas ele resistiu da melhor forma que pode. Não era o momento para precipitações ou passos em falso, ele repetia para si mesmo na tentativa de manter o foco.

- Para um caipira, você até que leva jeito para isso – Ela disse com a voz relaxada.

- Fica fácil quando a pessoa tem uma pele tão macia – As palavras escaparam da sua boca antes que pudesse medi-las. Ele piscou, nervoso, temendo ter falado demais, mas Maria continuou relaxada na sua frente, o que sem dúvidas era um bom sinal.

- E um simples contato de pele pode fazer milagres desse jeito? – A ruiva questionou um pouco sem graça.

- Pode fazer muito mais do que isso, Dulce. Você nem imagina o poder que tem sobre mim.... – Ucker confessou, a voz entrecortada pela emoção. Que toda a cautela fosse para o inferno! Ele queria ter Dulce só para ele e faria o que fosse possível para conseguir.

- Que tipo de poder? – Ela questionou virando o pescoço para tentar vê-lo melhor.

- Eu... eu não sei explicar... – Ele passou as mãos no cabelo, nervoso – Mas é mais ou menos assim...


“Que por un beso puedo
Conquistar el cielo
Y dejar mi vida atrás
Quiero pertenecerte
Ser algo en tu vida
Que me puedas amar"

Christopher cantou um trecho da música no ouvido de Dulce, unindo uma de suas mãos a dela sobre a cama. Aquela canção sempre fazia com que ele se recordasse de Dulce, justamente por ter sido tema do casal Roberta e Diego.

“Con un abrazo fuerte
Hacerte una poesía
Renunciar a lo demás
Y en cada frase oculta
De lo que tú digas
En un beso hablará
Ya no me queda duda
Solo ven y escucha
Decidamos comenzar”

Ela fechou os olhos e encostou o corpo contra o dele, deixando-se envolver pelos versos da canção. Quando Christopher parou de cantar, ela demorou para falar algo, como se estivesse tentando entender os verdadeiros significados daqueles versos – Essa não é a música do Miguel e da Mia – Ela disse, por fim.

- Tanto faz, Dulce. Pode ser a nossa agora, é só você querer – Ele sussurrou em seu ouvido, acariciando a pele do seu pescoço. Tomando coragem, Christopher foi inclinando o corpo em direção à ruiva, até que suas bocas finalmente se encontrassem. Ele temeu que ela fugisse ou o renegasse, mas isso não aconteceu. Foi um beijo lento, quente, cheio de paixão e saudade.

Empolgado pelo beijo, Ucker levantou-se da cama para posicionar-se em frente a Maria. A partir daí, o encontro pegou fogo. Ela se jogou nos braços de Christopher, como se não conseguisse mais conter o desejo que tinha de estar junto dele. Chris, por sua vez, a segurava como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo, ao mesmo tempo que investia contra a ruiva com beijos e pequenas mordidas de forma ardente e sedutora.

Com muito cuidado para não encostar no pé machucado, ele a deitou na cama e tirou o seu top. Lentamente, distribuiu beijos desde a base do seu pescoço, passando pelo seu colo e descendo pela barriga. Os movimentos eram calmos e precisos, nunca demorando tempo demais em um lugar, mas sempre usando o tempo correto para causar a sensação certa.

Dulce se remexia na cama, os olhos fechados, sussurrando baixinho o nome de Christopher. Para atiçar ainda mais a ruiva, ele desceu por sua cintura e abriu o zíper da saia antes de deslizá-las por suas pernas e arremessá-la no chão.

Ele parou por um instante, admirando o corpo da bela mulher que Dulce se tornara. – Que vontade eu estou de você – Ucker comentou antes de beijá-la nos lábios intensamente.

- Tinha dias que eu achava que essa saudade não iria caber dentro de mim – A ruiva confessou, acariciando o rosto do rapaz.

- Mas agora... – ele beijou sua testa – eu vou... – desceu para o seu pescoço, onde demorou um tempo mais – matar toda essa saudade – Christopher finalizou a frase, descendo novamente pelos seios da ruiva, causando arrepios por onde passava.

- Ucker... – Ela protestou, tentando tirar as roupas do companheiro.

- Shiiuuu... Não quero que você faça esforços – Ele apontou para o pé da ruiva, com um sorriso travesso no rosto – Hoje todo o trabalho vai ficar por minha conta.

Com movimentos rápidos, o cantor livrou-se de suas roupas ficando apenas com uma boxer preta. Ele então deitou-se ao lado da ruiva, acariciando e beijando seu corpo até que ela atingisse o clímax.

- Mi Chris... – A ruiva pediu baixinho, o corpo se contorcendo de desejo.

Com muita delicadeza e calma, ele terminou de despi-la, aproveitando para tirar a única peça de suas roupas que faltava. Depois, ele se posicionou sobre ela e os dois fizeram amor lentamente, como se desejassem que a magia daquele momento durasse para sempre e fosse capaz de contagiar todas as pessoas do mundo. O sentimento de ter a amada em seus braços, completamente entregue a ele, era única. Ele sentia seu coração batendo forte, o sangue fluindo em suas veias, a troca de amor que acontecia ao tocar a pele dela. Era incrível como ao lado da Dulce ele se sentia muito mais do que completo. Ele sentia que era invencível, dono do tesouro mais precioso de toda a terra.

- Dulce Maria, por favor, nunca mais me deixe ficar longe de você – Christopher pediu, desabando ao seu lado na cama, a respiração ainda entrecortada, as mãos abraçando-a forte como se tivesse medo que ela fugisse.

- Nem se você quisesse, Chirstopher von Uckermann. Agora nada mais vai separar a gente. Dessa vez é para sempre – Maria sorriu de uma forma carinhosa enquanto se aconchegava em seus braços, o amor transbordando pelos seus olhos.

- Pra sempre minha e pra sempre seu – Naquele momento tudo fez sentido. Aquele era o destino que o universo havia desenhado para eles. E agora que finalmente tinha compreendido isso, Ucker não deixaria que nada mais o separassem.
________________________________________
Notas finais: PA-RA TU-DO! Que capítulo mais romântico foi esse? Eu aposto que você suspirou ao terminar de ler! Vaaai, pode assumir, eu deixo! Afinal, quem não queria viver uma cena dessas?

E agora? Será que esse casal vai ficar junto de vez? Ou Dul vai ceder aos encantos do Boneta?
Será o fim das brigas? Será que mais uma reviravolta vai acontecer? Será que chove em São Paulo? Quantas perguntas, ó Deus! rs!

Olha, só posso dizer uma coisa: eu e Saritah andamos inspiradas. Então, esperem coisa boa por aí!

E você, meu caro leitor anônimo, fale seu nome para a gente! Pode se soltar, aqui você está em casa, ok?

É isso! Beijos, cuidem-se e digam o que acharam desse cap mega especial!

Fiquem bem,

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Una Canción, Capítulo 21 - Acidentes acontecem...

Ponto de vista de Dulce

Ser carregada no colo por Christopher era uma das coisas que Dulce mais queria na vida. Mas em qualquer outro momento, qualquer outra situação que não fosse aquela. Além da dor insuportável que sentia em seu tornozelo, sabia que estava passando pelo maior vexame de sua vida. Ela insistira para que Chris e deixasse ir sozinha até o camarim, que ele voltasse para o show para a banda não ficar tão desfalcada, mas o cabeça dura não lhe dera ouvidos. A carregou no colo por todo o caminho que ligava o palco ao backstage. E agora que estavam quase chegando lá ela já admitia para si mesma que não teria conseguido sozinha. Ele a colocou sentada em um sofá, e o simples toque de seu pé no estofado a fez gritar. Depois de perguntar se ela estava bem, com uma cara de preocupação e desespero, Ucker saiu do camarim para procurar ajuda.

Depois de encontrar uma posição confortável o suficiente para não sentir tanta dor, Dul finalmente criou coragem e checou o estado de sua perna. O estrago tinha sido mais feio do que imaginava, o local estava inchado e um pouco roxo. María não entendia como havia conseguido fazer aquilo. Como, com um simples passo de dança, tinha se machucado daquele jeito? De certa forma a culpa não tinha sido só dela, na verdade fora Ucker que não a pegara no momento certo, por isso ela tinha caído. O que será que tinha acontecido com ele? No que estava pensando? Eles dominavam muito bem a coreografia, já a haviam feito diversas vezes naquela turnê. E pelo empenho dele ao carregá-la até ali e depois correr para chamar ajuda, tinha ficado claro que Christopher sabia muito bem daquilo. Estava mais do que evidente que se sentia imensamente culpado pelo acidente.

Ia começar a se sentir mal por aquela constatação, quando viu que Chris estava volta ao camarim, acompanhado por um verdadeiro batalhão de pessoas. Dulce María arregalou os olhos assustada e enrugou a testa ao olhar pra ele. Onde diabos tinha encontrado toda aquela gente? E porque ele achava que aquilo iria ajudá-la? Só o que Dul precisava era de um médico, uma enfermeira, ou algo do tipo. E só o que via na sua frente eram pessoas da produção, seus assessores e até alguns funcionários da casa de show. Todos falando ao mesmo tempo, sem que se conseguisse entender nada. Ela estava quase gritando para mandar todos calarem a boca quando Ucker abaixou perto dela, tentando tranquilizá-la.

- Não se preocupe, já avisei todo mundo...

- Eu percebi – respondeu Dulce, olhando de relance para a muvuca que estava acontecendo no camarim – Mas acho que não é exatamente disso que estou precisando agora...

- Eu sei, eu sei, calma. Fica tranquila, está tudo sob controle, só não se mexa muito – voltou a falar Chris de forma apressada e atrapalhada, como se estivesse com dificuldade de ordenar as palavras que saiam de sua boca – Já falei com Luisillo, e ele foi buscar o médico na enfermaria. Não se preocupe, eles estarão aqui a qualquer momento.

- Está bem, obrigada - agradeceu ela – Argh! - e depois resmungou de dor, seu tornozelo além de inchado agora começava a latejar – Acho que agora só me resta esperar...

- Tem alguma coisa que eu possa fazer por você enquanto isso? - perguntou Ucker com um tom de preocupação que fez o coração de Dulce doer.

- Tem sim – respondeu ela depois de segurar as emoções e as colocar numa caixinha bem escondida dentro de si. Não era hora de melodrama – Tirar toda essa gente daqui e voltar para o show.

- Sem chance! Não vou voltar para o show enquanto você não for atendida! - enquanto ele dizia aquilo e María o olhava com indignação, o pessoal que havia entrado no camarim percebeu a indireta e começou a sair. Ficaram apenas Iliana e mais duas pessoas da produção da banda.

- Christopher – disse Dulce num tom sério – Não tem necessidade nenhuma disso. Sério, olha, vou ficar bem. Iliana ficará comigo e o médico logo estará aqui.

- É, mas e se ele demorar pra chegar? Quero estar aqui pra ir correndo atrás do Luis e arrastar ele e o tal médico até aqui se for preciso.

- Não exagera, ok?! Esse lugar é grande, sabe-se lá onde é a enfermaria... Não tem porque deixar o grupo mais desfalcado do que já está. Fui eu que me machuquei, não você.

- É, mas a culpa foi minha! - respondeu ele de forma ríspida. Parecia nervoso, mas não estava nervoso com ela, era consigo mesmo. Como se não entendesse como tinha conseguido fazer aquilo. Como se estivesse prestes a começar a bater com a cabeça na parede para se punir.

Dulce ia dizer alguma coisa amena para tentar reconfortá-lo como: “Você não fez de propósito” ou “Essas coisas acontecem”. Mas naquele exato momento Luis Luisillo chegou com o médico. Ele era um senhor alto com cabelos grisalhos aparentando ter no máximo 40 anos. Se apresentou, cumprimentou a todos com um aceno breve, e logo puxou uma cadeira para se sentar ao lado do sofá e examinar a perna de Dul. Quando ele a tocou sua vontade era de gritar, mas se conteve mordendo o lábio inferior. Depois de olhar a região machucada, o doutor David fez algumas perguntas. Queria saber como havia sido o tombo e também se ela era alérgica a alguma medicação. Em seguida ele lhe deu uma bolsa de gelo para colocar sobre a panturrilha e alguns analgésicos para a dor. Ele disse que ela precisaria colocar uma bota ortopédica para ficar com o pé imobilizado por, pelo menos, uma semana. Aquilo acabou com todo a alívio que ela sentiu quando o médico disse que tinha sido apenas uma torção.

Christopher tinha ficado ali, ao lado do médico, o tempo todo. Assistindo a todo o exame e ouvindo todas as recomendações. Em nenhum momento pareceu ter intenção de seguir o conselho de Dulce de voltar para o show. E agora que o doutor se despedia e se retirava do camarim, ele não fez nenhuma menção de se levantar de onde estava. O que havia de errado com aquele garoto? Não tinha mais nada que pudesse fazer por ela ali. No entanto, parecia que a culpa era grande demais para ele lhe dar as costas.

- Já fui atendida – falou a cantora depois de tomar coragem – Agora já pode voltar para o palco.

- Já estávamos nas últimas músicas, a uma hora dessa o show já deve ter acabado – respondeu ele, de novo ríspido. Parecendo não querer discutir o assunto. Mas Dulce queria.

- Mas é claro que não, ainda ouço a banda tocar. E se o show tivesse acabado eles já teriam vindo pra cá...

- Não vou a lugar nenhum, está bem? - Se eu fosse mais cuidadoso não estaria desse jeito... Fiz você se machucar agora tenho que ficar aqui e cuidar de você!

- Não tem que fazer nada disso, Christopher – rebateu Dul começando a ficar zangada – Já disse que estou bem. O melhor que tem a fazer é ir até lá, dizer para o público que não posso voltar para terminar o show, mas que ficarei bem, e terminar o show com eles...

O argumento de Dulce fez brilhar um lampejo de dúvida no olhar de Chris, e talvez ele estivesse começando perceber que ela tinha razão. Mas viu que estava engana quando Pedro Damian chegou no camarim para ver como Dulce estava e depois quase teve que puxar Ucker pelos cabelos para que ele voltasse para o palco. Foi um alívio, não só ver Pedro ali, seu segundo pai, como também se livrar de Christopher. A preocupação dele, em vez de confortá-la, a estava incomodando.

Já não bastava ela se sentir a pessoa mais azarada do mundo por ter machucado o pé em plena tour, agora tinha mais aquele “problema”. Ela enfim estava recebendo mais atenção de Christopher. Ele enfim estava voltando a reparar nela. Enfim teria ele por perto de novo. Mas não era aquele tipo de atenção que ela queria. Não era daquele jeito que esperava se reaproximar de Chris. Ele não estava fazendo nada daquilo porque realmente se importava com ela, ou porque estava voltando a ter sentimentos por ela. Estava mais do que evidente que tudo não passava de culpa. Ele sabia que era o responsável pelo acidente, ainda que não fosse só culpa dele, e que não tivesse sido de propósito. Por isso se sentia obrigado a ajudá-la no que precisasse. Dul sabia que seu altruísmo era maior do que a vontade de ficar longe dela. E tudo isso a deixava pior do que o seu tornozelo que ainda estava inchado e ainda doía apesar do remédio que tomara.

Dulce já não se atrevia a fazer aquela clássica pergunta: “Será que ainda dá pra piorar?”. Afinal os últimos meses de sua vida a haviam ensinado que sim, o que está ruim pode sempre piorar, e muito...

Ponto de vista de Ucker

Ucker deixou a camarim muito contrariado. Ele só conseguia pensar no que acabara de acontecer: um deslize de sua parte, Dulce se machucando, a discussão com ela, Pedro se intrometendo, tudo parecendo desabar. Sua mente estava tão confusa que ele já não sabia mais de quem deveria sentir raiva: se dele próprio, por ter causado aquela situação, da Dulce, por ser tão teimosa e infantil e não permitir que ele a ajudasse, ou do empresário da banda, que havia se metido onde não fora chamado.

Mas Christopher se viu obrigado a deixar sua revolta de lado assim que chegou ao backstage e deu de cara com toda a banda reunida, tentando resolver o mais rápido possível quem iria assumir as partes da Dulce nas canções. Lá fora, o público gritava pela ruiva e pelos outros integrantes. A situação estava completamente fora de controle.

Usando de sua experiência, Pedro determinou que Christian e Anahí ficassem responsáveis pelas partes solo de Maria. A loira também iria substituí-la no dueto de Este Corazón e No Pares seria riscada do repertório naquela noite.

Depois de mais alguns acertos rápidos, todos voltaram ao palco. Christian, Poncho e Any explicaram sobre o acidente de Dulce e avisaram que ela estava bem, porém não voltaria ao palco nos próximos sete dias. Eles também explicaram que o show iria continuar da mesma maneira e que os outros cinco integrantes iriam se esforçar muito para fazer uma boa apresentação. Aos poucos o público foi se acalmado, e o show foi retomado sem grandes problemas.

Depois de alguns minutos, ninguém parecia mais se lembrar do acidente. A apresentação seguiu sem grandes problemas e o pessoal pareceu aprovar a nova interpretação de Este Corazón com a Anahí cantando com Christopher e Poncho. Aliás, as fãs que eram Barken aplaudiram muito a novidade.

Porém, Ucker se sentia incomodado. Uma pergunta ficava martelando em sua cabeça sem parar: o machucado de Dulce realmente fora um acidente ou ele acabara se deixando levar pela raiva ou pela mágoa e, de alguma forma, quis descontar isso nela? Ele sabia que a relação dos dois andava bem confusa e longe de se manter amigável e respeitosa. Inclusive, as últimas vezes que conversaram os dois resumiram-se a trocar provocações e a tratar o outro com indiferença e ironia. Seria Ucker capaz de realmente colocar tais sentimentos em prática e machucar a ex de propósito?

Só pensar na possibilidade já lhe dava nojo. Christopher não queria pensar naquilo. Afinal, por mais que negasse, fingisse e tentasse esconder, ele a amava e tinha certeza disso.

Aquela, sem dúvidas, fora a pior apresentação da sua vida. Quando deixou o palco, todos os colegas vieram confortá-lo dizendo que a culpa não era dele e que tudo acabaria bem. Mas o difícil mesmo foi encarar os fãs. Christopher deixou o local do show acreditando que todo o público o estaria odiando por não ter segurado Dulce direito durante a coreografia. Porém, aconteceu justamente o contrário: o pessoal que se reuniu na saída do show e na entrada do hotel disse palavras de conforto e tentaram reanimá-lo de todo jeito. Ucker precisou conter as lágrimas para não demonstrar sua emoção diante das pessoas. Ele desconfiava que a sua expressão de abatido e culpado era a razão de tanta solidariedade da parte dos fãs. Mas fosse o que fosse, se sentiu acolhido e reconfortado de alguma forma. Era bom chegar ao hotel e ver pessoas que se deram ao trabalho de ir até ali só para lhe oferecer um gesto de carinho.

Assim que terminou de atender o público e ficou sozinho no hotel, Ucker subiu para o seu quarto e se trancou lá dentro. Ao se jogar na cama, tudo o que ele queria era entender o que estava acontecendo. Desde que reencontrara Dulce, nada mais fazia sentido. Parecia que ele havia perdido as rédeas de sua vida...

E se aquele fosse um sinal de que era hora de parar de negar seus sentimentos e assumir de vez o que sentia pela ruiva?

“Não Christopher, não!”, ele repetiu para si mesmo. Não era o momento de se precipitar. Até ali, ele seguira seus instintos sem pensar nas consequências e tudo dera errado. O certo agora era dar um passo de cada vez, para que nenhum dos dois se machucasse. Talvez não houvesse mais chance deles ficarem juntos, mas pelo menos uma amizade civilizada poderia acontecer. Porém, para tanto, ele precisava se mexer. Não poderia deixar a Dulce ficar pensando que ele causara o acidente, tampouco achar que não se importava com o seu bem-estar.

Com uma ideia na cabeça, ele pulou da cama e discou para o quarto de Santos.

- Bueno! – O assessor atendeu com a voz cansada do outro lado. Ucker não o culpava. Afinal, já era tarde da noite e a agenda de compromissos andava corrida.

- Santos, preciso de um favor. É uma coisa meio maluca, mas é importante – O cantor disse com urgência.

- Certo, pode contar comigo. O que é?

- Preciso de um buquê de rosas vermelhas, o mais bonito que você conseguir, com o máximo de agilidade possível.

- Huum... e posso saber para quem são as flores? – Santos perguntou com a voz desconfiada.

- Quero me desculpar com a Dulce pelo acidente de hoje – Ucker justificou-se.

- Olha cara, antes de sair, a Linda me deixou um aviso – o rapaz começou a dizer – Essas foram as palavras dela: “Santos, aconteça o que acontecer, não deixe o Christopher perder a linha e ir correndo atrás da Dulce. Faça-o lembrar que ele precisa de dignidade”.

- Mas eu não acredito nisso... – Ucker balançava a cabeça de um lado para o outro, incrédulo. Ahhh, Linda! Aquela garota não tinha jeito!

- Desculpa cara, mas depois que te vi brigando até com o Pedro hoje para ficar ao lado dela na enfermaria, talvez eu deva avisá-lo que...

- Santos, por favor, eu só quero me desculpar. Fui o responsável pelo acidente e, o mínimo que posso fazer, é pedir desculpas e ser gentil com a Dulce. Será que você pode ajudar nisso ou terei que pedir para outra pessoa? – Ucker cortou a conversa, irritado. A última coisa que precisava era de alguém dando conselhos sobre o que ele deveria ou não fazer.

- Hããã... ok. No máximo em uma hora as flores estarão no seu quarto – O assessor informou antes de encerrar a ligação com a voz séria.

***

Uma hora depois, as flores já haviam sido entregues e Ucker estava de banho tomado, vestido e perfumado. Estava tudo pronto. Só faltava a coragem para ir até a porta do quarto de Dulce e bater.

- Oras Ucker, deixe de ser bobo. É só uma visita para explicar o que aconteceu e pronto. Coragem, homem!

Respirando fundo, lá foi ele. Pegou o elevador, subiu um andar, seguiu até o final do corredor e bateu na porta. Sentiu sem coração subindo à boca naqueles instantes de incerteza antes de alguém responder. Ele já havia repassado mentalmente tudo o que iria dizer quando desse de cara com a ruiva, mas as palavras ficaram engasgadas em sua garganta quando a porta foi aberta e o interior do quarto revelado.

- Uckerzinhoooo! Veio para a festinha? – Uma alegre Anahí o recepcionou. Lá dentro, sentados em poltronas e na cama, estavam a Dulce, sua assessora Iliana, Maite e ninguém mais, ninguém menos, que Diego Boneta, o ex-parceiro de gravações do grupo e candidato a affair de Maria.

Christopher ficou sem reação. Deu um sorriso amarelo e tentou esconder o buquê de rosas o melhor que pode. Será que era sobre aquilo que o Santos tentara alertá-lo e não conseguiu?

Como em uma grande ironia do destino, o assessor surgiu no corredor acompanhado por Christian. O cantor lançou um olhar nervoso em direção ao rapaz, que apenas deu de ombro como se quisesse dizer “eu tentei avisar”.

- Obaaa! Os chicos chegaram! Pena que Poncho não vem. Disse que já tinha compromisso – Anahí comentou, enquanto os convidados entravam no quarto – E você, Uckerzito? Vem ou não vem?

- Hãã... Acho melhor não – Ele tentou fugir. De repente sentia-se muito desconfortável. Além de pagar o maior mico segurando aquelas flores, ele não fora convidado para a “festinha”. Era óbvio que não o queriam ali.

- Para de bobeira, hombre! Entre logo e pegue uma bebida – Any agarrou o seu braço puxando-o para o interior do cômodo com força. Na sequência ela bateu a porta como se quisesse dar um aviso: Daqui não passarás! – Aiii, que fofo! Você trouxe flores para a Dul? – A loira fez uma voz infantil, o que deixou a situação muito pior do que já estava.

– Me dá aqui, vou colocá-las em um vaso – A companheira de grupo arrancou as rosas da mão dele. Só agora Ucker percebia que ela estava um pouco alterada, certamente o resultado de algumas taças a mais de vinho – Olha Dulcezita, o fofo do Christopher trouxe flores para você! Ele não é um amor? – Anahí cruzou a sala aos berros fazendo todos pararem de conversar e encarar a cena com cara de quem não estava entendendo nada.

Naquele momento, Ucker teve certeza de duas coisas:

1 – Que ele daria qualquer coisa para desaparecer daquela cena, como naqueles filmes que um buraco aparecia no chão e engolia a pessoa de repente

2 – Anahí sóbria já é um perigo para a humanidade. Bêbada ela era mais mortal que o vírus do Ebola combinado com o da Aids.

Por sorte, Christian percebeu o climão e tentou ajudar o amigo – Êêêê loira! Como dizem no Brasil, você derrubou o forninho hoje, hein?

Antes que pudesse Ucker perceber, Santos surgiu ao seu lado com uma taça de vinho – Apenas sorria e acene! Sorria e acene! – O assessor sugeriu, puxando-o para um canto mais discreto a fim de tirá-lo do centro das atenções.

- Então você sabia? – Christopher perguntou ao mesmo tempo que tentava bisbilhotar a conversa de Dulce com Diego. Quando foi que os dois ficaram tão íntimos? Apesar de estar usando uma bota ortopédica, a ruiva parecia ótima, sorrindo e brincando com os amigos. Ucker teve vontade de se bater por causa do papel de bobo que estava fazendo.

- A Any propôs uma reunião da galera para animar a Dul. Você sabe... uma semana sem shows, bota ortopédica e tudo mais... a ideia era dar uma moral para ela. A loira pediu para te chamar, mas mudou de ideia quando soube que esse cara aí já estava na área – Ele apontou o queixo na direção do Boneta – Mas as flores estão muito bonitas – Os dois automaticamente olharam para o lugar onde Anahí organizava as rosas em um belo vaso de cristal.

Christopher lançou seu melhor olhar de “não me venha com gracinhas” na direção do rapaz antes de dar mais um gole no seu vinho. Rapidamente, traçou uma estratégia: ficar durante meia hora, fingir uma ligação, dizer que havia alguém o esperando e fugir daquela tortura.

Enquanto contava os minutos, ele observava a conversa de Maria com Boneta. Era claro que o rapaz estava interessado na ruiva, já que não perdia uma oportunidade de elogiá-la e de se mostrar prestativo. E óbvio, Dulce parecia estar adorando ser paparicada pelo cara.

Assim que o relógio avisou que 30 minutos já haviam se passado, Christopher largou sua taça de vinho, foi até a varanda simulando uma ligação e voltou anunciando sua saída.

- Mas já? – Maite interferiu.

- Já! Na verdade, combinei de encontrar uma pessoa e ela já deve estar me esperando – ele disfarçou – Boa noite, pessoal! Obrigada pelo vinho e pela conversa! – Despediu-se fazendo aquela média, mesmo tendo odiado a noite. Claro que o fato de Dulce não ter trocado uma palavra com ele colaborava, e muito, com a vontade de sair correndo daquele lugar e, na sequência, se jogar da ponte mais alta da cidade.

- Eu te levo até a porta – Dulce disse, ficando de pé com certa dificuldade. Mancando, ela começou a caminhar em direção à saída. Tudo que Ucker pode fazer, depois de disfarçar a cara de surpreso que estava estampada em seu rosto, foi oferecer o braço como apoio e caminhar ao seu lado.

- Obrigada pelas flores – Ela agradeceu depois de abrir a porta e sair para o corredor, claramente querendo se afastar do barulho da festa.

- Não foi nada. Eu só queria me desculpar e dizer que sentia muito pelo acidente, mas pelo que vejo, você já tem quem faça isso melhor do que eu – O cantor acabou soltando as palavras em um tom mais ácido do que o desejado.

- Pois é... Apesar de tudo, ainda há pessoas que se importam de verdade comigo – A ruiva rebateu, igualmente séria.

- Assim como o seu noivo também se importava? – A raiva fez com que as palavras saíssem antes que pudesse controlar. Só pela expressão de dor, dava para imaginar o quanto Maria havia sentido o golpe – Olha Dulce, sugiro que você fique aí, com as pessoas que realmente se importam com você e me deixe ir embora. Está claro que não há lugar para mim aqui – Ele se virou e começou a caminhar, dando a discussão por encerrada. Trocar farpas não iria levar a lugar algum.

- Isso mesmo, vai embora. O seu lugar nunca foi e nunca será aqui. Você deixou isso bem claro aquele dia em Madrid quando preferiu fugir em vez de ficar comigo – Dulce respondeu com a voz calma, mas carregada de raiva e ressentimento.

Ucker apenas olhou para trás por alguns instantes antes de retomar a caminhada e apertar o botão do elevador. Suas mãos tremiam e ele sentia cada fantasma do passado parado ali naquele corredor entre os dois. Ele tentou responder, mas como argumentar com uma pessoa que está certa?

Antes de entrar no elevador, ele deu uma última olhada em direção à ruiva. Tudo que viu foi ela batendo a porta, voltando para o conforto e os mimos do Boneta. A cena não poderia ter sido mais irônica, porque afinal, era assim que funcionava a sua relação com a ruiva: para ele, a porta estava fechada e ele não tinha a chave para abri-la.

______________________________________________

Notas finais: E ai amigos, tudo bem?
O que acharam desse capítulo? Fortes emoções hã? Christopher todo sem jeito conseguiu machucar o pé da María e agora a relação deles parece ter ficado ainda mais confusa... E o Diego Boneta tá no meio de novo pra atrapalhar... O que será que isso vai dar, hein?!

Confiram em breve no próximo capítulo ;)

Beijos e obrigada por lerem!!
Sarah


*** Leia o próximo capítulo: Despertando a Mia interior